Por Eliane
Arakaki, ANDA
A imagem de cinco filhotes de tigre
inocentes que foram encontrados mortos no porta-malas de um carro pela polícia
vietnamita, na tarde dessa terça-feira última, choca e entristece.
Descobrir que esses tigres que não
passam de bebês foram mortos para alimentar o comércio local de ossos de tigre,
para produção de vinho, é absolutamente hediondo e escandaloso.
Bui Van Hieu, de 26 anos, e Hoang Van
Thien, de 27 anos, presos no local, explicaram que “eles estavam levando os
corpos dos tigres para um comprador local que os usaria para fabricar vinho”.
Somados, os filhotes secos pesavam
mais de 22 libras (cerca de 10 kg) e deveriam ser vendidos por aproximadamente
VND70 milhões ou US $ 3.080,00 (aproximadamente R$ 12 mil).
A polícia também deteve Nguyen Van
Chinh, 33 anos, que estava em outro carro fazendo a escolta do transporte
ilegal ao longo da Rodovia Nacional.
“A investigação está em curso. Esses
crimes exigem profundas investigações sobre os vários ângulos que tornam os
ossos de tigre uma mercadoria em altamente requisitada e que deve ser
interrompida urgentemente.” Declara a polícia.
Os tigres estão em extinção no
Vietnã, neste país os animais são traficados por carne, pele, garras e outras
partes do corpo, como os ossos, que também são negociados para produzir uma
substância pegajosa que algumas pessoas acreditam ter o poder de curar artrite
e torná-las mais fortes.
Para se ter uma idéia de quão
horrível é a situação, dados da International
Union of Conservation for Nature e da National Tiger
Surveys, divulgados dois anos atrás, mostraram que o número de
tigres selvagens no Vietnã encolheu para menos de cinco, uma queda
significativa já que no início dos anos 2000 eles somavam mais de 100.
Estima-se que entre 3.500 e 4.000
toneladas de “carne selvagem” sejam consumidas no Vietnã a cada ano.
Em janeiro de 2015, um jornalista do
The Washington Post foi disfarçado a uma das maiores fazendas de tigres da
China, a Xiongshen Tiger and Bear Mountain Village, na cidade de Guilin, no sul
do país.
Trata-se de uma fazenda particular fundada em 1993.
Trata-se de uma fazenda particular fundada em 1993.
De acordo com o relatório do agente
disfarçado, uma contrução localizada na própria fazenda se tornou o local de
venda do vinho de tigre ao público.
“Garrafas de vinho, em forma de
tigre, com rótulos destacando que um dos principais ingredientes são os ossos de
‘animais preciosos’. Tudo é projetado para dizer aos consumidores que é vinho
de osso de tigre, sem explicitamente usar essa palavra”, observou o relatório.
“Até mesmo nos ingressos de entrada para o parque consta a informação que eles
contam com a aprovação do governo para fazer vinho a partir de ‘esqueletos de
animais que morreram de causas naturais’ para apoiar o programa de criação de
tigres ”.
“Causas naturais? Minha resposta
inicial a isso, depois de um nojo indisfarável, foi o quão ‘idiotas’ eles pensam
que somos?”, desabafa o jornalista.
Ele prossegue no relatório: “então,
infelizmente, lembrei que há um mercado doentio e ávido por esses itens. Alguns
vêem isso como um símbolo de status. De alguma forma, continua a haver demanda
por esses itens. Um grupo seleto de pessoas lucrando com a morte e a destruição
que estão escondidas por trás das garrafas brilhantes com imagens de tigres e
palavras escritas na intenção de enganar.”
“Algumas pessoas até sabem que é um
vinho feito a partir de ossos de tigre e o que significa isso em termos de
morte e extinção desses animais, mas ainda assim o compram, movidos pela crença
de que os ossos dos tigres vão torná-los mais fortes ou aumentar sua libido”,
finaliza ele.
As pessoas que lucram com a matança
desses preciosos animais e aqueles que lutam para proteger essas belas e unicas
espécies travam uma batalha silenciosa e infindável no Vietnã.
A insanidade representada no ato
matar animais inocentes por sua carne, ossos, moda ou por qualquer outra crença
falsa, tem que parar, não há espaço para discussões sobre isso.
Fonte: anda.jor.br ( foto: internet )

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