(Foto: Leitor)
Quase um mês após a morte do cão comunitário Maninho, cuidadores e voluntários cobram respostas sobre o caso que mobilizou protetores de animais em Balneário Camboriú. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) confirmou ao DIARINHO que abriu uma notícia de fato para apurar o desaparecimento, os ferimentos e a morte do animal, que vivia com a cadela Maninha na praia do Estaleiro.
(Fotos: Leitor)
Apesar da abertura do procedimento, pessoas que acompanhavam os cães dizem que ainda esperam prestar depoimento formal e entregar vídeos, fotos, mensagens, relatos de ameaças e dados dos rastreadores que os cães usavam nas coleiras.
A rede de cuidadores teme que o caso perca força e acabe sem responsabilização, como no caso do cão Orelha. Uma das cuidadoras, que pediu para não ser identificada, contou que acompanhava os cães Maninho e Maninha há cerca de três anos. Segundo ela, os dois dogs apareceram na praia abandonados. Com o tempo, os dogs ganharam uma casinha, ficaram conhecidos e passaram a ser tratados como cães comunitários por intermédio da ONG Viva Bicho.
A cuidadora diz que a estrutura foi montada com ajuda de uma vaquinha e ficava perto do posto de guarda-vidas, ponto que virou referência para a dupla. Eles passaram a receber água, comida, atendimento veterinário e vacinação providenciados pela Viva Bicho, além de cuidados diários de moradores e voluntários.
A rotina era organizada por um grupo de WhatsApp. Os voluntários avisavam quando os cães comiam, trocavam a água, apareciam machucados ou eram vistos em algum ponto da praia.
Maninho e Maninha eram chamados de irmãos por muita gente, mas a cuidadora afirma que Maninha era, na verdade, mãe de Maninho. Os dois viviam juntos desde que chegaram ao Estaleiro e quase nunca eram vistos separados. “Eles eram extremamente amados. Tinham água, comida, vacinação, acompanhamento veterinário e uma rede de pessoas que cuidava deles todos os dias”, contou.
Atritos com pescadores
A exceção, segundo a cuidadora, era um grupo formado por pescadores ligados à pesca da tainha e por uma família que moraria num condomínio de luxo. Ela afirma que eles implicavam com os cães durante a pesca e trabalhavam no condomínio na temporada de verão e atendiam essa família. Tudo porque os animais latiam pra drones usados no monitoramento dos cardumes e atrapalhavam a pesca. A cuidadora diz que, nesse período, ouviu ameaças de que os cães teriam um “fim”. A família, por sua vez, tratava os cães e os cuidadores de forma agressiva.
A situação teria amenizado quando o grupo soube que Maninho e Maninha eram amparados por lei como cães comunitários e que “dar fim” era crime. Quando os cuidadores não tavam por perto os animais eram tratados com gritos e pontapés.
Troca no posto
A relação com os guarda-vidas foi de parceria durante boa parte do tempo em que os cães viveram no Estaleiro. Uma equipe antiga conhecia os dois, sabia quem eram os cuidadores e avisava aos voluntários quando percebia algo diferente. A casinha da dupla também ficava perto do posto de guarda-vidas. A cuidadora afirma que a estrutura foi autorizada no local pelo corpo de bombeiros.
A situação mudou neste ano, após a troca de parte da equipe. Segundo a cuidadora, um guarda-vidas mudou de postura e passou a tratar Maninho e Maninha com hostilidade. Ele questionava a presença dos animais, tentava afastá-los do posto e se aproximou de quem defendia a retirada deles. A tensão aumentou após uma discussão entre cuidadoras e o guarda-vidas, que teria sido flagrado agredindo os cães. A cena foi filmada e divulgada nas redes sociais. Com a repercussão, o corpo de bombeiros teria revogado a autorização e mandado retirar os potes de água e comida de perto do posto. Para as cuidadoras, a retirada dos potes agravou o medo dos cães.
Para as cuidadoras, a retirada dos potes agravou o medo dos cães. A água e a comida ficavam ali por causa da sombra e porque aquele era o ponto de referência de Maninho e Maninha.
Obra aproximou pedreiros de pescadores
Logo depois, uma obra começou perto do posto de guarda-vidas. Segundo a cuidadora, pedreiros passaram a usar a área embaixo da casinha dos bombeiros durante o horário de almoço, justamente no espaço onde antes ficavam os potes de água e comida dos cães.
A cuidadora afirma que os trabalhadores passaram a enxotar e assustar Maninho e Maninha e se aproximaram dos pescadores que já tinham conflito com os animais. Nesse período, os cães demonstravam medo e apareciam com machucados sem explicação. Diante dos indícios de maus-tratos, os voluntários intensificaram os registros com fotos, vídeos e relatos.
Nesse meio tempo, um casal de idosos decidiu adotar os dois. O processo já era encaminhado, e eles se organizavam financeiramente para receber os doguinhos.
As cuidadoras também relatam que sofreram tentativas de intimidação. Conforme o relato, alguns pedreiros e um dos pescadores ligado ao grupo que rejeitava os cães encaravam, debochavam e provocavam as mulheres que cuidavam de Maninho e Maninha.
Com o ponto de descanso ocupado e o clima mais hostil, Maninho e Maninha passaram a evitar a área onde antes bebiam água, comiam e ficavam na sombra. Em dias de calor forte, começaram a ser encontrados na rua ou embaixo de carros, com medo de se aproximar da praia.
