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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Cachorrinha batizada de ‘Fênix’ é resgatada com queimaduras de 3º grau após incêndio em Santana, AP

 


 Foto: Larissa Paes/g1

Uma cadela de aproximadamente 3 anos foi resgatada com queimaduras de terceiro grau após um incêndio atingir a área portuária da comunidade do Ambrósio, no município de Santana (AP). Com cerca de 90% do corpo queimado, a cachorrinha foi batizada de ‘Fênix’, em referência à ave mitológica que renasce das cinzas.

O incêndio aconteceu por volta das 8h30 desta segunda-feira (24). Uma amiga do veterinário Fernando Carvalho, que mora na comunidade, pediu ajuda após perceber o fogo. Ele foi até a região e encontrou a cachorrinha assustada sob uma das casas incendiadas.

“Ela está com o focinho queimado e a região periocular queimada. Também está com as orelhas, parte das patinhas, a região direita e esquerda das costelas, as costas e a região da barriga, com algumas mamas também queimadas. Cerca de 90% do corpo. Uma coisa boa é que os olhos não foram atingidos”, contou.

Fernando explicou que a aparência atual das queimaduras ainda não mostra a extensão total dos ferimentos. Parte da pele afetada deve cair nos próximos dias, o que pode revelar novas áreas lesionadas.

A maior preocupação é a exposição da pele, que pode aumentar o risco de infecção. O ambiente onde Fênix estava também preocupa o veterinário, que explicou que a área tinha esgoto e outras fontes de contaminação.

“É uma infecção de pele grave. Tem que tomar banho todo dia para diminuir a carga bacteriana e usar remédios pesados. Uma queimadura desse nível tem várias fases de cicatrização. Além disso, também me preocupa a possibilidade de ela manifestar doença de carrapato por conta da imunidade baixa”, afirmou.

Agora, o tratamento é extenso. Fênix precisa de higienização diária dos ferimentos e troca de curativos conforme cada fase da cicatrização. Ela já iniciou os cuidados com antibióticos, anti-inflamatórios e produtos específicos para queimaduras.

O veterinário pretende mantê-la no local até a recuperação. Ele contou que a cachorrinha se mostrou dócil durante o atendimento e os cuidados no consultório. De acordo com Fernando, a tutora de Fênix perdeu um cachorro e dois gatos, além de ter sido uma das pessoas cuja casa foi incendiada.

Durante o incêndio, um gato preto de dois meses também foi resgatado na região. O animal apresentou queimaduras superficiais e está recebendo atendimento no Hospital Veterinário de Macapá.

Por Maria Clara Prudêncio e Larissa Paes (sob supervisão de Josi Paixão)

Fonte: G1

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Seis animais são resgatados com suspeita de violência sexual em Cajazeiras, na Paraíba


 Central de Polícia de Cajazeiras-PB. Foto: Beto Silva/TV Paraíba

Seis animais foram resgatados com suspeita de terem sido vítimas de violência sexual nos últimos três meses em Cajazeiras, no Sertão da Paraíba. Os casos foram denunciados à Polícia Civil pela ativista e protetora de animais Cleo Moura, que reuniu exames veterinários e outras informações durante os resgates. Em dois episódios, a suspeita foi confirmada por avaliações clínicas, segundo ela.

O caso mais recente ocorreu na terça-feira (1º/09) e envolve uma cadela encontrada com sangramentos e dificuldade para realizar suas necessidades fisiológicas. O quadro exigiu três procedimentos veterinários. O animal permanece internado em estado grave.

De acordo com Cleo, os casos foram registrados em bairros próximos de Cajazeiras e chegaram ao conhecimento dos protetores principalmente por meio de moradores. Em uma das ocorrências, um animal foi localizado por trabalhadores responsáveis pela limpeza das ruas.

No fim de agosto, outro cão foi encontrado com sangramento e encaminhado para atendimento veterinário. Durante o procedimento, um preservativo teria sido retirado do ânus do animal, segundo a protetora.

Outros quatro cães também foram resgatados apresentando sangramentos e alterações consideradas compatíveis com violência sexual, conforme as denúncias. A confirmação, nesses casos, depende de avaliação veterinária e investigação policial.

Cleo relatou ainda que alguns dos animais passaram a demonstrar medo ou comportamento agressivo diante de homens depois dos episódios. A mudança comportamental pode ocorrer em animais submetidos a situações traumáticas, mas a avaliação de cada caso cabe aos profissionais responsáveis pelo atendimento.

A protetora já registrou um Boletim de Ocorrência e pretende entregar à Polícia Civil os exames realizados nos animais e demais informações reunidas durante os resgates. A investigação deverá apurar as circunstâncias dos casos e identificar os responsáveis, caso seja confirmada a ocorrência de violência.

Mortes de animais também são investigadas na região

A denúncia em Cajazeiras ocorre poucas semanas depois de uma sequência de mortes de cães e gatos registrada em Teixeira, também no Sertão da Paraíba. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente do município, mais de 200 animais morreram ao longo de três meses com suspeita de envenenamento.

