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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Perus destinados à alimentação


 Os perus são animais inteligentes, gostam de ter suas penas acariciadas e de ouvir música, acompanhando muitas vezes com cantos altos. Na natureza, podem voar a 88 km/h, correr a 56 km/h e viver até 10 anos.

Mas a realidade é bem diferente para os perus criados em granjas industriais: eles são abatidos com apenas 3 a 5 meses de idade e, durante suas curtas vidas, são privados até mesmo dos prazeres mais simples, como correr, construir ninhos e criar seus filhotes.

Assim como as galinhas, os cerca de 245 milhões de perus criados e abatidos para consumo de carne todos os anos nos EUA não possuem proteção legal federal. Mais de 46 milhões deles são mortos anualmente apenas no Dia de Ação de Graças, e mais de 22 milhões no Natal.

Antes de se tornarem enfeites de Natal, essas aves dóceis e inteligentes passam suas curtas vidas em granjas industriais, onde milhares delas são amontoadas em galpões escuros com não mais do que 32 centímetros quadrados de espaço por ave. Elas são geneticamente modificadas para crescer rapidamente e frequentemente ficam aleijadas devido ao próprio peso.

Para evitar que, amontoadas, se arranhem e biquem até a morte, funcionários cortam partes dos dedos e da parte superior do bico com lâminas aquecidas e removem a carúncula (aba de pele que vai do bico até o peito) dos machos — tudo sem anestesia ou analgésico.

Investigações documentaram que funcionários socavam e pisoteavam perus vivos e os jogavam contra paredes. Em uma das instalações, um gerente espancava aves jovens com o que chamava de seu “bastão de matar”.

Os perus não têm a oportunidade de respirar ar fresco ou sentir o sol nas costas até serem colocados à força em caminhões rumo ao abate. São transportados durante horas sem comida ou água, enfrentando condições climáticas extremas — e muitos morrem nessa jornada.

No matadouro, os sobreviventes são pendurados de cabeça para baixo pelas pernas fracas antes de suas cabeças serem arrastadas por um tanque de atordoamento eletrificado, que os imobiliza, mas não os mata. Muitos escapam do tanque e permanecem conscientes quando suas gargantas são cortadas. Se a lâmina falha, acabam escaldados vivos no tanque de água fervente usado para remover as penas.

Como ajudar os perus destinados ao consumo humano

Você pode fazer a diferença para esses animais. Peça o kit vegano gratuito da PETA e receba dicas e receitas para eliminar a carne de peru e outros produtos de origem animal da sua dieta.

Tradução de Shirlei Cioruci (com IA)

Fonte: PETA.org


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Miimuu: condensado vegano para brigadeiros, coberturas, recheios e muito mais!


 Super Vegan lança o Miimuu, um leite condensado vegetal em pó que basta misturar com água para preparar o equivalente a aproximadamente 395 gramas de leite condensado. O produto também tem uma versão com cacau, ideal para brigadeiros e outras sobremesas.

Fabio Chaves testou o lançamento e, após uma primeira tentativa que virou bala de caramelo por erro dele, conseguiu preparar brigadeiros de enrolar. O Miimuu é feito com ingredientes vegetais e oferece uma alternativa prática para preparar doces veganos em casa.

Fonte: vista-se.com.br

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    OLIVIA TENÓRIO VEREADORA POR MACEIÓ 

Remédio chinês coloca jumentos em risco no Brasil

 


Crédito: Patrícia Tatemoto/Divulgação

A redução drástica dos rebanhos de jumentos no Brasil, com a intensificação do abate a partir da década de 1990, tem provocado a mobilização de cientistas, veterinários, advogados e especialistas.

Pesquisadores estimam que, entre 1996 e 2024, essa população caiu 94% no país, número obtido a partir de dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio brasileiro do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A bióloga Patrícia Tatemoto, com doutorado e pós-doutorado em veterinária, se dedica ao assunto há oito anos, sendo consultora do The Donkey Sanctuary, organização beneficente britânica dedicada ao bem-estar desses animais. Ela afirma que o censo para animais é um desafio global. Mas, conforme os dados disponíveis, o efetivo de jumentos no Brasil na década de 1990 era de 1,37 milhão, número que caiu para 900 mil em 2011, 371 mil em 2017, até chegar à última estimativa de 70 mil indivíduos.

Para além do sentido pejorativo atribuído à espécie e suas variações – como mulas e burros, que são o cruzamento entre um jumento e uma égua que forma indivíduos estéreis – jumento (também chamado de jegue ou asno) chegou ao país por meio dos colonizadores, sendo utilizados para o transporte de cargas, movimentar máquinas e mesmo para montaria. No entanto, com a mecanização de transportes e máquinas, esses animais foram substituídos e até abandonados.

