O número de cães e gatos que esperam
por adoção em abrigos ou que estão abandonados ainda é grande em Cuiabá (MT).
Defensores dos animais e simpatizantes fazem o que podem para acolher, promover
feiras de adoção, oferecer comida ou lutar pela castração daqueles que ainda
não conquistaram o coração de algum tutor na cidade.
A reportagem RDNews andou pela
capital e encontrou pessoas que se sensibilizam com causa. A maioria, por conta
própria, usa a criatividade para mudar a cruel realidade.
Para a empresária Mônica Regina
Piaia, sempre foi difícil chegar em seu restaurante no bairro Verdão e se
deparar com olhares famintos de cães abandonados. “Eles começaram a ficar na
porta do estabelecimento com aqueles olhos de dar dó. Aos poucos, fui colocando
comida. Até que um dia vi uma publicação em uma rede social que mostrava um
comedouro e bebedouro para animais”, explica seu processo de inspiração.
Mônica criou, fixado em uma árvore na
entrada de seu estabelecimento, um mecanismo igual ao que viu na internet feito
de canos de pvc e madeira, e diariamente, o abastece com água e ração. Ela é
uma das amantes dos animais que acredita em uma “corrente do bem” que, aos
poucos, mobilizará muitos outros protetores.
“Vejo animais virem de muito longe,
atravessarem a rua e irem direto nos comedouros. Pessoas já chegaram a roubar
os canos, mas repomos, trocamos a água e comida deles todos os dias. É muito
gratificante”, conta.
Além disso, a empresária faz marmitas
com as sobras do restaurante e distribui pela cidade para animais que ficam
longe do bairro ou, ainda, para os que têm casa, mas quase não recebem
alimento. Na casa da mãe, Mônica cuida de 15 gatos. Comprou, inclusive, um
sítio para abrigar cães e cuida de mais de dezoito deles na zona rural.
Essa história não é muito diferente
da vivenciada pela veterinária Patrícia Ferrer, que diz ter seguido os passos,
desde muito jovem, de São Francisco de Assis, o santo protetor do animais. Era
só encontrar um animal perdido na rua, que ela o levava para casa e depois
articulava uma adoção.
Em seu pet shop localizado no bairro
Morada do Ouro, Patrícia construiu um comedouro semelhante ao de Mônica e diz
que, apesar de seu estabelecimento ser a realização de um sonho, ainda não
estava satisfeita. “Aqui eu faço muita caridade e consultas gratuitas. Me
ofereci até a algumas ONGs para doar meus serviços”, lembra.
A veterinária também se inspirou em
uma foto que viu no Facebook e logo compartilhou com a descrição seguinte,
“será que teria algum anjo que pudesse fazer um deste para eu colocar na porta
do meu pet shop?”, indagou. Sem demora, o hoje suplente de vereador Sargento
Vidal procurou Patrícia e, um mês após o pedido, foi até o pet instalar o
dispositivo.
“Não me preocupei se alguém iria
pegar aquela ração. Estava à disposição dos animais e acho que a consciência é
de cada um. Quando eu vi uma pequena pela primeira vez matando a sede e a fome
naquele local, foi uma sensação maravilhosa e, se eu pudesse, espalhava essa
ideia pela cidade toda”, relata Patrícia.
O estabelecimento de Patrícia, na
segunda semana junho, funcionará no bairro Santa Amália.
O Sargento Vidal que ela menciona em
seu depoimento é também protetor dos animais desde os onze anos de idade. Ao
ser procurado pelo RDNews, ele confessa que nem sempre foi assim. Sua dedicação
é fruto de um castigo que recebeu de sua mãe quando ainda era um menino, após
ter maltratado um gato por não querer “brincar” com ele.
“Eu sempre tive muitos gatos e
cachorros. Teve um gato que minha mãe me fez cuidar na marra, após eu ter
tentado afogá-lo quando era criança. Ela me disse que eu teria que cuidar dele e
fazer de tudo para que ele não morresse. Se não, meu castigo seria maior”,
lembra.
O gato que o Sargento Vidal ficou
incumbido de proteger viveu muitos anos com ele e virou seu xodó, mas quando
percebeu, ele já estava totalmente envolvido com a causa. Hoje, o Sargento
aposentado, atualmente vereador pela sigla (PMN), contabiliza mais de 20 mil
seguidores em sua página do Facebook. Ele assumiu, em abril, a vaga do vereador
Marcrean Santos (PRTB) que assumiu mandato na Assembleia Legislativa, depois de
uma alteração da Lei Orgânica do município.
Em sua página, o vereador organiza
feiras de adoção, consegue e oferece apoio em casos de resgates, faz parceria
com clínicas de tratamento e castração de animais com descontos, e além da sua
militância, trabalha com pautas em prol dos animais na Câmara de Cuiabá.
Entre seus projetos, está o que
propõe a criação de uma clínica popular com castração gratuita de animais
abandonados ou os de pessoas de baixa renda. No depoimento, Vidal ainda lembra
uma das protetoras mais antigas da cidade e que sempre o ajudou, a coordenadora
da Organização de Proteção Animal
(OPA/MT), Michelle Scopel.
Para Vidal, dar atenção aos animais
abandonados é também questão de saúde pública. Ele também alerta que, deixar
cachorros e gatos crescerem sem castração e sem auxiliar na adoção, é algo que
precisa ser revisto.
Fonte: RDNews
( fotos: internet )


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