Os primeiros casos começaram a ser registrados em maio. Moradores e protetores relataram a ocorrência de diversas mortes em diferentes pontos da cidade, em um intervalo considerado curto para a quantidade de animais afetados.

A Polícia Civil foi acionada para investigar as mortes e esclarecer as circunstâncias dos óbitos. Protetores de animais também acompanham o caso em busca de respostas e responsabilização.

A violência contra animais pode assumir diferentes formas, desde agressões físicas e abandono até práticas que provocam sofrimento intenso e comprometem a integridade dos indivíduos. Em situações como as denunciadas em Cajazeiras, a apuração adequada é fundamental para interromper possíveis ciclos de violência e garantir proteção aos animais atingidos.

Fonte: anda.jor.br

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Legado do ator Marlon Brando ajuda a proteger mais de 15,6 mil tartarugas-verdes em ilha


 Duas tartarugas marinhas bebês começam sua vida no mar após deixarem a praia de Tetiaroa. Foto: Alexis Rosenfeld/Getty

Mais de 15,6 mil filhotes de tartaruga-verde nasceram em uma única temporada no Atol de Tetiaroa, na Polinésia Francesa. O levantamento realizado por biólogos contabilizou uma estimativa de 15.614 filhotes entre 2024 e 2025, em um dos principais locais de nidificação da espécie na região.

Conhecida como honu em taitiano, a tartaruga-verde é uma espécie ameaçada de extinção. Em Tetiaroa, pesquisadores acompanham há anos a chegada das fêmeas às praias, a formação dos ninhos e a saída dos filhotes em direção ao oceano. Na temporada mais recente, foram registrados mais de 430 rastros, 113 fêmeas em atividade reprodutiva e cerca de 161 ninhos.

A quantidade de filhotes foi estimada a partir da contagem das cascas deixadas nos ninhos após a eclosão. O trabalho integra o programa de monitoramento conduzido pela organização Te mana o te moana, com apoio da Tetiaroa Society, e permite acompanhar a reprodução de uma população que depende diretamente da preservação das praias para completar seu ciclo de vida.

A história de proteção de Tetiaroa está ligada a Marlon Brando. O ator conheceu o atol durante as filmagens de O Grande Motim, no início dos anos 1960, e ficou profundamente ligado ao arquipélago. Em 1966, adquiriu direitos de arrendamento de longo prazo sobre o território, formado por 12 pequenas ilhas, e passou a defender a preservação de sua natureza e de sua cultura.

Brando não queria transformar Tetiaroa apenas em um refúgio particular. Sua proposta era fazer do atol um espaço de proteção e pesquisa científica, capaz de demonstrar que a proteção da natureza poderia conviver com atividades humanas sem que a biodiversidade fosse sacrificada. A própria Tetiaroa Society mantém registrada essa visão do ator, que desejava transformar o local em um modelo ecológico e também em uma área de pesquisa marinha.

Após a morte de Brando, em 2004, o projeto ganhou continuidade. A Tetiaroa Society foi criada em 2010 e passou a desenvolver pesquisas, ações de restauração ambiental e programas de proteção da fauna. O monitoramento das tartarugas-verdes se tornou uma das principais frentes de trabalho no atol.

A proteção das praias é essencial para esses animais. As fêmeas retornam às áreas de reprodução para depositar seus ovos, enquanto os filhotes dependem de uma faixa de areia livre de obstáculos para deixar os ninhos e alcançar o mar. A iluminação artificial também pode desorientá-los durante esse percurso.

O atol passou por outras iniciativas para proteger sua fauna. Ratos introduzidos no ambiente predavam ovos e filhotes de tartarugas, além de afetarem aves nativas. Em 2022, uma operação de restauração removeu duas espécies de ratos de diferentes ilhotas de Tetiaroa, buscando recuperar os ecossistemas terrestres e marinhos.

O trabalho de conservação também envolve o controle da iluminação nas áreas próximas às praias de nidificação. As estruturas do resort The Brando, inaugurado em 2014, foram instaladas afastadas da costa, enquanto medidas de redução da luminosidade procuram evitar interferências no comportamento das tartarugas durante a noite.

A proteção, contudo, não termina quando os filhotes alcançam a água. Tartarugas-verdes enfrentam uma série de ameaças no oceano, como captura, poluição, ingestão de plástico, degradação de habitats e mudanças nas condições ambientais provocadas pelo aquecimento global. A sobrevivência da espécie depende, portanto, de ações que ultrapassem os limites de um único atol.

Em Tetiaroa, a presença de milhares de filhotes em uma temporada oferece uma dimensão concreta do que décadas de proteção podem proporcionar. Cada animal que deixa a areia e chega ao oceano representa a continuidade de uma espécie que ainda enfrenta riscos em praticamente todas as etapas da vida.

O legado associado a Marlon Brando permanece no atol, mas são as tartarugas que dão sentido mais profundo à conservação de Tetiaroa. Para elas, aquele pedaço de oceano e areia não é um destino turístico nem um cenário de cinema. É território de reprodução, abrigo e sobrevivência.

