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sábado, 15 de agosto de 2026

Cerca de 1,5 mil visons são libertados de criadouro para extração de peles nos Estados Unidos


 Foto: Animal Liberation

Cerca de 1,5 mil visons foram libertados de uma fazenda de criação de animais para produção de peles em Turner, no estado norte-americano do Oregon, durante a madrugada desta semana. A cerca que delimitava a propriedade foi cortada, permitindo que os animais deixassem as instalações da Cascade Mink Farm, segundo informações divulgadas pela imprensa local.

A propriedade, localizada na Hunsaker Road SE, pertence a John, Donna e Randy Lucas. Os visons seriam mortos entre novembro e dezembro, seguindo o ciclo de exploração adotado pela indústria de peles.

A libertação ocorreu em um momento em que a criação de visons para a fabricação de peles enfrenta declínio nos Estados Unidos. O número de fazendas do setor caiu de mais de 300 na década de 1990 para menos de 50 atualmente.

A indústria, no entanto, continua defendendo a manutenção dos animais em cativeiro sob o argumento de que aqueles criados em fazendas não conseguiriam sobreviver fora delas. Após a libertação, Challis Hobbs, representante do setor, repetiu essa narrativa e afirmou que os visons poderiam morrer de fome, sede ou atropelados e que parte deles retornaria espontaneamente à propriedade.

A alegação de que visons criados para a indústria perderiam sua capacidade de sobrevivência na natureza, porém, é contestada por estudos científicos. Esses animais permanecem geneticamente próximos dos visons selvagens e podem sobreviver por períodos prolongados após serem libertados. A espécie também é nativa da região onde ocorreu a soltura.

Isso não significa que a libertação de animais criados em fazendas esteja livre de impactos ambientais ou que todos consigam sobreviver. A adaptação pode ser difícil e a presença de animais em ambientes alterados pelo confinamento exige acompanhamento e avaliação. O ponto central é outro. Os visons não foram colocados em gaiolas porque precisavam delas. Foram confinados para que seus corpos pudessem ser transformados em mercadoria.

Na indústria de peles, os visons passam a maior parte da vida em espaços extremamente reduzidos. Animais que, em condições naturais, percorrem quilômetros em busca de alimento e abrigo são mantidos em gaiolas com cerca de 25 centímetros de largura.

Os filhotes nascem geralmente entre fevereiro e março. Poucos meses depois, no fim do outono, são mortos para que suas peles sejam retiradas e comercializadas. Entre os métodos empregados pela indústria estão o uso de gás, golpes e eletrocussão. Há registros de animais que chegam a ser esfolados antes de morrer completamente.

Para os visons libertados em Turner, a fuga representa uma ruptura com um destino previamente determinado. Se permanecessem dentro da fazenda, a morte não seria uma possibilidade entre outras, mas o desfecho planejado de sua existência.

A redução expressiva do número de fazendas de peles nos Estados Unidos acompanha uma mudança mais ampla na relação da sociedade com esse tipo de exploração. A manutenção de animais sencientes em confinamento extremo para transformar suas peles em produtos de luxo vem sendo cada vez mais questionada, enquanto marcas e países adotam restrições à comercialização e à criação de animais exclusivamente para esse fim.

Os visons agora enfrentam os riscos de uma vida que lhes foi negada desde o nascimento. Não há como saber quantos conseguirão sobreviver, nem ignorar os desafios decorrentes de uma libertação sem planejamento público de reabilitação. Mas existe uma diferença fundamental entre morrer dentro de uma gaiola para alimentar uma indústria e ter a oportunidade de buscar abrigo, alimento e liberdade.

Fonte: anda.jor.br

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