Foto: Getty Images/Sandra Standbridge
Mais de 2 mil pombos foram mortos a tiros em estações e depósitos ferroviários do Reino Unido em apenas 16 meses. Dados obtidos pela BBC por meio da Lei de Liberdade de Informação revelam que, entre janeiro de 2025 e abril de 2026, ao menos 2.019 aves foram mortas em instalações administradas por empresas estatais. A prática é desumana e ignora a responsabilidade humana pela presença dessas aves nas cidades.
Os disparos são realizados por profissionais armados com carabinas de ar comprimido, geralmente durante a noite, com o objetivo de exterminar a população de pombos e evitar o acúmulo de sujeira, apontadas pelas empresas ferroviárias como risco à segurança dos passageiros e à saúde pública.
A Estação de York concentrou o maior número de mortes. Sozinha, registrou o assassinato de 608 pombos entre janeiro de 2025 e abril deste ano, sendo 152 aves mortas em um único dia. A operadora London North Eastern Railway (LNER) foi a empresa que mais ordenou matanças no período, com mais de 800 pombos mortos em suas estações, dos quais cerca de três quartos estavam em York.
Sue Joyce, diretora da National Pigeon Advocacy Association, afirma que os pombos carregam uma reputação desproporcional em relação aos riscos que realmente representam. Segundo ela, os próprios animais não são os responsáveis pelo cenário que hoje leva à perseguição de suas populações.
Joyce lembra que os seres humanos domesticaram pombos durante milhares de anos para utilizá-los como mensageiros e fonte de alimento. Apenas após a Segunda Guerra Mundial essas aves passaram a ser amplamente tratadas como pragas urbanas. Para a ativista, a ocupação das cidades pelos pombos resulta diretamente da transformação promovida pelas pessoas, que criaram ambientes favoráveis ao abrigo e à reprodução dessas aves.
Ela também questiona a classificação dos pombos como pragas com base no potencial de transmissão de doenças. Segundo Joyce, diversos animais, assim como os próprios seres humanos, podem ser vetores de enfermidades, o que não justificaria sua eliminação sistemática.
Outro ponto de divergência envolve o sofrimento causado pelos disparos. Joyce afirma que alguns pombos atingidos não morrem imediatamente, permanecendo feridos e colidindo contra estruturas no escuro.
A política de extermínio dos pombos evidencia um dilema recorrente nas cidades, onde animais que se adaptaram a ambientes moldados pelos próprios seres humanos passam a ser eliminados quando sua presença é considerada inconveniente. Investir em medidas preventivas e não letais de manejo, em vez de recorrer à matança, é uma resposta mais ética e compatível com o reconhecimento de que essas aves são seres sencientes, cuja existência não deveria ser reduzida à condição de praga.
Fonte: anda.jor.br
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