Após 500 anos no Brasil, o jumento originado da África desenvolveu um genoma único. “O jumento nordestino já é considerado um recurso genético que não tem em nenhum outro lugar do mundo. Uma informação genética especialmente relevante em uma época de crise climática, porque eles sobreviveram, se adaptaram e se reproduziram em áreas desertificadas, com muitos desafios climáticos. E agora eles vão desaparecer assim? É um patrimônio nosso que precisa ser cuidado”, defende a PhD.

De acordo com Patrícia, o motivo pelo qual a espécie vem sendo reduzida é a produção do ejiao pela China, uma espécie de remédio derivado do colágeno presente na pele do animal. “Para a medicina tradicional chinesa, só vale quando é a pele e o colágeno do jumento”, disse a bióloga, acrescentando que naquele país a população do asinino caiu de 11 milhões, em 1990, para menos de 2 milhões, em 2021.

Jornada de sofrimento

Esta demanda não se mostra sustentável, já que não existe uma cadeia formada para a produção. Patrícia afirma que a criação do jumento é economicamente inviável, visto que apenas a gestação do animal dura um ano, que se soma a mais quatro anos até o ponto de abate. A taxa de reprodução também é baixa. O resultado disso é o simples extrativismo. Segundo ela, o efetivo populacional de jumentos no Brasil está no nordeste, onde atravessadores coletam e acumulam esses animais em fazendas de espera. Quando o número acumulado compensa fazer o transporte, eles transportam para a Bahia, que concentra metade dos seis abatedouros de equídeos certificados pelo Mapa.

No entanto, ao longo dessa jornada, os jumentos sofrem maus-tratos, sendo frequentemente encontrados em apreensões com problemas de hidratação, nutrição e sem os cuidados de médicos veterinários. “Já cheguei a escutar de um atravessador que a pele do animal desidratado é mais fácil de ser retirada”, disse a PhD. Além da pele, a carne do jumento também é exportada como subproduto para países como o Vietnã.

O transporte desses animais é irregular e muitas vezes clandestino, sem a documentação necessária. Para que entrem no abatedouro é preciso ter uma Guia de Trânsito Animal (GTA), emitida pelos órgãos de defesa agropecuária do estado, documento que traz várias informações, entre elas os protocolos sanitários a que foram submetidos. Essa guia é um instrumento de rastreabilidade.

Mas, na prática, afirmou Patrícia, apenas a última fazenda em que os asininos passam emite a GTA. “Este não é um documento verossímil quanto à origem desses animais. Sabemos que ele vem de vários lugares do Nordeste. Já participei de apreensões contendo 3 mil jumentos, nenhum animal tinha a GTA. E isso implica que não havia rastreabilidade para nenhum, o que é necessário para cumprir as diretrizes de exportação”, esclareceu.

A falta de rastreabilidade também gera risco à saúde pública, de acordo com a especialista. “Nós já demonstramos doenças infectocontagiosas que foram negligenciadas. Já identificamos casos de uma doença chamada mormo, que é causada por uma bactéria e pode ser transmitida aos seres humanos. Parece uma pneumonia e por isso é subnotificada, o que é preocupante porque se você não trata como mormo, a pessoa tem até 96% de chance de morrer”, relatou.

Papéis positivos

São vários os “formatos” de preservação pensados para o jumento no Brasil a partir do fim do abate. Esses animais são encontrados em ecossistemas nativos não só no Brasil, mas em outras partes do mundo. “É preciso estudar o papel do jumento nos ecossistemas nativos do Brasil, entender melhor onde eles estão, a taxa de reposição, quais são os papéis ecológicos e se de fato causam impacto”, explicou Patrícia, citando casos em que eles desempenham papéis ecológicos positivos, como o consumo de plantas invasoras, aumento da biodiversidade e dispersão de sementes.

Outra ideia é a continuação do papel do jumento na agricultura familiar, por exemplo, na produção do sisal, como animal de tração, já que não se consegue mecanizar o processo, assim como aplicações na produção de cacau sustentável e no babaçu. O terceiro ponto é popularizar a possibilidade de ser um animal de companhia, devido à sua natureza dócil e capacidade de integração.

Lobby trava preservação

A África, onde o jumento se originou e ainda há cerca de dois terços do contingente mundial da espécie, também tem visto a população do animal reduzir significativamente. Por isso, em 2024, a União Africana criou uma moratória para proibir o abate da espécie em 55 países do continente.

Patrícia contou que no Brasil existem diversas ações nos três Poderes para proibir o abate de jumentos baseadas em evidências científicas, questões econômicas, sanitárias, de saúde pública e de bem-estar animal. Ainda que o lobby não deixe os projetos avançarem, a especialista garante que a própria Constituição Federal veda os maus-tratos aos animais, assim como atividades que levem à sua extinção.

