Foto: Arquivo pessoal
A defesa dos animais e da natureza perdeu, nesta segunda-feira (21), um de seus mais dedicados defensores na Paraíba. Aramy Fablicio morreu na madrugada, vítima de um acidente de moto no distrito de Galante, em Campina Grande (PB), segundo comunicado divulgado por pessoas próximas.
A triste notícia encerra uma trajetória construída ao longo de décadas em defesa da vida. Ambientalista, mateiro, brigadista e resgatista de animais silvestres e abandonados, Aramy transformou sua relação com a natureza em uma missão permanente de proteção.
Natural de Fagundes, na Paraíba, ele começou ainda criança a desenvolver uma profunda ligação com os animais. O contato com a caça e a captura de espécies silvestres, práticas presentes em parte das comunidades rurais onde cresceu, despertou nele uma reação que o acompanharia por toda a vida.
Ainda menino, produziu uma placa para alertar contra a caça e a captura de animais. A iniciativa ganhou dimensão ao longo dos anos e deu origem ao projeto Biqueira Velha, com a instalação de placas educativas em propriedades rurais e ações voltadas à conscientização sobre a proteção da fauna.
O que começou como uma inquietação de criança tornou-se uma trajetória de décadas.
Aramy atuou no resgate de animais silvestres e abandonados, denunciou situações de maus-tratos, combateu a caça e participou de ações de proteção ambiental. Também se tornou brigadista e passou a combater incêndios, movido pela preocupação com os animais que ficavam ameaçados pelas queimadas e pela destruição de seus habitats.
Seu trabalho incluía ainda a criação de iniciativas de educação ambiental e proteção da fauna, entre elas o Natureza Livre, ligado à soltura de animais.
A relação de Aramy com os animais não era apenas profissional ou militante. Era profundamente pessoal. Registros de sua trajetória mostram que essa preocupação surgiu ainda na infância e se tornou cada vez mais forte com o passar dos anos.
Em relatos recuperados em pesquisas acadêmicas, ele contou experiências que ajudam a compreender a origem de sua dedicação. A percepção do sofrimento causado aos animais fez com que passasse a questionar práticas que havia presenciado desde criança. Mais tarde, já adolescente, passou a libertar pássaros mantidos em gaiolas.
A sensibilidade diante do sofrimento transformou-se em ação.
Aramy também trabalhou pela preservação da vegetação nativa e pela valorização dos espaços naturais de Fagundes. Em 2025, ainda desenvolvia ações de educação ambiental na região da Pedra de Santo Antônio, produzindo materiais educativos e iniciativas de valorização da natureza.
A atuação ultrapassou os limites de sua cidade e alcançou o movimento de defesa dos animais.
Ao longo dos anos, tornou-se conhecido por uma característica que atravessava todas essas atividades que era a disposição de agir.
Não era apenas alguém que falava sobre a importância de proteger a natureza. Aramy entrava em áreas atingidas pelo fogo, socorria animais, enfrentava a realidade da caça, denunciava situações de abandono e maus-tratos e procurava sensibilizar outras pessoas para a necessidade de respeitar a vida.
Em uma de suas declarações, resumiu a responsabilidade que assumira diante da destruição ambiental: “A natureza não se defende. Tem que ter alguém para falar em prol dela.”
Ele foi uma dessas pessoas.
“Aramy fez da defesa da vida uma escolha de existência”, diz Silvana Andrade.
Para Silvana Andrade, jornalista, fundadora e presidente da ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais), a morte de Aramy representa uma perda profunda para todos aqueles que dedicam suas vidas à proteção dos animais e da natureza.
“Recebi a notícia da morte de Aramy com uma tristeza profunda, que é difícil colocar em palavras. Aramy não precisou esperar reconhecimento, não precisou de grandes estruturas, não precisou de aplausos para fazer aquilo que acreditava ser certo. Ele simplesmente fazia. Sua vida foi uma declaração de amor à natureza e aos animais, om coragem, trabalho e sacrifício. Aramy estava onde era preciso estar. Ele compreendia algo que é essencial para quem verdadeiramente defende os animais, eles não precisam apenas de pessoas que sintam compaixão por eles. Precisam de pessoas dispostas a agir quando ninguém mais está olhando. É isso que faz de sua história algo tão bonito e, ao mesmo tempo, tão doloroso neste momento de despedida”, disse.
A partida de Aramy deixa familiares, amigos e companheiros de luta diante de uma perda irreparável. Mas deixa também uma história que não termina com sua morte.
Sua trajetória mostra que a defesa da natureza pode começar com um gesto aparentemente pequeno, uma placa, um animal resgatado, uma denúncia, uma ação voluntária, e transformar-se em uma vida inteira dedicada à proteção.
NOTA DA REDAÇÃO: que a memória de Aramy não seja lembrada apenas pela tristeza de sua partida, mas pela grandeza daquilo que ele fez enquanto esteve entre nós. Que sua história seja conhecida pelas novas gerações e que seu exemplo inspire outras pessoas a proteger os animais, as florestas, os rios, a fauna e toda forma de vida.
Fonte: anda.jor.br
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