Foto: AFP
Os grandes incêndios que atingem países europeus durante este verão não deixam apenas cidades evacuadas e áreas naturais destruídas. Para os animais, o impacto pode permanecer por meses ou anos, com a perda de abrigo, alimento, áreas de reprodução e corredores usados para deslocamento.
A capacidade de fugir das chamas varia entre as espécies. Aves e grandes herbívoros conseguem percorrer distâncias maiores, enquanto répteis, anfíbios e pequenos mamíferos dependem de tocas, pedras e outros refúgios. Mesmo dentro de uma mesma área atingida, a intensidade do fogo pode variar e criar pequenos espaços onde alguns animais conseguem sobreviver.
Entre as espécies vulneráveis está o sapo-de-esporão-ocidental, encontrado na França, Espanha e Portugal. O anfíbio já sofria com perda de habitat, expansão urbana, agricultura, espécies invasoras e atropelamentos. Sua população caiu mais de um terço nas últimas duas décadas. Por se deslocar lentamente, enfrenta dificuldades para escapar do calor e da fumaça, embora suas tocas, que podem alcançar quase um metro de profundidade, ofereçam alguma proteção.
Sobreviver ao incêndio também não significa estar a salvo. A destruição da vegetação reduz a oferta de alimento e abrigo e deixa os animais mais expostos a predadores. Muitos acabam se aproximando de áreas urbanas, onde enfrentam riscos como atropelamentos. Cinzas e substâncias utilizadas no combate ao fogo também podem contaminar água e solo e provocar efeitos prolongados sobre a saúde e a reprodução.
Na Espanha, equipes precisaram retirar animais de áreas ameaçadas pelos incêndios na região de Madri. No Safari Madrid, funcionários transferiram animais para recintos protegidos e receberam indivíduos de outro centro de fauna. Em San Martín de Valdeiglesias, uma praça de touros foi transformada em abrigo temporário para cavalos, pôneis, burros, cabras, gatos e cachorros.
Na Grécia, mais de 280 animais foram resgatados por voluntários durante um incêndio próximo a Atenas. A maioria era formada por cães. Depois da retirada, equipes ainda precisaram localizar responsáveis e encontrar abrigos temporários.
A dimensão dos incêndios mostra a falta de uma estrutura capaz de atender os animais em situações de emergência. Organizações de proteção aos animais defendem a criação de um serviço específico de resgate na União Europeia e a implantação de refúgios que ofereçam proteção aos animais silvestres durante a passagem das chamas.
A situação se agrava com as mudanças climáticas. Secas e temperaturas mais altas favorecem a perda de umidade do solo e da vegetação e contribuem para incêndios mais frequentes e intensos. Para espécies raras, endêmicas ou restritas a pequenas áreas, a destruição de um único território pode comprometer uma população inteira.
Fonte: anda.jor.br
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