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terça-feira, 22 de setembro de 2026

MP-SP apura condições de ursos mantidos em zoológico de Sorocaba após transferência de elefante Sandro


 Urso cercado de urubus no Zoo de Sorocaba. Foto: Reprodução do vídeo/Redes Sociais

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma investigação para apurar as condições de vida dos ursos-de-óculos mantidos no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP). A iniciativa ocorre poucos dias após a transferência do elefante Sandro para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), no Mato Grosso, após uma longa disputa judicial.

A Notícia de Fato foi protocolada em 31 de agosto pelo promotor de Justiça Jorge Marum, após o recebimento de uma representação com relatos sobre possíveis inadequações no recinto dos ursos. Segundo as informações encaminhadas à Promotoria, o espaço seria sujo e abafado e apresentaria condições de enriquecimento ambiental insuficientes para atender às necessidades dos animais.

A representação também relata que um dos ursos estaria mantido em contenção após sofrer ferimentos associados a um problema de pele. A situação teria despertado a atenção de visitantes que questionaram as condições oferecidas ao animal.

Diante dos relatos, Marum solicitou à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), por meio da Coordenadoria de Fauna Silvestre, uma vistoria técnica no recinto. A intenção é produzir um laudo independente que avalie as condições concretas oferecidas aos animais e determine se o espaço precisa ser reformado, ampliado ou substituído.

Para o promotor, a análise não deve se limitar à verificação de exigências formais ou ao tamanho mínimo estabelecido para o recinto. O documento ressalta a necessidade de considerar a possibilidade de os animais manifestarem comportamentos naturais, explorarem o ambiente, terem privacidade e descanso, além de acesso a abrigo, estruturas para escalada, oportunidades de forrageamento e elementos de enriquecimento ambiental.

Entre os parâmetros que deverão ser avaliados estão a área disponível, a presença de espelho d’água, abrigos, cambiamento, estruturas em diferentes níveis, troncos, vegetação e outros recursos de ambientação.

O laudo deverá indicar ainda se eventuais inadequações podem ser corrigidas por meio de reforma ou ampliação ou se existe outro estabelecimento autorizado capaz de oferecer condições significativamente superiores. A avaliação deverá levar em conta o estado clínico, a idade, o histórico e as características comportamentais de cada animal.

Documentos serão analisados

A Prefeitura de Sorocaba e a direção do zoológico deverão apresentar ao MP uma série de documentos. Entre os materiais solicitados estão prontuários veterinários, exames, tratamentos, intervenções clínicas, avaliações comportamentais e registros de comportamentos estereotipados ou outras alterações de comportamento.

Também deverão ser encaminhadas informações sobre alimentação e manejo, ocorrências, acidentes ou incidentes envolvendo os animais ou os recintos, inspeções ambientais realizadas no zoológico e reformas ou modificações feitas nos espaços nos últimos cinco anos.

O prazo para o envio dos documentos é de aproximadamente 30 dias, mas a contagem só começa após a entrega oficial do procedimento aos destinatários. Até o momento, segundo a Promotoria, não houve manifestação da Prefeitura ou da direção do zoológico, que ainda estão dentro do prazo para responder.

Presença de urubus já havia motivado procedimento

A situação dos ursos já havia sido alvo de questionamentos do Ministério Público devido à presença frequente de urubus no recinto. Segundo a portaria, o problema teria sido solucionado pontualmente com a instalação de telas na parte superior do espaço.

Uma visita realizada pelo portal Porque, no entanto, identificou aberturas nas telas. A existência de uma medida para impedir a entrada das aves, segundo a Promotoria, também não encerra a necessidade de avaliar as demais condições oferecidas aos ursos.

O procedimento inclui ainda um levantamento sobre o Santuário Rancho dos Gnomos. O MP quer verificar se a instituição possui autorização e capacidade técnica para receber ursos-de-óculos, além de informações sobre os recintos disponíveis, suas dimensões e características, a equipe responsável, a experiência com a espécie e as condições para eventual transporte.

Também deverá ser informado se existe disponibilidade concreta para receber os animais atualmente mantidos no zoológico de Sorocaba.

A investigação poderá resultar em recomendações para adequação do recinto, mudanças no manejo e ampliação das possibilidades de enriquecimento ambiental. Caso as condições não possam ser corrigidas de forma suficiente no próprio zoológico, o procedimento também poderá subsidiar uma eventual transferência dos ursos para um local capaz de atender melhor às necessidades da espécie.

Fonte: anda.jor.br

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