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Mais de 2,5 milhões de procedimentos científicos envolvendo animais foram realizados na Grã-Bretanha em 2025, segundo estatísticas divulgadas pelo governo britânico. Embora o total represente uma redução de 3,8% em relação ao ano anterior, organizações de defesa dos animais afirmam que a queda é insuficiente diante do compromisso assumido pelo Reino Unido de substituir gradualmente a experimentação animal. As ONGs também chamam atenção para o aumento de testes envolvendo cães e primatas, espécies cuja utilização desperta intenso debate ético devido à elevada capacidade cognitiva, social e emocional desses animais.
Os dados oficiais mostram que, apesar da leve diminuição no número total de procedimentos, os experimentos continuam ocorrendo em larga escala. O crescimento de 15% nos testes com primatas e de 9% nos realizados com cães é apontado por organizações de proteção animal como um sinal de que a dependência de modelos animais permanece significativa em determinadas áreas da pesquisa biomédica.
Camundongos e ratos continuam sendo, de longe, os animais mais utilizados em laboratórios britânicos, principalmente em pesquisas biomédicas, estudos de toxicidade e testes de segurança. As estatísticas também registram 17.593 procedimentos classificados oficialmente como de “sofrimento severo”, categoria reservada a experimentos que podem provocar dor intensa, sofrimento prolongado ou grave comprometimento do bem-estar dos animais.
Outro dado que desperta preocupação é o uso crescente de animais geneticamente modificados. Aproximadamente metade de todos os procedimentos registrados esteve relacionada à criação ou reprodução desses animais, muitos desenvolvidos para apresentar doenças ou alterações biológicas específicas destinadas à pesquisa científica. Organizações de defesa dos direitos dos animais argumentam que essa prática amplia o número de indivíduos submetidos a condições que podem comprometer sua qualidade de vida desde o nascimento.
As ONGs ressaltam ainda que as estatísticas oficiais não refletem toda a dimensão da utilização de animais em laboratórios. Segundo elas, um contingente expressivo de animais é criado para abastecer pesquisas, mas acaba sendo morto antes mesmo de participar de qualquer procedimento experimental. Isso ocorre, por exemplo, quando os indivíduos possuem sexo ou características genéticas diferentes das exigidas pelos protocolos científicos. Como esses animais não chegam a integrar experimentos formalmente registrados, eles não aparecem nos principais indicadores oficiais.
Para grupos de proteção animal, essa exclusão significa que o número real de vidas afetadas pelo sistema de pesquisa é superior ao apresentado nas estatísticas anuais.
Pressão por métodos sem animais
Os novos dados reforçaram os pedidos para que o governo britânico acelere a implementação de sua estratégia de substituição da experimentação animal. O Reino Unido já publicou uma estratégia nacional voltada à adoção de métodos científicos que dispensem o uso de animais, mas organizações afirmam que os avanços permanecem aquém do necessário.
Ao comentar os números, a diretora de Ciência e Assuntos Regulatórios da Cruelty Free International, Dra. Emma Grange, afirmou que o ritmo de redução continua “dolorosamente lento”. Segundo ela, a mudança recente na liderança política do país representa uma oportunidade para transformar os compromissos assumidos em medidas concretas.
A organização defende que o governo estabeleça ações capazes de acelerar a substituição dos testes em animais por tecnologias mais modernas e diretamente relacionadas à biologia humana.
Tecnologias substitutivas avançam
Nos últimos anos, o desenvolvimento de métodos alternativos ganhou impulso em diversos centros de pesquisa ao redor do mundo. Entre as tecnologias consideradas promissoras estão os chamados órgãos-em-chip, dispositivos que reproduzem funções de tecidos humanos em microescala, culturas tridimensionais de células humanas, modelos avançados de tecidos e sistemas baseados em inteligência artificial capazes de prever efeitos toxicológicos e farmacológicos.
Pesquisadores e organizações favoráveis à substituição da experimentação animal argumentam que essas ferramentas podem oferecer resultados mais diretamente aplicáveis à fisiologia humana em determinadas áreas da pesquisa, além de reduzir o uso de animais e responder a preocupações éticas relacionadas ao sofrimento provocado pelos experimentos.
ONGs como a PETA defendem que a adoção dessas tecnologias seja acompanhada por mecanismos regulatórios claros, financiamento adequado e revisão dos critérios científicos que ainda favorecem modelos experimentais baseados em animais.
Fonte: anda.jor.br
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