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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Maior site de viagens do mundo deixa de vender ingressos para corridas de cavalos por risco aos animais


 Cavalos galopam no início de uma corrida no hipódromo de Belmont Park, em Nova York. Foto: Diana Robinson/CC BY-NC-ND 2.0

O Tripadvisor deixou de vender ingressos para corridas de cavalos em sua plataforma após concluir que esse tipo de experiência viola sua Política de Bem-Estar Animal. A restrição vale para atividades realizadas nos Estados Unidos e em outros países e alcança hipódromos conhecidos, como Churchill Downs, Keeneland e Del Mar, além de pistas britânicas como Aintree, Cheltenham e York.

A política da plataforma, atualizada em maio de 2026, determina que o Tripadvisor não venda ingressos nem obtenha receita com reservas de experiências nas quais animais domésticos sejam submetidos a risco elevado de lesões ou morte para fins esportivos ou de entretenimento. A regra inclui corridas de cavalos, cães e camelos, além de eventos no estilo rodeio.

Os usuários continuam autorizados a publicar avaliações e fotografias dos hipódromos. A diferença está na comercialização das experiências. Os anúncios de locais que não atendem aos critérios de bem-estar passam a informar que eles não estão de acordo com a política da plataforma, enquanto as experiências que violam as regras deixam de ser disponibilizadas para reserva.

A decisão coloca sob escrutínio uma atividade que submete cavalos a esforço físico intenso e que registra mortes e lesões graves durante corridas e treinamentos. Segundo a organização Horseracing Wrongs, que acompanha os registros de mortes de cavalos em pistas norte-americanas desde 2014, foram contabilizadas 12.513 mortes em hipódromos dos Estados Unidos até setembro de 2026. A própria organização ressalva que o número representa apenas os casos que conseguiu confirmar e não inclui todos os animais que morrem em instalações particulares de treinamento ou em outras circunstâncias.

Patrick Battuello, fundador da organização, estima que cerca de 1.800 cavalos morram anualmente em pistas norte-americanas. Entre os registros reunidos pelo grupo estão casos de colapso cardiovascular, hemorragia pulmonar, fraturas de pescoço, lesões na coluna, rupturas de ligamentos e fraturas graves nas patas. Também são registrados problemas fatais ou incapacitantes fora das pistas, como cólicas e laminite.

Churchill Downs está entre os locais que concentram atenção sobre esse problema. O hipódromo de Louisville, no Kentucky, é sede do Kentucky Derby e pertence à Churchill Downs Incorporated, empresa que registrou lucro líquido atribuível de US$ 383 milhões em 2025.

Em 2025, 19 cavalos morreram em Churchill Downs ou em sua pista de treinamento, segundo dados citados pela organização PETA. O número veio após um período de forte escrutínio sobre a segurança do local. Em 2023, 12 cavalos morreram nas semanas próximas ao Kentucky Derby, levando à suspensão temporária das corridas e a uma investigação da Horseracing Integrity and Safety Authority.

O caso de Vino Subito também trouxe novas críticas à transparência do hipódromo. O cavalo, de três anos, sofreu uma lesão grave na pata durante uma corrida em 28 de abril de 2026 e morreu dois dias depois. Segundo a PETA, Churchill Downs não anunciou publicamente a morte naquele momento. A organização passou a cobrar a divulgação imediata de todas as lesões graves e mortes ocorridas no local.


A política do Tripadvisor não surgiu apenas em resposta às corridas de cavalos. O documento estabelece restrições a diferentes atividades que envolvem exploração animal, incluindo determinadas interações com animais silvestres, apresentações em que animais sejam forçados a realizar comportamentos artificiais e atrações de caça. Para animais domésticos, a empresa afirma que o risco elevado de ferimentos ou morte associado ao formato da atividade é suficiente para impedir a venda de ingressos.

