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terça-feira, 15 de setembro de 2026

MATANÇA: Flórida (EUA) amplia caça e autoriza morte de até 215 ursos em 2026


 Foto: Red Huber/Orlando Sentinel/Tribune News Service via Getty Images

Estado aumentou em 25% o número de licenças em relação a 2025, quando 52 animais foram mortos durante uma temporada marcada por forte oposição

A Flórida, nos Estados Unidos, decidiu ampliar a caça de ursos-negros-da-Flórida em 2026 e poderá autorizar a morte de até 215 animais. O número representa um aumento de 25% em relação às 172 licenças disponibilizadas no ano passado, quando 52 ursos foram mortos.

A decisão da Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida, FWC, transforma a morte de animais em instrumento oficial de gestão da fauna e amplia ainda mais o período em que os ursos poderão ser perseguidos e mortos.

Nas áreas públicas, a temporada ocorrerá de 5 a 27 de dezembro. Em propriedades privadas que participarem de um novo programa, a caça será permitida de 1º de outubro a 31 de dezembro, criando um período muito mais extenso para a perseguição dos animais.

Das 215 licenças previstas, 193 serão distribuídas por sorteio. Outras 22 ficarão disponíveis para proprietários de grandes áreas privadas que cumpram as exigências estabelecidas pela FWC. As propriedades precisam ter pelo menos 5 mil acres contíguos, com metade da área considerada habitat adequado para os ursos.

A caça também foi dividida em quatro regiões. A East Panhandle terá 78 licenças, a North Zone 31, a Central Zone 21 e a South Zone 63. Entre as áreas abrangidas estão regiões de vida silvestre como Apalachicola e Osceola.

O argumento utilizado para justificar a matança é o suposto controle da população e a redução de conflitos entre ursos e seres humanos. A justificativa, porém, é contestada por defensores dos animais, que denunciam a escolha da violência contra a fauna como resposta para problemas provocados principalmente pela ocupação e fragmentação dos habitats.

Em vez de proteger os espaços necessários à sobrevivência dos ursos e investir em medidas que impeçam o acesso dos animais a fontes de alimento de origem humana, o Estado opta por autorizar que sejam mortos.

A temporada de 2025 mostrou a dimensão dessa política. Dos 172 animais que poderiam ter sido mortos, 52 foram efetivamente abatidos em apenas 23 dias. Quase metade eram fêmeas, o que também levanta preocupações sobre os impactos da caça sobre a reprodução e a dinâmica da população.

A reação contrária à temporada anterior foi expressiva. Organizações e voluntários chegaram a incentivar pessoas que não pretendiam matar ursos a participar do sistema de licenciamento para impedir que as autorizações fossem utilizadas para a caça. Segundo dados da FWC, foram registradas 163.459 inscrições de 14.996 pessoas para as licenças de 2025.

O caso expôs uma contradição difícil de ignorar. Enquanto milhares de pessoas se mobilizaram para impedir a morte dos animais, o poder público decidiu manter e ampliar uma política que transforma vidas em alvos de uma atividade recreativa.

O urso-negro-da-Flórida já enfrenta pressões decorrentes da expansão urbana, da fragmentação dos habitats e da redução dos espaços disponíveis para encontrar alimento e abrigo. Nesse cenário, permitir a morte de mais animais não enfrenta as causas dos conflitos. Apenas acrescenta a caça às ameaças que já recaem sobre a espécie.

Conflitos entre animais silvestres e comunidades humanas exigem prevenção, educação, proteção dos habitats e medidas que reduzam o acesso dos ursos a alimentos deixados pelos seres humanos. Matar os animais que tentam sobreviver em ambientes cada vez mais ocupados por pessoas não é uma solução de convivência. É a eliminação dos indivíduos considerados inconvenientes.

A decisão da Flórida também revela uma concepção de vida silvestre que merece ser questionada. Os ursos não existem para servir como alvo de caça nem para serem administrados conforme os interesses humanos. São animais sencientes, capazes de sentir dor, medo e sofrimento, e suas vidas não deveriam ser transformadas em licenças, sorteios e temporadas de abate.

Ao aumentar de 172 para até 215 o número de licenças e antecipar para outubro a caça em determinadas propriedades privadas, a Flórida escolhe ampliar a violência contra os ursos em vez de fortalecer sua proteção. Para uma política pública que deveria proteger a fauna, autorizar a morte de animais como resposta aos conflitos representa um grave retrocesso.

Fonte: anda.jor.br

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