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domingo, 6 de setembro de 2026

Ansiedade de separação transforma a solidão em sofrimento para cães e gatos

Foto: arquivo pessoal - Gabriela Galindo
 Para cães e gatos com ansiedade de separação, a saída da família pode desencadear uma reação de pânico que ultrapassa a simples dificuldade de permanecer sozinho. O animal pode latir sem parar, destruir portas e móveis, urinar em locais incomuns, recusar alimento e até se ferir na tentativa de escapar. O comportamento não é vingança ou desobediência. É uma manifestação de sofrimento.

Segundo o veterinário Adalberto Von Ancken, a condição pode estar associada ao hiperapego, à ausência de um treinamento gradual para a independência, a mudanças repentinas na rotina doméstica e a experiências traumáticas, como o abandono. Quando o animal permanece sozinho, uma descarga de hormônios relacionados ao estresse, entre eles cortisol e adrenalina, pode deixá-lo fisicamente vulnerável.

A exposição frequente a esse estado de tensão também pode afetar o organismo. Infecções de pele, gastrite crônica, vômitos e diarreias estão entre os problemas que podem aparecer ou se agravar em animais submetidos a níveis elevados de estresse.

Os sinais variam conforme a espécie. Cães podem latir ou uivar continuamente, salivar em excesso, arranhar portas e janelas e tentar fugir. Gatos também sofrem com a ausência das pessoas com quem mantêm vínculos, embora expressem a angústia de outras maneiras. Miados constantes, eliminação de urina em camas e lambedura compulsiva, capaz de provocar falhas na pelagem, estão entre os comportamentos possíveis.

Urinar no tapete ou destruir um sofá também não deve ser interpretado como uma tentativa de punir a família. “A destruição de objetos e a eliminação inadequada são mecanismos de extravasamento do pânico e uma tentativa de se autorregularem”, explica Von Ancken.

A prevenção depende de uma construção gradual da autonomia. O treinamento pode começar nos primeiros dias do animal na casa, com períodos curtos de separação em outros cômodos. A duração deve ser ampliada progressivamente, respeitando os limites de cada indivíduo.

Também é possível reproduzir sinais associados à saída sem deixar a residência. Pegar as chaves, vestir um casaco ou preparar uma bolsa e permanecer em casa ajuda a reduzir a associação automática entre esses estímulos e a solidão.

A rotina de despedidas e reencontros merece atenção. Sair de maneira excessivamente emotiva ou transformar a volta para casa em uma grande celebração pode aumentar a importância emocional desses momentos. A recomendação é agir com naturalidade antes de sair e ao retornar. Repreender o animal pela destruição de objetos ou pela eliminação inadequada também deve ser evitado, já que a punição pode aumentar o medo e a tensão.

Durante os períodos de ausência, sons familiares, como a televisão em volume baixo, podem ajudar a reduzir o impacto dos ruídos externos. Brinquedos recheados com alimentos de alto valor e congelados também podem manter o animal ocupado por mais tempo. Atividades de lamber e roer podem contribuir para um estado de maior tranquilidade.

O tratamento, porém, não deve ser reduzido a estratégias domésticas quando o sofrimento é intenso. Animais que tentam escapar de forma persistente, se automutilam, deixam de beber ou comer ou não apresentam melhora com o treinamento precisam de avaliação veterinária, preferencialmente com um profissional especializado em comportamento.

Em alguns casos, medicamentos podem integrar o tratamento. “Em muitos casos, o uso temporário de ansiolíticos prescritos é fundamental para rebaixar o limiar de estresse e permitir que o animal consiga aprender com o treino comportamental”, afirma Von Ancken, professor da Universidade Cruzeiro do Sul.

Reconhecer a ansiedade de separação como um problema de saúde e bem-estar é essencial para interromper um ciclo de medo que pode comprometer tanto a vida cotidiana quanto a saúde física do animal. Cães e gatos não precisam aprender a suportar o pânico sozinhos. Precisam de cuidado, acompanhamento e de uma rotina construída para respeitar seus limites.

Fonte: anda.jor.br

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