Para Battuello, a retirada das corridas de cavalos da plataforma representa uma mudança na forma como o setor é apresentado ao público. O ativista classificou a medida como um avanço moral e defendeu que as mortes deixem de ser tratadas como consequência inevitável do esporte.

A posição também recebeu apoio da PETA. A entidade afirmou que o público tem rejeitado cada vez mais atividades de entretenimento baseadas na exploração de animais e criticou práticas associadas às corridas, incluindo o uso de medicamentos e a permanência de cavalos no circuito enquanto são economicamente rentáveis.

A crítica não partiu apenas de organizações de defesa animal. Jonathan Stettin, especialista em corridas de cavalos e apostador de longa data, escreveu que o setor deveria analisar os próprios problemas em vez de concentrar as críticas no Tripadvisor. Em uma coluna publicada no Past The Wire, ele apontou questões como violações relacionadas a medicamentos, cavalos que competem lesionados, pressões econômicas e a falta de transparência que historicamente acompanha parte da indústria.

Em fevereiro, Stettin também havia enviado uma carta aberta ao The Jockey Club defendendo regras mais rigorosas para proteger cavalos que deixam as pistas. Entre as preocupações apresentadas estava o destino de animais que chegam a leilões e instalações destinadas à exploração comercial depois do fim de suas carreiras esportivas.

A retirada das reservas pelo Tripadvisor não impede a realização das corridas nem altera, por si só, as regras dos hipódromos. A medida muda, porém, a maneira como essas experiências podem ser comercializadas por uma plataforma de alcance global. Ao deixar de obter receita com reservas de corridas de animais, o site passa a reconhecer formalmente que o risco imposto aos cavalos pelo próprio formato da atividade é incompatível com seus critérios de bem-estar.

Para os cavalos submetidos às corridas, a mudança comercial não elimina o sofrimento nem encerra a exploração. Mas retira uma importante vitrine turística de uma atividade que há anos acumula registros de lesões graves e mortes nas pistas.

Fonte: anda.jor.br

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Sob controle do governo, 356 cavalos selvagens são retirados da natureza nos EUA; apenas 109 foram devolvidos à região


 Foto: X/@CollinRugg

Cavalos selvagens foram retirados de seu habitat na Bacia de Bighorn, no Wyoming, Estados Unidos, durante uma operação conduzida pelo Bureau of Land Management (BLM) sob a justificativa de controlar uma população considerada acima da capacidade de suporte da área. Encerrada em 18 de setembro, a ação recolheu 356 animais. Desse total, 109 foram devolvidos à região, 235 foram retirados da área de manejo e 12 morreram durante a operação.

A ação ocorreu na Fifteenmile Herd Management Area, uma área de aproximadamente 81 mil acres formada majoritariamente por terras públicas. Segundo o BLM, levantamentos aéreos com câmeras infravermelhas estimaram a presença de 386 cavalos, enquanto o chamado Nível de Gestão Adequado estabelecido pelo próprio órgão para a região varia de 100 a 230 animais.

A definição desse limite é parte central do modelo de manejo adotado pelo governo norte-americano. Quando a população ultrapassa a faixa estabelecida pelas autoridades, os cavalos passam a ser alvo de operações de recolhimento, mesmo vivendo livremente em uma área onde sua presença é protegida por lei.

Para justificar a retirada, o BLM aponta a reprodução dos cavalos, a ausência de predadores naturais e a pressão sobre a vegetação. A seca severa que atinge a região também reduziu a disponibilidade de água e alimento e agravou as condições das pastagens.

O órgão sustenta que diminuir o número de animais permitiria aliviar a pressão sobre os recursos naturais e favorecer a recuperação da vegetação. Essa é, porém, a justificativa apresentada pela própria agência responsável pelo manejo. Na prática, a política transforma a quantidade de cavalos considerada aceitável pelo governo em critério para decidir quais animais poderão continuar vivendo livres.

