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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Animais são encontrados mortos e enterrados em imóvel de homem investigado por maus-tratos

 


Foto: Portal Siga Mais/Reprodução

A Polícia Civil investiga um homem de 62 anos por suspeita de maus-tratos contra animais em Adamantina, no interior de São Paulo. O caso foi divulgado na segunda feia (07/09) pela corporação, após uma vistoria realizada na sexta-feira (04/09), quando os agentes encontraram diversos cadáveres de animais enterrados no terreno de uma propriedade, entre eles cães, galos e cavalos. Também foram localizadas partes de rabos.

A investigação começou depois que moradores compartilharam com a polícia vídeos que registrariam o homem agredindo um animal. A partir das imagens, policiais foram até o imóvel e realizaram uma vistoria com a autorização do suspeito.

Durante a inspeção, a equipe encontrou os corpos de animais de pequeno e grande porte enterrados em diferentes pontos da propriedade. A quantidade de cadáveres e a presença de espécies distintas levaram à abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias das mortes e verificar se houve outros episódios de violência.

Questionado sobre o vídeo, o homem afirmou aos policiais que agrediu o animal porque ele teria tentado morder e matar galinhas. A justificativa apresentada será analisada no curso da investigação.

Os cães adultos que ainda estavam no imóvel foram retirados do local por uma entidade de proteção animal de Adamantina e encaminhados para uma organização não governamental em Osvaldo Cruz. O acolhimento busca garantir que os animais sobreviventes recebam cuidados e permaneçam afastados do ambiente investigado.

A existência de animais mortos enterrados no terreno também deverá ser esclarecida pela perícia e pela investigação policial. Será necessário determinar as causas das mortes, quando ocorreram e se existe relação entre elas e os episódios de agressão registrados.

Até o momento, ninguém foi preso. O suspeito pode responder por maus-tratos a animais, conforme o artigo 32, parágrafo 1º, da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998).

O caso permanece sob investigação da Polícia Civil.

Fonte: anda.jor.br

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Foto: arquivo pessoal

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    Foto: assessoria

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Chimpanzé pode ser obrigado a lutar contra humano para gerar audiência e lucro


 Foto: Ilustração | Pixabay

Uma proposta de luta entre um chimpanzé e o lutador amador de MMA Cole Johnson, conhecido como Wavy MMA, mostra mais uma forma brutal de exploração de animais. O confronto foi anunciado para 11 de setembro em um evento pay-per-view, embora o local e a eventual supervisão de uma entidade reguladora ainda não tenham sido divulgados.

A ideia nasceu de uma piada publicada por Johnson nas redes sociais. O vídeo, no qual ele afirmava que conseguiria vencer um chimpanzé em uma briga, ultrapassou 5 milhões de visualizações. A repercussão atraiu pessoas dispostas a pagar para transformar a provocação em espetáculo.

Quando os maus-tratos contra um animal encontra audiência e dinheiro, a fronteira entre a provocação virtual e a agressão real desaparece.

Johnson tem apenas uma luta profissional, com cartel de 1-0, e pesa cerca de 91 quilos. Segundo ele, equipes com tranquilizantes permaneceriam próximas durante o confronto. A interrupção ocorreria apenas se o chimpanzé estivesse “matando” o lutador.

A própria descrição revela a perversidade da proposta. Um chimpanzé não entra em um ringue para competir, não conhece regras, não entende a função de um árbitro e não pode decidir se quer participar. O animal seria colocado em uma situação de ameaça e violência para produzir audiência e lucro.

Manter tranquilizantes à disposição não transforma crueldade em segurança. Caso o animal seja ferido, entre em pânico ou reaja de maneira imprevisível, a intervenção pode chegar tarde demais. Sedá-lo depois de submetê-lo ao confronto tampouco apaga o sofrimento provocado.

Quanto mais absurda e violenta for a situação, maior parece ser seu potencial comercial. O corpo e a integridade de um animal tornam-se, assim, moeda para alimentar a indústria do entretenimento.

Não existe justificativa esportiva para esse confronto. Johnson pode escolher lutar e assumir os riscos de sua profissão. O chimpanzé não pode fazer o mesmo. Transformá-lo em instrumento de uma aposta humana não é esporte, é um covarde abuso.

Fonte: anfa.jor.br

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Milhões de burros são mortos todos os anos para transformar suas peles em mercadoria


 Foto: The Donkey Sanctuary

Elefantes, tigres, rinocerontes e pangolins costumam ocupar o centro das discussões internacionais sobre tráfico de animais selvagens. A atenção concentrada nessas espécies, porém, pode deixar outras vítimas fora do debate. Entre elas estão os burros, submetidos a um comércio clandestino que transforma suas peles em matéria-prima para a produção de ejiao, uma gelatina utilizada na medicina tradicional chinesa.

Estima-se que pelo menos seis milhões de burros sejam mortos todos os anos para abastecer esse mercado. A população mundial da espécie é calculada em cerca de 50 milhões de animais. O volume de mortes ameaça a sobrevivência dos indivíduos e a permanência de populações inteiras em diferentes regiões.

