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terça-feira, 18 de agosto de 2026

EXTERMÍNIO : Cães em situação de rua são mortos a tiros e envenenados no Marrocos enquanto FIFA se prepara para Copa do Mundo de 2030


 Foto: Divulgação

Enquanto o Marrocos se prepara para receber parte da Copa do Mundo de 2030, cães comunitários continuam sendo perseguidos e mortos em operações que organizações de proteção animal classificam como um massacre. Relatos apontam animais baleados, envenenados, capturados e submetidos a mortes prolongadas, numa política de violência que vem sendo denunciada à FIFA há anos.

A Coalizão Internacional de Proteção ao Bem-Estar Animal (IAWPC), que reúne 83 organizações de proteção animal, afirma que centenas de milhares de cães comunitários e domésticos são mortos no país todos os anos. A entidade teme que até três milhões de animais possam ser alvos antes do torneio, que terá Marrocos como um dos países-sede ao lado de Espanha e Portugal.

Imagens divulgadas pela organização de proteção animal SPA du Maroc Khénifra registraram cães sendo baleados. Segundo a IAWPC, outros animais são mortos com estricnina ou iscas envenenadas, submetidos a disparos de pistolas e espingardas ou capturados e transportados para instalações superlotadas, onde podem morrer em condições de extrema violência.

Não existe qualquer necessidade de transformar animais em obstáculos descartáveis para preparar cidades para um evento esportivo. O manejo ético de populações de cães comunitários já dispõe de alternativas conhecidas, como o TNVR, sigla em inglês para captura, esterilização, vacinação, devolução e acompanhamento dos animais. A estratégia reduz a reprodução e permite o controle populacional sem recorrer ao extermínio.

A IAWPC afirma ter encaminhado à FIFA, repetidamente nos últimos dois anos, provas de mortes e maus-tratos. Ainda assim, a entidade máxima do futebol mundial não teria adotado medidas capazes de interromper a violência. Para a coalizão, a omissão representa uma falha moral de uma organização que afirma defender direitos humanos, sustentabilidade e tratamento adequado dos animais afetados por seus torneios.

A situação também ultrapassa a violência contra os próprios cães. Segundo as denúncias, crianças testemunham as mortes e podem ser expostas a experiências traumáticas. Adultos que tentaram registrar as agressões teriam sido atacados, enquanto mulheres teriam recebido ameaças de estupro.

A FIFA confirmou Marrocos como coanfitrião da Copa de 2030 mesmo diante dos alertas apresentados pela coalizão. Em seu relatório de avaliação da candidatura, publicado em novembro de 2024, a entidade registrou compromissos do país com a proteção animal e mencionou a existência de programas voltados aos cães comunitários. A IAWPC contesta a efetividade dessas medidas e sustenta que a violência documentada no território contradiz as garantias apresentadas à entidade.

A indignação cresce entre organizações e ativistas que defendem um boicote ao Marrocos até que as mortes cessem. A reivindicação coloca uma questão que a FIFA não pode esconder atrás da celebração do futebol. Um torneio internacional não pode ser tratado como justificativa para eliminar animais das ruas nem como licença para transformar seres sencientes em vítimas de uma operação de limpeza urbana.

A Copa do Mundo pretende reunir milhões de pessoas em torno do esporte. Não deveria ser preparada sobre o sangue de cães que apenas tentam sobreviver nas mesmas cidades que receberão torcedores de todo o planeta.

A IAWPC cobra que a FIFA imponha medidas imediatas, transparência e monitoramento independente para interromper as mortes e assegurar a adoção de métodos humanitários. A responsabilidade, segundo a coalizão, não recai apenas sobre autoridades locais. Alcança também a entidade que escolheu o país como palco de um dos maiores eventos esportivos do mundo e possui poder para estabelecer condições para sua realização.

A mensagem aos torcedores é direta. Não desviar o olhar também é uma forma de resistência. Uma celebração esportiva construída à custa da vida de animais não representa avanço, mas a normalização de uma violência que jamais deveria ser aceita como parte do espetáculo.

Fonte: anda.jor.br

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