A operação retirou centenas de cavalos de uma vida em liberdade e os colocou sob controle humano. Os animais recolhidos foram encaminhados para instalações de retenção, onde passaram por avaliação veterinária e poderiam ser destinados a programas de adoção e venda administrados pelo governo.

Dos 356 cavalos capturados, 131 eram machos, 157 eram fêmeas e 68 eram filhotes. Ao final da operação, 235 animais foram enviados para fora da área de manejo. Apenas 109 retornaram à natureza, entre eles 61 machos, 45 fêmeas e três filhotes.


Doze cavalos morreram durante a ação. O BLM classificou os óbitos como consequência de condições preexistentes ou crônicas. O registro, no entanto, integra o balanço de uma operação que retirou centenas de animais de seu ambiente e os submeteu a transporte, contenção e confinamento.

A situação também expõe uma contradição do sistema de proteção adotado nos Estados Unidos. O Wild Free-Roaming Horses and Burros Act, aprovado em 1971, reconhece a importância dos cavalos selvagens e estabelece proteção para esses animais em terras públicas. A mesma estrutura de gestão, porém, permite que o governo determine quantos deles podem permanecer em cada área e recolha aqueles que ultrapassam o número estabelecido.

A seca torna a situação ainda mais delicada. A redução de água e alimento pode comprometer a sobrevivência dos cavalos e de outras espécies que dependem da mesma paisagem. Mas a crise ambiental não surgiu por decisão dos animais, e a retirada em massa não elimina as causas que tornam o habitat vulnerável. Ela apenas desloca parte dos cavalos para fora da área onde viviam.

Também é preciso considerar que as terras públicas do oeste norte-americano são utilizadas por diferentes interesses e atividades humanas. Nesse cenário, os cavalos selvagens acabam submetidos a um sistema que administra sua liberdade de acordo com limites definidos pelo governo, enquanto outros usos da paisagem também disputam água, alimento e espaço.

A devolução de 109 animais não desfaz a dimensão da operação. Centenas de cavalos continuam fora da Bacia de Bighorn e sob intervenção humana, enquanto 12 não sobreviveram ao processo. Para os animais que permaneceram livres, a ameaça também não terminou. Novas operações podem ocorrer caso a população volte a ultrapassar o limite estabelecido pelo BLM.

Mais do que decidir quantos cavalos cabem em uma paisagem, o debate envolve a forma como seres que vivem livres são tratados pelo poder público. A proteção prevista em lei perde parte de seu significado quando a permanência desses animais na natureza depende de uma contagem definida pelas mesmas autoridades responsáveis por removê-los.

Fonte: anda.jor.br

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Aramy Fablicio: uma vida inteira dedicada à defesa dos animais e da natureza


 Foto: Arquivo pessoal

A defesa dos animais e da natureza perdeu, nesta segunda-feira (21), um de seus mais dedicados defensores na Paraíba. Aramy Fablicio morreu na madrugada, vítima de um acidente de moto no distrito de Galante, em Campina Grande (PB), segundo comunicado divulgado por pessoas próximas.

A triste notícia encerra uma trajetória construída ao longo de décadas em defesa da vida. Ambientalista, mateiro, brigadista e resgatista de animais silvestres e abandonados, Aramy transformou sua relação com a natureza em uma missão permanente de proteção.

Natural de Fagundes, na Paraíba, ele começou ainda criança a desenvolver uma profunda ligação com os animais. O contato com a caça e a captura de espécies silvestres, práticas presentes em parte das comunidades rurais onde cresceu, despertou nele uma reação que o acompanharia por toda a vida.

Ainda menino, produziu uma placa para alertar contra a caça e a captura de animais. A iniciativa ganhou dimensão ao longo dos anos e deu origem ao projeto Biqueira Velha, com a instalação de placas educativas em propriedades rurais e ações voltadas à conscientização sobre a proteção da fauna.

O que começou como uma inquietação de criança tornou-se uma trajetória de décadas.

