Foto: EuropolUma investigação policial em quatro países europeus apura um possível esquema de tráfico de cavalos que envolvia a falsificação de documentos e a manipulação de microchips para ocultar a identidade dos animais. A fraude pode ter permitido que cavalos impróprios para consumo humano fossem introduzidos na cadeia alimentar sem que sua origem e seu histórico veterinário fossem devidamente verificados.
A operação, apoiada pela Agência da União Europeia para a Cooperação Policial (Europol), ocorreu entre 8 e 9 de setembro de 2026, com ações na Bélgica, na França, na Irlanda e na Holanda. Cerca de 200 agentes participaram de 24 buscas, durante as quais mais de mil cavalos foram examinados. Veterinários, autoridades de segurança alimentar e equipes de investigação também atuaram na operação.
Segundo a Europol, os suspeitos teriam criado identidades falsas para os cavalos por meio de passaportes falsificados e alterações nos microchips. Com isso, conseguiam ocultar informações sobre a procedência dos animais, seu histórico de saúde e os tratamentos veterinários recebidos, além de contornar os controles destinados a impedir que cavalos sem condições sanitárias adequadas fossem destinados ao consumo humano.
Parte dos animais teria sido comercializada ilegalmente, enquanto outros foram enviados para morrer. A suspeita de que alguns tenham chegado à cadeia alimentar sem rastreabilidade levanta questões tanto sobre a segurança dos alimentos quanto sobre a proteção dos próprios cavalos, submetidos a um sistema que transforma suas vidas em mercadorias e pode apagar os registros necessários para acompanhar seu percurso.
A investigação envolve a Polícia Judiciária Federal da Flandres Oriental, na Bélgica; o Escritório Central de Combate a Crimes Ambientais e de Saúde Pública, na França; o Departamento Nacional de Investigação da Garda, na Irlanda; e a Autoridade Holandesa de Segurança Alimentar e de Produtos de Consumo.
Medicamentos e histórico dos cavalos sob suspeita
A preocupação com a origem dos animais vai além da falsificação documental. A organização Foodwatch considera possível que cavalos utilizados em atividades de lazer e em corridas tenham sido incluídos no esquema. Alguns desses animais podem ter recebido medicamentos que impedem sua destinação ao consumo humano, seja de forma permanente, seja durante períodos específicos de carência após o tratamento.
Sem registros confiáveis, torna-se mais difícil identificar essas substâncias e verificar se os intervalos exigidos antes de qualquer eventual destinação alimentar foram respeitados. A investigação ainda precisa esclarecer quais animais foram envolvidos, quais produtos podem ter recebido sua carne e se houve exposição de consumidores.
Joe Collins, presidente da Federação Europeia de Associações Veterinárias Equinas, afirmou que o caso demonstra a importância de sistemas confiáveis de identificação e rastreabilidade, tanto para o bem-estar animal quanto para a segurança alimentar.
Para a Foodwatch, a falta de informações sobre o destino da carne também exige respostas das autoridades. Ingrid Kragl, porta-voz da organização, questionou em quais produtos a carne pode ter sido utilizada e por quanto tempo teria circulado no mercado. Ela alertou que a ausência de esclarecimentos amplia as dúvidas e compromete a confiança pública.
A organização também afirmou que ainda não se sabe de que forma a carne foi consumida nem se foi incorporada a alimentos processados.
A apuração, liderada pela Bélgica, continua em andamento. As autoridades dos países envolvidos analisam as provas reunidas nas buscas e trabalham para identificar outras pessoas que possam ter participado da rede.
Fonte: anda.jor.br
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