Foto: COLUNANEWS
Um touro fugiu de um rodeio na noite de sexta feira (04/09), em Barbosa Ferraz, no centro-oeste do Paraná, e correu pelas ruas da cidade em busca de liberdade.
O touro estava sendo explorado na festa que comemorava os 66 anos do município, onde eram realizadas provas de rodeio. Em algum momento, conseguiu escapar do local e deixou para trás o espaço em que era mantido para as montarias. Sem compreender que as ruas poderiam representar outro perigo, correu pela cidade tentando se afastar da situação à qual havia sido submetido. Durante a corrida, uma mulher de 78 anos acabou sendo atingida não intencionalmente.
Algumas pessoas tentaram contê-lo com laços, mas não conseguiram. Em vez de buscar alternativas para proteger a vida do touro, policiais militares efetuaram disparos e o mataram.
A decisão de atirar mostra a falta de preparo e de sensibilidade das autoridades para lidar com uma situação que envolvia um animal assustado, em fuga e submetido a uma circunstância criada pela própria exploração humana. O touro não foi morto porque representava uma ameaça inevitável, mas porque os agentes escolheram a solução mais rápida e violenta diante de um problema que exigia contenção responsável, distância e estratégias não letais.
A execução do touro revela o desprezo pela vida e a incapacidade do poder público de agir de forma compatível com os princípios de proteção e bem-estar animal. Em vez de reconhecer que ele era vítima de um sistema que o colocou em um rodeio e depois permitiu sua fuga, os policiais transformaram o medo do animal em justificativa para matá-lo.
A morte do touro encerrou uma fuga que começou em um ambiente de exploração.
Não é possível saber exatamente o que aconteceu nos instantes que antecederam a fuga. A Polícia Militar não divulgou como o touro conseguiu sair do espaço do rodeio nem quais medidas de segurança haviam sido adotadas para impedir que ele alcançasse as ruas.
A Prefeitura de Barbosa Ferraz anunciou a suspensão imediata das provas de rodeio após a morte da mulher. As demais atividades da festa, prevista para terminar neste domingo (06/09), foram mantidas. O prefeito Carlos Rosa Alves também determinou a abertura de um procedimento administrativo para apurar as circunstâncias do ocorrido e identificar eventuais responsáveis.
A tragédia expõe o risco criado quando animais são levados a participar de eventos que os submetem a situações de medo e estresse. O touro tentou escapar de um lugar onde não deveria estar e acabou morto por causa da própria fuga.
A mulher perdeu a vida e sua família merece respeito e acolhimento. O touro também perdeu a vida. Sua morte, porém, não pode ser tratada como consequência de uma suposta maldade ou de uma escolha deliberada de ferir alguém.
Ele estava fugindo.
Se pudesse escolher, provavelmente teria escolhido apenas continuar correndo até encontrar um lugar onde estivesse seguro. Como fazem tantos animais quando tentam escapar da violência humana.
Fonte: anda.jor.br
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