Aramy atuou no resgate de animais silvestres e abandonados, denunciou situações de maus-tratos, combateu a caça e participou de ações de proteção ambiental. Também se tornou brigadista e passou a combater incêndios, movido pela preocupação com os animais que ficavam ameaçados pelas queimadas e pela destruição de seus habitats.

Seu trabalho incluía ainda a criação de iniciativas de educação ambiental e proteção da fauna, entre elas o Natureza Livre, ligado à soltura de animais.

A relação de Aramy com os animais não era apenas profissional ou militante. Era profundamente pessoal. Registros de sua trajetória mostram que essa preocupação surgiu ainda na infância e se tornou cada vez mais forte com o passar dos anos.


Em relatos recuperados em pesquisas acadêmicas, ele contou experiências que ajudam a compreender a origem de sua dedicação. A percepção do sofrimento causado aos animais fez com que passasse a questionar práticas que havia presenciado desde criança. Mais tarde, já adolescente, passou a libertar pássaros mantidos em gaiolas.

A sensibilidade diante do sofrimento transformou-se em ação.

Aramy também trabalhou pela preservação da vegetação nativa e pela valorização dos espaços naturais de Fagundes. Em 2025, ainda desenvolvia ações de educação ambiental na região da Pedra de Santo Antônio, produzindo materiais educativos e iniciativas de valorização da natureza.

A atuação ultrapassou os limites de sua cidade e alcançou o movimento de defesa dos animais.

Ao longo dos anos, tornou-se conhecido por uma característica que atravessava todas essas atividades que era a disposição de agir.

Não era apenas alguém que falava sobre a importância de proteger a natureza. Aramy entrava em áreas atingidas pelo fogo, socorria animais, enfrentava a realidade da caça, denunciava situações de abandono e maus-tratos e procurava sensibilizar outras pessoas para a necessidade de respeitar a vida.

Em uma de suas declarações, resumiu a responsabilidade que assumira diante da destruição ambiental: “A natureza não se defende. Tem que ter alguém para falar em prol dela.”

Ele foi uma dessas pessoas.

“Aramy fez da defesa da vida uma escolha de existência”, diz Silvana Andrade.

Para Silvana Andrade, jornalista, fundadora e presidente da ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais), a morte de Aramy representa uma perda profunda para todos aqueles que dedicam suas vidas à proteção dos animais e da natureza.

“Recebi a notícia da morte de Aramy com uma tristeza profunda, que é difícil colocar em palavras. Aramy não precisou esperar reconhecimento, não precisou de grandes estruturas, não precisou de aplausos para fazer aquilo que acreditava ser certo. Ele simplesmente fazia. Sua vida foi uma declaração de amor à natureza e aos animais, om coragem, trabalho e sacrifício. Aramy estava onde era preciso estar. Ele compreendia algo que é essencial para quem verdadeiramente defende os animais, eles não precisam apenas de pessoas que sintam compaixão por eles. Precisam de pessoas dispostas a agir quando ninguém mais está olhando. É isso que faz de sua história algo tão bonito e, ao mesmo tempo, tão doloroso neste momento de despedida”, disse.

A partida de Aramy deixa familiares, amigos e companheiros de luta diante de uma perda irreparável. Mas deixa também uma história que não termina com sua morte.

Sua trajetória mostra que a defesa da natureza pode começar com um gesto aparentemente pequeno, uma placa, um animal resgatado, uma denúncia, uma ação voluntária, e transformar-se em uma vida inteira dedicada à proteção.

NOTA DA REDAÇÃO: que a memória de Aramy não seja lembrada apenas pela tristeza de sua partida, mas pela grandeza daquilo que ele fez enquanto esteve entre nós. Que sua história seja conhecida pelas novas gerações e que seu exemplo inspire outras pessoas a proteger os animais, as florestas, os rios, a fauna e toda forma de vida.

Fonte: anda.jor.br

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