Fonte: anda.jor.br

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Urso-pardo morre após 17 anos aprisionado em zoológico no Rio Grande do Sul

 


Foto: Vinicius Becker

Charles, apontado como o último urso-pardo-americano do Rio Grande do Sul, morreu na terça-feira (1º), aos cerca de 27 anos, no Zoológico São Braz, em Santa Maria (RS). O animal passou aproximadamente dez anos em um circo antes de ser levado ao zoológico, onde permaneceu confinado por outros 17 anos. A causa da morte será investigada por meio de necropsia realizada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Charles chegou a Santa Maria em março de 2009, aos aproximadamente dez anos. Quando foi encontrado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), durante uma operação que localizou o circo onde vivia, estava dentro de uma jaula de cerca de seis metros quadrados, pequena a ponto de impedir que permanecesse em pé.

A estrutura utilizada para transportar o urso expunha uma realidade recorrente na exploração de animais em espetáculos. Retirados de seus ambientes naturais e submetidos a deslocamentos constantes, confinamento e apresentações diante de público, animais silvestres são transformados em atrações contra suas necessidades físicas e comportamentais.

Segundo Silvia Machado, coordenadora do Zoo São Braz, Charles carregava marcas do período vivido no circo. Ela relata que o urso teria sido submetido a maus-tratos durante as apresentações. Entre as práticas descritas está a colocação do animal sobre uma superfície aquecida. O calor fazia com que ele movimentasse as patas, enquanto o público interpretava os movimentos como uma espécie de dança.

A transferência para Santa Maria interrompeu a exploração circense, mas não devolveu a Charles aquilo que havia sido retirado dele. O urso passou a viver em um recinto de aproximadamente 150 metros quadrados, equipado com tanque de água, troncos, areia e uma área coberta para descanso.

Embora o espaço representasse uma mudança em relação às condições anteriores, continuava sendo um ambiente artificial, delimitado e incapaz de reproduzir a complexidade de uma vida livre. Um urso-pardo-americano percorre grandes territórios, explora diferentes ambientes, procura alimento, estabelece relações com o espaço e responde continuamente aos estímulos de seu habitat. Nenhum recinto de zoológico consegue oferecer essa liberdade.

A equipe do São Braz relatou que, com o passar dos anos, Charles apresentou redução de comportamentos agressivos e de sinais de estresse. Ainda assim, determinadas situações exigiam cuidados específicos. Barulho excessivo e a concentração de muitas pessoas próximas ao recinto eram evitados para diminuir estímulos capazes de provocar desconforto.

A adaptação comportamental, contudo, não apaga o histórico de privação. Animais submetidos durante anos ao cativeiro podem desenvolver comportamentos associados às experiências vividas e permanecer dependentes de ambientes controlados por seres humanos.

Nos últimos dias de vida, o estado de saúde de Charles se deteriorou. Na quinta-feira (27 de agosto), a equipe percebeu que ele havia deixado parte da alimentação. A partir da sexta-feira (28), houve agravamento do quadro, com redução da ingestão de alimentos e alteração na regulação da temperatura corporal.

O urso já era considerado idoso e recebia acompanhamento veterinário periódico. Exames realizados ao longo dos anos apontavam alterações compatíveis com a idade. Apesar de uma estabilização inicial, o prognóstico era desfavorável.

Charles morreu aos cerca de 27 anos. Seu corpo foi encaminhado à UFSM, onde será submetido a necropsia para determinar a causa do óbito. O zoológico informou que o resultado deve ficar disponível na primeira quinzena de setembro. Materiais biológicos e genéticos também poderão ser destinados a pesquisas.

A instituição transformou a história de Charles em parte de suas ações de educação ambiental, apresentando sua trajetória principalmente a crianças e grupos escolares como exemplo dos impactos da ação humana sobre os animais. O problema é que a própria existência de animais silvestres em zoológicos mantém uma das formas de exploração que precisa ser questionada.

Charles não pôde retornar à natureza porque havia passado grande parte da vida em cativeiro e não pertencia a uma espécie nativa do Brasil. A impossibilidade de libertá-lo não torna o confinamento uma solução desejável. Ela é consequência de uma trajetória iniciada justamente pela retirada do animal de uma vida para a qual seu corpo e seu comportamento haviam evoluído.

O destino de Charles expõe uma contradição. O mesmo animal que foi explorado em um circo acabou transformado em atração de outro espaço criado para receber visitantes. Mudaram as condições e os cuidados, mas permaneceu a impossibilidade de escolher onde viver, para onde ir e como conduzir a própria existência.

A morte do urso encerra uma história marcada por decisões humanas tomadas em seu nome. Charles sobreviveu ao circo, mas passou o restante da vida atrás de limites impostos por pessoas. Sua trajetória deveria servir menos para celebrar a permanência de animais em zoológicos e mais para questionar por que seres sencientes ainda são retirados de seus ambientes, confinados e expostos à observação humana como forma de entretenimento ou educação.

Nenhum animal deveria precisar sobreviver à exploração para depois passar o restante da vida em cativeiro.

Fonte: anda.jor.br

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