Federal do Paraná testa alternativa

Uma alternativa para a produção do colágeno e do ejiao sem o abate de jumentos pode estar numa pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Paraná. O projeto, que está em fase de prova de conceito, quer produzir o material a partir da reprodução por micro-organismos da porção genômica do jumento que contém a receita do colágeno. “O produto final é biologicamente idêntico ao colágeno retirado do jumento e poderia substituir todo esse abate dos animais. Isso é uma solução ética, sustentável e segura”, garante a bióloga.

Por Pedro Cerqueira

Fonte: Estado de Minas

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Suíça restringe peles de animais obtidas com crueldade, mas mantém espaço para a indústria

 


Foto: Meredith Lee/Humane World for Animals

A Suíça avançou na restrição ao comércio de peles de animais, mas a medida está longe de representar o fim da exploração que sustenta essa indústria. O país aprovou regras para impedir a importação e a comercialização de produtos obtidos por métodos considerados cruéis, uma iniciativa histórica que, no entanto, mantém aberta a possibilidade de vender peles provenientes de sistemas de produção classificados como aceitáveis pelas autoridades.

Em setembro de 2026, o Conselho dos Estados, uma das duas câmaras do Parlamento suíço, aprovou uma proposta legislativa que proíbe a importação e o comércio de peles produzidas com crueldade. A proposta também havia recebido o aval do Conselho Nacional. Ainda restam questões legislativas a resolver antes da conclusão do processo.

A regulamentação já existente estabelece restrições à entrada e à venda de produtos de origem considerada cruel, mas os prazos de transição foram ampliados em junho deste ano. A proibição da importação desses artigos deverá produzir efeitos a partir de julho de 2029, enquanto a restrição à venda está prevista para julho de 2030. O modelo também prevê um programa de certificação para identificar produções que atendam aos critérios definidos pelas autoridades suíças.

A Humane World for Animals celebrou a iniciativa como um marco internacional contra a crueldade animal. Para a organização, a decisão pode estimular outros países a adotar medidas semelhantes e enfraquecer o comércio internacional de peles.

O avanço legislativo, contudo, não elimina o problema central. A proposta não estabelece o fim de todos os produtos feitos com pele animal, mas diferencia métodos de produção conforme critérios de bem-estar. Essa distinção permite que a exploração continue quando determinada forma de criação ou obtenção da pele é considerada aceitável.

Nenhuma pele justifica a exploração

Visons, raposas e outros animais são mantidos em instalações destinadas à produção de peles, frequentemente em espaços restritos que impedem a expressão de comportamentos naturais. Na captura de animais silvestres, armadilhas também podem provocar ferimentos, estresse e sofrimento prolongado.

A finalidade desses sistemas é transformar os corpos dos animais em mercadorias. Mesmo quando as instalações recebem melhorias ou passam por certificações, os indivíduos continuam submetidos a uma atividade que os trata como recursos para a indústria da moda.

Sob uma perspectiva abolicionista, não existe método de criação, captura ou morte que torne moralmente aceitável explorar um animal para retirar sua pele. A ausência de determinados procedimentos considerados cruéis não transforma a exploração em respeito aos direitos animais. Tampouco o cumprimento de parâmetros técnicos elimina a privação de liberdade e a morte impostas a esses indivíduos para a fabricação de produtos dispensáveis.

Por isso, uma política efetiva de proteção não deve se limitar a estabelecer quais métodos podem ser utilizados. O objetivo precisa ser interromper a exploração em sua origem, com a proibição integral da produção e do comércio de peles de animais, independentemente da espécie ou do sistema empregado.

O fim da indústria exige proibição integral

A decisão suíça representa um avanço político ao restringir o mercado de produtos associados à crueldade, mas a possibilidade de certificar determinadas formas de produção impede que a medida seja confundida com o fim do comércio de peles.

A certificação pode estabelecer exigências e permitir maior fiscalização, mas não responde à questão ética fundamental. Animais não existem para fornecer matéria-prima à indústria da moda, e a possibilidade de produzir uma mercadoria sob condições consideradas menos prejudiciais não torna legítima a apropriação de seus corpos.

No Reino Unido, a campanha Fur Free Britain reúne apoio parlamentar para ampliar as restrições ao comércio de peles. Na União Europeia, organizações de proteção animal também pressionam por medidas mais abrangentes contra a criação de animais para essa finalidade.

O caminho para uma mudança efetiva exige que governos deixem de distinguir entre formas supostamente aceitáveis e inaceitáveis de exploração. Enquanto a pele animal continuar sendo tratada como um produto comercial legítimo, indivíduos continuarão sendo criados, confinados, capturados e mortos para abastecer esse mercado.

A proteção dos animais não pode depender de certificações que legitimem a continuidade da atividade. O avanço necessário é o fim da indústria de peles.

Fonte: anda.jor.br


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