Foto: SEB/Divulgação
Sandro chegou ao Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, em 18 de setembro, depois de uma viagem de aproximadamente 1,6 mil quilômetros desde Sorocaba, no interior paulista. Quase um mês depois, o elefante de 54 anos percorre os recintos, toma banhos de água e lama, explora a vegetação e brinca com galhos e árvores. A adaptação surpreendeu positivamente a equipe responsável por seus cuidados.
Após passar mais de 40 anos no zoológico, Sandro começou uma nova etapa da vida em um ambiente que lhe permite circular por áreas amplas e expressar comportamentos próprios da espécie. A curiosidade demonstrada desde os primeiros dias e a disposição para explorar o espaço são sinais positivos de sua adaptação.
“Foi uma transição bem tranquila. Nesse mês, a gente está bastante surpreso e feliz. A gente tem a percepção de que é como se ele soubesse ou que pertencesse lá desde sempre”, afirmou Raphael Bontempi Ferreira, presidente do santuário, à TV TEM.
A transferência começou em 10 de setembro, quando a caixa transportadora chegou ao Zoológico de Sorocaba. Sandro entrou voluntariamente na estrutura, que foi preparada para a viagem. No dia 16, ele deixou a cidade rumo ao Mato Grosso e chegou ao destino dois dias depois.
Na primeira noite no santuário, o elefante permaneceu no centro veterinário. No dia seguinte, os portões foram abertos para que pudesse acessar os demais recintos. A partir daí, passou a explorar o espaço por conta própria, com acompanhamento da equipe, que utiliza imagens de drones para observar seus hábitos sem precisar entrar na área onde ele circula.
Banhos de lama e descobertas
Entre os comportamentos observados estão os banhos de água e terra, o hábito de se esfregar nos troncos e a exploração de galhos e árvores. Sandro também derrubou árvores durante as brincadeiras, usando a vegetação para se coçar, arremessar galhos, quebrá-los e se alimentar.
“Ele usa o galho para se coçar muitas vezes, joga para cima, arremessa, quebra, come. É um comportamento natural, um sinal de exploração, de curiosidade e de interação com o meio ambiente”, explicou Raphael.
A possibilidade de explorar o espaço e interagir com elementos da vegetação representa uma mudança importante na rotina do elefante. Em vez de depender exclusivamente de estímulos e atividades organizados por cuidadores, Sandro pode investigar o ambiente, escolher onde caminhar e manifestar comportamentos espontâneos.
A equipe considera sua adaptação a mais rápida observada entre os elefantes recebidos pelo santuário até agora. O acompanhamento, porém, continua necessário para avaliar tanto o comportamento quanto as condições físicas do animal.
Alimentação com mais autonomia
A dieta também passa por mudanças graduais. Nos primeiros dias, a equipe manteve a alimentação oferecida em Sorocaba, composta por feno, capim e frutas picadas. A continuidade inicial do protocolo ajudou a evitar alterações bruscas, especialmente importantes diante do histórico de problemas digestivos de Sandro.
Com o passar das semanas, os profissionais começaram a testar novos alimentos e observar as preferências do elefante. A melancia, por exemplo, é consumida de uma maneira particular. Sandro quebra a fruta, coloca-a no chão e suga a parte interna, demonstrando preferência pela polpa.
As folhas de palmeira também despertaram seu interesse. Ele próprio recolhe as folhas, quebra os pedaços e os mastiga, comportamento que permite à equipe conhecer melhor suas escolhas e ampliar gradualmente sua autonomia alimentar.
“A gente está tentando testar o que ele de fato gosta, para que ele mostre para nós o que ele quer, obviamente dentro de uma segurança, mas o que de fato faz ele feliz”, afirmou Raphael.
A observação individualizada permite ajustar o manejo às necessidades de Sandro, sem perder de vista os cuidados necessários à sua saúde. Desde a chegada, foram registrados poucos episódios de cólica, uma questão que preocupava a equipe em razão dos problemas digestivos anteriores.
Movimento para recuperar a força física
Apesar da evolução comportamental, Sandro ainda precisa recuperar massa muscular e melhorar sua condição corporal. Segundo a equipe, ele chegou ao santuário com musculatura enfraquecida, especialmente nas pernas, e abaixo da condição corporal considerada ideal para seu porte e idade.
Nos primeiros momentos no novo ambiente, os profissionais observaram tremores nas pernas e dificuldade para sair do lago. Por isso, o acompanhamento inclui a avaliação dos deslocamentos, da alimentação, do comportamento durante o dia e à noite e de sua evolução física.
A movimentação frequente é considerada importante nesse processo. Sandro tem caminhado por longos períodos, percorrendo os recintos e explorando diferentes áreas.
“Ele está andando muito, não para, anda o tempo inteiro, explora o tempo inteiro. Isso é muito positivo para ele”, disse o presidente do santuário.
A expectativa é que a atividade contribua para fortalecer a musculatura e favorecer o ganho de peso. A equipe continuará monitorando sua evolução para identificar as necessidades de cuidado e ajustar o manejo conforme a resposta do elefante.
Aproximação com outras elefantas
Sandro também começou a perceber a presença de seis elefantas que vivem na propriedade. Ele é o primeiro macho a morar no santuário, e a chegada despertou a curiosidade das demais, que se aproximaram das áreas próximas ao recinto dele para investigar os novos cheiros e sons.
Os animais já conseguem se ver, sentir os odores uns dos outros e se comunicar por vocalizações. Os recintos ficam a aproximadamente 20 metros de distância, mas ainda não houve contato físico.
“Foi muito engraçado porque na chegada do Sandro, as elefantas perceberam que tinha alguém chegando, perceberam um cheiro diferente, já foram muito próximas de onde ele estava para poder recebê-lo, para poder entender quem estava lá”, relatou Raphael.
Uma possível aproximação será avaliada com cautela, levando em conta o interesse dos animais e as condições adequadas para a interação. O santuário dispõe de um corredor que poderá permitir encontros futuros, mas não há previsão de que Sandro passe a compartilhar o mesmo recinto com as fêmeas.
A separação também considera características sociais da espécie, cujos machos geralmente não permanecem junto aos grupos de fêmeas adultas.
Quase um mês após deixar Sorocaba, Sandro demonstra curiosidade, iniciativa e disposição para explorar o ambiente. Sua recuperação física ainda exigirá tempo e acompanhamento, mas a possibilidade de caminhar, brincar, investigar a vegetação e escolher parte do que come já marca uma mudança significativa em sua rotina.
Depois de mais de quatro décadas vivendo em um zoológico, o elefante começa a descobrir um espaço no qual pode exercer mais autonomia e expressar comportamentos naturais. A adaptação positiva abre caminho para uma vida com mais possibilidades de movimento, exploração e respeito às suas necessidades.
Fonte: anda.jor.br
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