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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Após onça ser importunada por embarcações em Porto Jofre (MT), pesquisadores e guias cobram regras para turismo de observação de animais silvestres no Pantanal


 Foto: Reprodução

A repercussão do vídeo feito pelo guia Redouane Lachgar e compartilhado na ANDA, que mostra dezenas de embarcações cercando uma onça-pintada em Porto Jofre, no Pantanal mato-grossense, criou um debate sobre os limites éticos do turismo de observação de fauna e a necessidade urgente de regulamentação da atividade para proteger os animais silvestres.

O vídeo, que expôs uma frota de barcos disputando proximidade com uma única onça às margens do rio, gerou indignação nas redes sociais e levantou questionamentos sobre o impacto da pressão turística sobre indivíduos que deveriam viver livres de perturbações humanas.

Em meio à repercussão, o coordenador do Programa de Conservação da Panthera Brasil, Fernando Tortato, afirmou que o registro foi feito em um dos pontos mais procurados para observação de onças no Parque Estadual Encontro das Águas.

De acordo com Tortato, não existem estudos suficientes para afirmar como a concentração de barcos, os ruídos dos motores, das câmeras e a intensa movimentação afetam o comportamento, a caça ou outros aspectos da vida desses animais. Para ele, esse impacto só pode ser determinado por avaliações científicas específicas.

A adaptação de animais silvestres à presença humana não deve ser interpretada como ausência de sofrimento ou como autorização para submetê-los a situações de estresse recorrentes. A habituação, provocada pela exposição constante às atividades humanas, pode alterar comportamentos naturais e aumentar a vulnerabilidade da espécie.

O guia de turismo e empresário Ailton Lara também classificou como inadequada a quantidade de embarcações registrada nas imagens. Segundo ele, durante cerca de duas décadas a própria comunidade manteve um sistema informal de autorregulação, mas o crescimento acelerado da atividade levou à perda desse controle, tornando necessária uma intervenção para limitar o número de barcos e visitantes.

Após a repercussão do caso, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) informou que já publicou o Plano de Manejo do Parque Estadual Encontro das Águas e contratou a empresa responsável pela elaboração do Plano de Uso Público da unidade. O documento deverá estabelecer critérios para disciplinar a visitação e evitar que episódios como o registrado voltem a ocorrer.

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