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domingo, 11 de outubro de 2026

Publicação de cenas de maus-tratos pode gerar responsabilização própria, em proposta na Câmara dos Deputados

 


A divulgação de cenas de crueldade contra animais na internet é o foco de um projeto em análise na Câmara dos Deputados. O texto trata a publicação desses registros como uma conduta que pode ser examinada separadamente do ato de maus-tratos mostrado nas imagens.

A proposta também alcança as plataformas digitais. O objetivo é estabelecer medidas para o tratamento de conteúdos que exibam violência contra animais, com previsão de responsabilização em situações definidas pelo projeto.

O tema envolve duas etapas diferentes: a prática de maus-tratos e a circulação do registro produzido a partir dela. Ao abordar os dois momentos, a proposta amplia a discussão sobre a proteção animal para o ambiente das redes sociais e demais serviços de internet.

Projeto trata da etapa posterior ao registro

Atualmente, vídeos e imagens publicados na internet podem permanecer disponíveis após a ocorrência retratada. O projeto em análise concentra-se justamente nessa etapa posterior: a divulgação do conteúdo em plataformas digitais.

O texto prevê consequências para quem divulgar cenas de crueldade contra animais. Com isso, a publicação deixa de ser tratada apenas como um meio de tornar o caso conhecido e passa a ser considerada uma conduta própria dentro do alcance da proposta.

A medida não elimina a apuração do episódio de maus-tratos exibido no vídeo. São situações distintas: uma está relacionada à violência praticada contra o animal; a outra, à produção, ao compartilhamento ou à circulação do material na internet, conforme a conduta analisada no projeto.

Essa separação é um dos pontos centrais da proposta. O texto busca definir responsabilidades de acordo com a participação de cada envolvido, sem reunir em uma única situação o autor da agressão, quem divulga o registro e a plataforma que hospeda ou distribui o conteúdo.

Responsabilidade das plataformas

Além de tratar da conduta dos usuários, o projeto estabelece regras para a atuação das redes sociais diante de imagens de maus-tratos. A proposta prevê que as plataformas tenham obrigações relacionadas à remoção de conteúdos enquadrados no texto.

A discussão alcança o momento em que o material é identificado e permanece disponível para acesso ou compartilhamento. Nesse contexto, o projeto relaciona a circulação das imagens à necessidade de resposta dos serviços digitais, de acordo com os critérios previstos na proposta.

A responsabilização das plataformas é apresentada de forma distinta daquela atribuída a quem pratica ou divulga a crueldade. O texto, portanto, trabalha com frentes diferentes: a conduta do autor dos maus-tratos, a divulgação das imagens e o dever das empresas responsáveis pelos ambientes digitais.

O projeto não transforma a análise em uma responsabilidade única para todos os envolvidos. A consequência aplicável depende do papel desempenhado em cada caso e das regras estabelecidas no texto em tramitação na Câmara.

Circulação de imagens entra no debate sobre proteção animal

A proposta desloca parte do debate sobre proteção animal para o funcionamento da internet. A preocupação não se limita ao ato de agressão, mas também ao destino dado aos registros depois que são produzidos e publicados.

Vídeos e imagens podem ser usados para denunciar ocorrências às autoridades ou para informar a sociedade sobre casos de violência. Ao mesmo tempo, a publicação pode ampliar a exposição do conteúdo e facilitar sua redistribuição. É nesse ambiente que o projeto pretende estabelecer parâmetros específicos.

O texto em análise trata a divulgação como um problema jurídico próprio, associado à circulação de cenas de crueldade. A intenção é que a resposta não fique restrita ao local onde o fato ocorreu, alcançando também o espaço digital em que o registro passa a ser compartilhado.

A proposta ainda está em análise no Legislativo e não representa uma regra em vigor. Para produzir efeitos, o texto precisa seguir a tramitação prevista para projetos de lei e ser aprovado nas etapas correspondentes.

Diferença entre denunciar e divulgar

O alcance da proposta está relacionado ao conteúdo divulgado e à forma como ele circula na internet. A análise de cada caso dependerá das circunstâncias do registro e da conduta atribuída a quem publicou ou compartilhou o material.

A existência de um vídeo não substitui a investigação sobre os maus-tratos exibidos. O registro pode ser considerado na apuração do episódio, enquanto a publicação será examinada dentro das regras específicas previstas no projeto.

Da mesma forma, o simples fato de uma imagem estar disponível em uma plataforma não reúne automaticamente todas as responsabilidades. A proposta diferencia a atuação do usuário e o dever atribuído ao serviço digital, conforme o papel de cada um na divulgação e na manutenção do conteúdo.

Essa distinção é relevante porque o texto trata de momentos diferentes do mesmo caso. A violência contra o animal ocorre antes da publicação; a circulação do registro acontece depois; e a eventual resposta da plataforma está ligada à presença do material em seu ambiente digital.

