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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Cachorrinha surda é adotada por médicos especialistas em audição e aprende comandos em sinais


 Foto: Dr. Michael Squires and Dr. Carlee Squires

A pequena Pips, uma cadelinha da raça Australian Cattle Dog, nasceu como a menor de sua ninhada, na Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos. Quando foi adotada por uma família de especialistas em audição, ninguém sabia que ela não conseguia ouvir. A descoberta levou os tutores a adaptar a comunicação e a ensinar à cachorrinha comandos por meio de sinais.

Pips e a irmã, Ruth, foram adotadas pelo casal de audiologistas Michael e Carlee Squires, que administra um centro especializado em audição e equilíbrio em Parkersburg. Por ser muito pequena, Pips conquistou rapidamente a família, especialmente as filhas do casal.

Os primeiros indícios de que havia algo diferente apareceram no comportamento da cadelinha. Pips era menos vocal do que Ruth e raramente latia. Quando emitia sons, seu latido também apresentava características distintas.

A confirmação veio em uma noite em que Michael chamou os cães para dentro da casa. Todos atenderam, menos Pips, que dormia na entrada da garagem. O audiologista gritou, bateu palmas e assobiou, mas a cachorrinha permaneceu imóvel.

A experiência fez o casal pesquisar maneiras de cuidar e se comunicar com um cão surdo. Michael já havia convivido com a comunidade surda durante a infância, experiência que influenciou sua trajetória profissional. Para ele, a adaptação de Pips guardava semelhanças com o processo de comunicação utilizado com pessoas que não ouvem.

Segundo o casal, Pips depende principalmente da visão para receber informações sobre o ambiente. Por isso, a família passou a utilizar sinais com as mãos e outros estímulos visuais para chamar sua atenção. Quando ela está em outro cômodo, as luzes podem ser acesas e apagadas para indicar que alguém quer sua atenção. Quando está concentrada em alguma atividade, um toque cuidadoso também pode servir como sinal.

O contato físico exige atenção especial. Quando Pips dorme, os tutores evitam surpreendê-la e preferem tocar delicadamente uma das patas traseiras ou movimentar a cadeira onde ela está. Ao despertar, a cachorrinha precisa de alguns instantes para compreender o que acontece ao redor.

Pips e Ruth também passaram por treinamento de obediência com um profissional amigo da família. Para a cadelinha surda, os comandos falados foram substituídos por sinais visuais. Ela utiliza ainda uma coleira que produz vibração, usada para indicar que deve voltar a atenção para os tutores. Depois de estabelecer contato visual, Pips consegue responder a comandos como sentar, vir e permanecer em determinado local.

A família também descobriu que a surdez pode ocorrer com relativa frequência na raça. Michael encontrou estimativas de que cerca de 10% dos cães Australian Cattle Dog apresentam algum grau de perda auditiva.

Carlee explica que alterações renais e auditivas podem aparecer associadas nesses cães porque os sistemas renal e auditivo se desenvolvem simultaneamente durante a gestação. A condição, porém, não impediu Pips de levar uma vida ativa.

A cachorra continua brincando, correndo e explorando a propriedade de quase 32 hectares onde vive com a família e outros cães. Uma de suas atividades preferidas é buscar bolas, brincadeira que pode durar horas e que também se tornou um momento de convivência com as crianças da casa.

Para Michael, a experiência modificou a percepção da família sobre as possibilidades de cães com deficiência. Ele pretende continuar defendendo a adoção de animais surdos, cegos ou com outras necessidades específicas, que muitas vezes encontram mais dificuldades para conseguir um lar.

A história de Pips também expõe uma questão importante sobre a adoção. Uma deficiência não reduz a capacidade de um animal de estabelecer vínculos, brincar, explorar, aprender e participar da vida familiar. O que muda é a forma de comunicação e, em alguns casos, a quantidade de cuidados necessários.

Ao adaptar a rotina às necessidades da cadelinha, a família não precisou limitar a vida de Pips. Precisou aprender a se comunicar com ela de outra maneira.

Fonte: anda.jor.br

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