Foto: Divulgação/SEB
Um dia após chegar ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), em Chapada dos Guimarães (MT), Sandro já começou a explorar o espaço. Ele deixou o galpão onde passou a primeira noite e avançou pela área verde do santuário, depois de viver 44 anos aprisionado no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP).
Em vídeo divulgado pelo SEB, a equipe conta que Sandro demonstrou curiosidade assim que teve acesso ao novo ambiente. O comportamento já havia sido observado na chegada, quando ele saiu espontaneamente da caixa de transporte imediatamente após ser aberto.
“Em dois segundos, assim que abriu, ele já foi”, contou um integrante da equipe no vídeo.
Na primeira noite, Sandro permaneceu no galpão para descansar e reduzir os estímulos enquanto retomava gradualmente a alimentação. Câmeras permitiram o acompanhamento contínuo durante todo o tempo.
Sandro pode já estar percebendo os odores deixados por Baby, elefanta que viveu no local. Imagens registraram cicatrizes em suas patas, cuja origem não foi identificada.
A adaptação exige cuidados específicos. Ele demonstra aversão ao barulho de equipamentos eletrônicos e se assusta com drones. Ele ficará em uma área separada das fêmeas residentes, mas poderá manter contato visual, sentir seus cheiros e se comunicar por vocalizações.
A mudança de Sandro ocorre enquanto tramita na Câmara dos Deputados o PL 2648/26, de autoria da deputada Luizianne Lins (Rede-CE) e da então deputada Heloísa Helena (Rede- RJ), que propõe proibir zoológicos, aquários, ecoparques, safáris e estabelecimentos semelhantes voltados à exibição pública de animais. O texto prevê a transferência gradual dos animais para Centros de Reabilitação da Fauna ou santuários autorizados.
Durante esse período, não poderão receber novas licenças, ampliar atividades ou incorporar outros animais.
O texto prevê que cada instituição elabore planos para a transferência gradual e segura dos animais. Os destinos seriam para locais autorizados pelos órgãos ambientais, com prioridade para a proteção, a recuperação e, quando possível, a reintrodução na natureza.
A proposta também veta atividades comerciais, recreativas ou de entretenimento baseadas na exposição pública dos animais. A visitação aos centros e santuários ficaria restrita a pesquisadores, profissionais e estudantes, além de atividades educativas monitoradas que não provoquem estresse ou prejudiquem o bem-estar.
Pelo texto, o encerramento dos empreendimentos não significaria o abandono dos animais que vivem nesses locais. A proposta estabelece uma transição planejada, com encaminhamento para estruturas voltadas à proteção e à recuperação, em vez da continuidade da exposição pública.
O PL 2648/26 será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para entrar em vigor, ainda precisará ser aprovado pela Câmara e pelo Senado e cumprir as demais etapas do processo legislativo.
Fonte: anda.jor.br
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