Tramitação na Câmara

O projeto está em discussão na Câmara dos Deputados e ainda pode ser analisado, alterado ou receber novos encaminhamentos durante a tramitação legislativa. O conteúdo apresentado na proposta não equivale, portanto, a uma obrigação já aplicável a usuários ou empresas.

Enquanto o texto estiver em análise, os detalhes sobre condutas, responsabilidades e medidas relacionadas às plataformas permanecem vinculados ao processo legislativo. Eventuais mudanças poderão ocorrer antes da conclusão da tramitação.

A proposta coloca no mesmo debate a proteção dos animais e a responsabilidade pelo conteúdo publicado na internet. O ponto central é definir como devem ser tratados os registros de crueldade depois que deixam o local do fato e passam a circular em redes sociais e outros serviços digitais.

Com a iniciativa, a Câmara examina uma resposta específica para a divulgação de imagens de maus-tratos. O projeto separa a apuração da agressão contra o animal da análise sobre quem registra, publica, compartilha ou mantém o conteúdo disponível nas plataformas.

As informações sobre o projeto foram divulgadas pela Agência Câmara de Notícias.

Fonte: Informe Manaus


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Cerca de 45 cães são encontrados em abrigo irregular em Bezerros, PE

 


 (Fotos: MPPE/ Divulgação)

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou a interdição imediata e definitiva de dois abrigos irregulares de animais em Bezerros, no Agreste de Pernambuco. Os locais ficam na Rua do Rosário, no bairro de mesmo nome, e no Sítio Moreira, na zona periurbana do município. Pelo menos 45 cães e gatos foram encontrados nos locais.

A recomendação foi expedida pela 2ª Promotoria de Justiça de Bezerros após um inquérito civil que apura irregularidades nas condições de funcionamento, bem-estar dos animais e aspectos sanitários e ambientais dos espaços. Segundo o MPPE, os abrigos eram anteriormente mantidos pela ONG “Amparo Animal” e por um responsável, mas a entidade foi desativada e os animais permaneceram sob responsabilidade pessoal do investigado.

De acordo com o Ministério Público, os locais não tinham alvará de funcionamento, licença sanitária nem registro profissional no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) que o autorizasse como abrigo.

Uma vistoria realizada por uma médica veterinária e uma bióloga do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (CAO Meio Ambiente) identificou cerca de 45 cães no Sítio Moreira. Na unidade da Rua do Rosário, foram encontrados animais debilitados e mantidos em condições consideradas inadequadas, expostos ao sol e a riscos de doenças infectocontagiosas.

O relatório também apontou a ausência de responsável técnico habilitado em Medicina Veterinária, além de problemas relacionados a condições sanitárias, poluição sonora e olfativa e proliferação de vetores.




Diante das condições encontradas, o MPPE recomendou que a Prefeitura de Bezerros assuma o controle sanitário e populacional dos cães e gatos. Entre as medidas estão triagem clínica, microchipagem, vacinação, castração e atendimento veterinário dos animais doentes ou debilitados.

A prefeitura também deverá impedir que o responsável recolha novos animais ou realize procedimentos clínicos, invasivos ou cirúrgicos nos cães e gatos que permanecem nos locais.

O município deverá ainda providenciar a destinação dos animais para acolhimento permanente ou temporário, com garantia de alimentação, segurança e cuidados necessários. Para isso, poderá firmar parcerias emergenciais com clínicas veterinárias e organizações não governamentais regularizadas.

Enquanto os animais não forem removidos, a recomendação determina que sejam mantidos sob supervisão técnica municipal, com alimentação adequada e cuidados básicos.

Também caberá ao município adotar medidas para solucionar os problemas de poluição sonora e olfativa e os riscos epidemiológicos identificados na vistoria.

A prefeitura terá 30 dias, a partir do recebimento da recomendação, para informar à Promotoria de Justiça as providências adotadas. Entre os documentos exigidos estão os autos de interdição, laudos veterinários das triagens e comprovantes da destinação dos animais.

A recomendação foi publicada no Diário Oficial Eletrônico do MPPE em 2 de outubro de 2026.

O Diario de Pernambuco entrou em contato com a Prefeitura de Bezerros e aguarda retorno.

Fonte: Diario de Pernambuco

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Fim dos criadouros de produção de peles na Europa custaria menos que manter a indústria sob novas regras


 Foto: Jo-Anne McArthur

Encerrar a criação de animais para produção de peles na União Europeia (UE) em cinco anos custaria menos do que financiar novas regras para manter a atividade, sem resolver os problemas de bem-estar impostos aos animais. A conclusão é de um relatório que estima em 144 milhões de euros o custo de uma transição para o fim das fazendas remanescentes, contra valores entre 201 milhões e 920 milhões de euros para a implementação de novos padrões durante o mesmo período.