A pressão sobre os burros está ligada ao crescimento da procura por ejiao, cuja produção depende do colágeno encontrado na pele desses animais. O produto é associado, por seus consumidores, à manutenção da juventude e a benefícios para a saúde. A expansão dessa demanda criou uma cadeia de exploração que atravessa fronteiras e alcança comunidades rurais em países pobres.

Muitos burros utilizados no trabalho são roubados de famílias que dependem deles para transportar alimentos, água, medicamentos e produtos agrícolas. O desaparecimento de um animal pode representar a perda de uma importante fonte de renda e de mobilidade para uma comunidade inteira.

Em áreas rurais e marginalizadas, os equídeos de carga também desempenham um papel social. O transporte de mercadorias permite que famílias comercializem sua produção, enquanto o deslocamento de crianças até escolas pode depender da presença desses animais. Mulheres também encontram nos burros um apoio para atividades comerciais e tarefas que, sem eles, exigiriam mais tempo, esforço e recursos.

A retirada desses animais das comunidades, portanto, não produz apenas uma vítima individual. Ela pode aprofundar a pobreza e reduzir a capacidade de famílias enfrentarem períodos de crise, inclusive após desastres naturais, quando os burros também são utilizados em operações de resgate, socorro e recuperação.

Risco que ultrapassa os animais

As consequências também alcançam a saúde pública. O comércio de peles funciona muitas vezes sem rastreabilidade, fiscalização veterinária ou condições adequadas de higiene. As mortes podem ocorrer em quintais, áreas abertas ou matagais, onde sangue, vísceras e águas residuais são descartados sem controle.

Esses resíduos podem contaminar o solo, alimentos e fontes de água.

A mistura de animais provenientes de diferentes regiões aumenta ainda mais os riscos. Burros podem atravessar fronteiras sem acompanhamento veterinário confiável, sendo colocados em contato com indivíduos de locais onde circulam diferentes agentes infecciosos.

Uma pesquisa encomendada pelo The Donkey Sanctuary encontrou um alerta importante. Entre 108 amostras de pele recolhidas em um matadouro do Quênia em 2020, 88 apresentaram Staphylococcus aureus. Em 44 delas, foi identificada resistência à meticilina, característica associada ao MRSA, uma bactéria resistente a antibióticos que representa preocupação para a saúde pública.

O problema, portanto, não se restringe à crueldade praticada contra os burros. A ausência de controle sanitário transforma a cadeia de exploração em uma vulnerabilidade que pode afetar animais, trabalhadores, comunidades e ecossistemas.

Porta para outros crimes

A falta de regulamentação internacional uniforme também cria brechas para atividades criminosas. Em diferentes países, o comércio de peles possui tratamentos legais distintos, o que dificulta o controle das rotas e a fiscalização da cadeia.

As peles podem ser misturadas a partes de outras espécies, inclusive animais protegidos pela Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES). Essa sobreposição dificulta a identificação de cargas e pode ser utilizada para ocultar outros produtos de origem ilegal.

A estrutura também pode se conectar a redes envolvidas em lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e comércio clandestino de armas. O mercado de peles, quando explorado por organizações criminosas, deixa de ser apenas uma atividade de exploração animal e passa a integrar uma rede mais ampla de crimes.

População brasileira despenca

No Brasil, a situação dos burros é particularmente grave. Em três décadas, a população estimada caiu 94%, passando de cerca de 1,37 milhão de animais em 1996 para menos de 78 mil.

A redução levou pesquisadores a alertar para o risco de desaparecimento da espécie no país caso as mortes continuem sem controle.

O declínio brasileiro expõe uma realidade frequentemente ignorada. Animais historicamente tratados como instrumentos de trabalho também podem desaparecer quando são submetidos à exploração comercial em larga escala. O fato de serem menos celebrados do que grandes mamíferos não diminui seu valor como indivíduos capazes de sentir dor, medo e sofrimento.

Proteção exige ação política

Em 2024, chefes de Estado africanos anunciaram uma moratória sobre a matança de burros para obtenção de suas peles no continente. Uma estratégia para ampliar a proteção da espécie e estabelecer medidas de conservação até 2035 também foi confirmada.

A medida representa um avanço importante, mas a demanda não está restrita à África. Rotas comerciais alcançam países da Ásia e também regiões da América Latina e da América Central, o que exige políticas coordenadas entre governos.

O The Donkey Sanctuary atua internacionalmente para ampliar a presença dos burros nas políticas públicas e defender o fim do comércio de suas peles. A organização também trabalha com pesquisadores e especialistas para mapear rotas comerciais, acompanhar a movimentação do mercado e compreender os fatores que sustentam a demanda.

Proteger os burros exige interromper uma cadeia que começa com a captura ou o roubo de animais e termina em um mercado que transforma suas peles em produto. Também significa proteger as famílias que dependem deles, reduzir riscos sanitários e impedir que redes criminosas continuem explorando uma espécie historicamente relegada a um lugar de menor importância.

Nenhum animal deveria precisar desaparecer para que sua pele se transforme em mercadoria. No caso dos burros, enfrentar esse comércio é também reconhecer que o valor de uma vida não pode ser determinado pelo prestígio atribuído à espécie nem pelo preço alcançado por seus restos.

Fonte: anda.jor.br

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