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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Sob controle do governo, 356 cavalos selvagens são retirados da natureza nos EUA; apenas 109 foram devolvidos à região


 Foto: X/@CollinRugg

Cavalos selvagens foram retirados de seu habitat na Bacia de Bighorn, no Wyoming, Estados Unidos, durante uma operação conduzida pelo Bureau of Land Management (BLM) sob a justificativa de controlar uma população considerada acima da capacidade de suporte da área. Encerrada em 18 de setembro, a ação recolheu 356 animais. Desse total, 109 foram devolvidos à região, 235 foram retirados da área de manejo e 12 morreram durante a operação.

A ação ocorreu na Fifteenmile Herd Management Area, uma área de aproximadamente 81 mil acres formada majoritariamente por terras públicas. Segundo o BLM, levantamentos aéreos com câmeras infravermelhas estimaram a presença de 386 cavalos, enquanto o chamado Nível de Gestão Adequado estabelecido pelo próprio órgão para a região varia de 100 a 230 animais.

A definição desse limite é parte central do modelo de manejo adotado pelo governo norte-americano. Quando a população ultrapassa a faixa estabelecida pelas autoridades, os cavalos passam a ser alvo de operações de recolhimento, mesmo vivendo livremente em uma área onde sua presença é protegida por lei.

Para justificar a retirada, o BLM aponta a reprodução dos cavalos, a ausência de predadores naturais e a pressão sobre a vegetação. A seca severa que atinge a região também reduziu a disponibilidade de água e alimento e agravou as condições das pastagens.

O órgão sustenta que diminuir o número de animais permitiria aliviar a pressão sobre os recursos naturais e favorecer a recuperação da vegetação. Essa é, porém, a justificativa apresentada pela própria agência responsável pelo manejo. Na prática, a política transforma a quantidade de cavalos considerada aceitável pelo governo em critério para decidir quais animais poderão continuar vivendo livres.

A operação retirou centenas de cavalos de uma vida em liberdade e os colocou sob controle humano. Os animais recolhidos foram encaminhados para instalações de retenção, onde passaram por avaliação veterinária e poderiam ser destinados a programas de adoção e venda administrados pelo governo.

Dos 356 cavalos capturados, 131 eram machos, 157 eram fêmeas e 68 eram filhotes. Ao final da operação, 235 animais foram enviados para fora da área de manejo. Apenas 109 retornaram à natureza, entre eles 61 machos, 45 fêmeas e três filhotes.


Doze cavalos morreram durante a ação. O BLM classificou os óbitos como consequência de condições preexistentes ou crônicas. O registro, no entanto, integra o balanço de uma operação que retirou centenas de animais de seu ambiente e os submeteu a transporte, contenção e confinamento.

A situação também expõe uma contradição do sistema de proteção adotado nos Estados Unidos. O Wild Free-Roaming Horses and Burros Act, aprovado em 1971, reconhece a importância dos cavalos selvagens e estabelece proteção para esses animais em terras públicas. A mesma estrutura de gestão, porém, permite que o governo determine quantos deles podem permanecer em cada área e recolha aqueles que ultrapassam o número estabelecido.

A seca torna a situação ainda mais delicada. A redução de água e alimento pode comprometer a sobrevivência dos cavalos e de outras espécies que dependem da mesma paisagem. Mas a crise ambiental não surgiu por decisão dos animais, e a retirada em massa não elimina as causas que tornam o habitat vulnerável. Ela apenas desloca parte dos cavalos para fora da área onde viviam.

Também é preciso considerar que as terras públicas do oeste norte-americano são utilizadas por diferentes interesses e atividades humanas. Nesse cenário, os cavalos selvagens acabam submetidos a um sistema que administra sua liberdade de acordo com limites definidos pelo governo, enquanto outros usos da paisagem também disputam água, alimento e espaço.

A devolução de 109 animais não desfaz a dimensão da operação. Centenas de cavalos continuam fora da Bacia de Bighorn e sob intervenção humana, enquanto 12 não sobreviveram ao processo. Para os animais que permaneceram livres, a ameaça também não terminou. Novas operações podem ocorrer caso a população volte a ultrapassar o limite estabelecido pelo BLM.

Mais do que decidir quantos cavalos cabem em uma paisagem, o debate envolve a forma como seres que vivem livres são tratados pelo poder público. A proteção prevista em lei perde parte de seu significado quando a permanência desses animais na natureza depende de uma contagem definida pelas mesmas autoridades responsáveis por removê-los.

Fonte: anda.jor.br

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