O levantamento foi apresentado enquanto a Comissão Europeia avalia como responder à iniciativa cidadã Uma Europa Livre de Peles, que reuniu mais de 1,5 milhão de assinaturas em defesa da proibição da criação de animais para produção de peles e da comercialização, no mercado europeu, de produtos provenientes dessa atividade.

A diferença entre os valores não se limita ao investimento inicial. Segundo o relatório, a eliminação gradual representaria um custo de transição concentrado em um período definido. Já a adoção de novas normas exigiria recursos públicos para financiar as adaptações das fazendas e manter em funcionamento uma indústria cujos impactos ultrapassam os limites das propriedades.

Estimativas anteriores citadas no documento calculam em aproximadamente 446 milhões de euros por ano os custos sociais associados à criação de animais para produção de peles. A conta inclui danos decorrentes da poluição, consumo de recursos naturais, transtornos para comunidades próximas e impactos relacionados à presença de espécies exóticas invasoras.

Confinamento incompatível com as necessidades dos animais

A revisão das regras de criação não elimina o problema central da atividade, segundo organizações de proteção animal. Espécies silvestres submetidas ao confinamento em instalações destinadas à produção de peles continuam privadas das condições necessárias para expressar comportamentos naturais, mesmo quando as estruturas recebem melhorias.

O vison, animal semiaquático que pode percorrer áreas de até 7,5 quilômetros na natureza, pode ser mantido em espaços inferiores a um metro quadrado nas fazendas. A disparidade entre sua área de vida natural e o espaço disponível para o animal ilustra as limitações de sistemas que transformam sua existência em um processo de produção.

O parecer científico da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) também apontou problemas de bem-estar associados aos sistemas atuais de criação. Para as organizações que defendem o fim da atividade, mudanças nas exigências técnicas não são suficientes para superar as restrições inerentes ao confinamento de animais silvestres para atender à demanda comercial.

Investigações recentes continuam documentando situações graves. Neste mês, uma apuração em fazendas finlandesas identificou raposas submetidas à criação para atingir dimensões corporais excessivas. Segundo os relatos divulgados, alguns animais apresentavam dificuldade para se locomover e dobras de pele que cobriam os olhos.

Os registros contrastam com décadas de compromissos assumidos pela indústria de peles para melhorar as condições de criação. A persistência desses problemas alimenta os questionamentos sobre a capacidade de normas de bem-estar de garantir condições dignas aos animais enquanto a atividade permanecer em funcionamento.

Risco de financiar uma indústria em declínio

O relatório também questiona a eficiência de destinar dinheiro público a uma nova rodada de exigências para as fazendas. Na avaliação apresentada, a Comissão Europeia correria o risco de ampliar os custos, a complexidade regulatória e as necessidades de fiscalização sem solucionar os problemas que justificariam a intervenção.

A experiência com a criação de animais em gaiolas é apontada como um precedente. A substituição de gaiolas convencionais por modelos enriquecidos exigiu adaptações e investimentos dos produtores, mas não encerrou o confinamento. Agora, a política europeia avança em direção à eliminação das gaiolas, reacendendo o debate sobre os custos de medidas intermediárias que não afastam a exploração animal.

Com a EFSA apontando a necessidade de uma revisão fundamental dos sistemas de criação de animais para produção de peles, o relatório defende que os responsáveis pela formulação de políticas considerem se a adoção de novos padrões apenas prolongaria um modelo que não consegue atender às necessidades das espécies mantidas nas fazendas.

Segundo o documento, 24 Estados-membros já proibiram a criação de animais para produção de peles, adotaram proibições parciais ou estão em processo de proibição. O movimento acompanha o apoio de cidadãos europeus a medidas mais restritivas contra a atividade.

Para Nick Clark, líder sênior do programa de animais silvestres do Eurogroup for Animals, a União Europeia precisa decidir entre financiar uma transição para o encerramento da criação de animais para produção de peles ou continuar destinando recursos à manutenção de uma indústria que, segundo a organização, não pode assegurar condições adequadas aos animais.

A discussão coloca em questão o destino do dinheiro público e o próprio propósito das políticas de bem-estar animal. Em vez de financiar adaptações que mantenham raposas, visons e outros animais silvestres confinados para a fabricação de produtos comerciais, a proposta é direcionar os recursos para uma transição definitiva, com apoio aos envolvidos no encerramento da atividade.

A Comissão Europeia terá de responder à mobilização de mais de 1,5 milhão de cidadãos e considerar as evidências econômicas e científicas reunidas sobre a criação de animais para produção de peles. A decisão definirá se a União Europeia continuará investindo na regulamentação de um sistema de exploração ou estabelecerá um caminho para seu fim.

Fonte: anda.jor.br


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