Ameaça levou caso à Guarda Municipal de BC
Na semana do desaparecimento, a tensão chegou ao auge, quando foi preciso acionar as forças de segurança para defender os animais. Segundo a cuidadora, um trabalhador da obra ameaçou Maninho e Maninha perto do posto de guarda-vidas. Ela relata que o homem já enxotava os cães no horário de almoço, quando os pedreiros usavam a área embaixo da casinha dos bombeiros. Em uma dessas situações, teria avançado contra os animais e dito que “daria fim” nos dois.
Diante da ameaça, a GM e a diretoria de Combate aos Maus-tratos foram acionadas, ouviram os relatos e registraram a ocorrência. Como não houve flagrante, a orientação foi fazer nova fiscalização no horário dos conflitos. Com medo de nova ameaça, os voluntários instalaram rastreadores escondidos nas coleiras de Maninho e Maninha.
Rastreadores indicaram trajeto incomum
Segundo a cuidadora, na tarde do desaparecimento o pescador já citado foi visto observando Maninho e Maninha na praia. Horas depois, os dois sumiram. Durante a noite, os sinais dos rastreadores indicaram um deslocamento fora da rotina dos animais. Um dos sinais ficou por horas num primeiro endereço fora do caminho habitual. Às 3h14, mudou para o bairro São Judas Tadeu, onde os cães não costumavam ir.
Ao amanhecer, voluntários acionaram a polícia e começaram as buscas. A cuidadora afirma que acompanhou os policiais até a região indicada pelos aparelhos, mas a área tinha várias casas próximas, o que dificultou identificar exatamente onde os cães estavam.
Quando o desaparecimento começou a circular nas redes sociais, os rastreadores voltaram a registrar movimentação. Segundo a cuidadora, por volta das 10h40, o sinal saiu do bairro São Judas Tadeu e apareceu no Morro do Boi, perto da divisa entre Balneário Camboriú e Itapema.
Guardas municipais, policiais e voluntários seguiram para o novo ponto indicado. A região tem área de mata e um penhasco. Para as cuidadoras, a principal suspeita é que Maninho tenha sido jogado desse ponto. Durante as buscas, Maninho chegou a ser visto, mas estava tão sujo e machucado que não foi reconhecido de imediato. Ele só foi encontrado horas depois, muito ferido, desorientado e em estado grave.
Maninha apareceu mais tarde, exausta, depois de caminhar do Morro do Boi até o Estaleiro, onde costumava ficar com Maninho. Nesse intervalo, o celular usado para acompanhar a localização dos dois cães ficou sem bateria, o que dificultou a sequência das buscas.
Para as cuidadoras, os dados dos rastreadores são peças centrais para reconstituir o que aconteceu entre a noite do desaparecimento e o momento em que os cães foram encontrados.
Deboche
Enquanto acompanhava os sinais dos rastreadores, a cuidadora voltou ao Estaleiro para ver se os cães tinham retornado. Segundo ela, ao passar perto da obra, um trabalhador saiu com parte do rosto coberta por uma camiseta e debochou: “a otária já está lá esperando”.
Para a cuidadora, a frase reforçou a suspeita de envolvimento. “Como eles sabiam que os dogs não estavam lá?”, questiona. Ela também afirma que, “por coincidência”, o pescador visto rondando a área no dia anterior chegou à praia junto com os demais trabalhadores da obra.
Maninho morreu após cirurgia
Depois de ser encontrado, Maninho foi levado para atendimento veterinário. Segundo os cuidadores, ele tinha vários ferimentos, ficou internado e passou por uma cirurgia, mas não resistiu e morreu na clínica.
Desde a morte de Maninho, os voluntários relatam que Maninha apresenta tristeza profunda, apatia e desorientação.
“Ele era parte da comunidade, era amado por muita gente. O mínimo que esperamos é que tudo seja investigado e que quem fez isso responda pelos seus atos”, afirmou uma das cuidadoras, entre lágrimas.
O que diz a prefeita
A prefeita Juliana Pavan (PSD) afirmou ao DIARINHO que acompanha o caso pessoalmente desde o início. Segundo ela, a GM fez um esforço importante para localizar Maninho e Maninha, participou do resgate e fez a coleta inicial de informações.
Juliana disse que mantém diálogo com a polícia civil para que as circunstâncias sejam esclarecidas e que os responsáveis sejam punidos, caso haja culpados. “Seguirei pedindo respostas”, afirmou.
A prefeita também informou que a prefeitura estuda ações para ampliar a proteção aos animais comunitários em Balneário Camboriú. Entre as medidas estão a identificação das casinhas, com indicação de que os animais são protegidos por lei, e a possibilidade de ampliar o uso de rastreadores.
O que diz o MP
O Ministério Público de Santa Catarina informou que a 5ª Promotoria de Justiça de Balneário Camboriú instaurou, em 8 de junho, uma Notícia de Fato para apurar o caso.
Segundo o MP, a apuração está em fase preliminar e busca esclarecer, com base em elementos técnicos e oficiais, as circunstâncias do desaparecimento, dos ferimentos e da morte de Maninho.
O órgão informou que solicitou informações ao município, forças de segurança, órgãos ambientais, responsáveis pela BR 101, entidade de proteção animal e profissionais que atenderam o cão. O objetivo é reunir elementos para definir medidas nas áreas administrativa, civil e criminal.
Delegado não fala em “ano político”
A reportagem do DIARINHO foi até a 3ª Delegacia de Polícia de Balneário Camboriú para tentar conversar com o delegado Saverio Sarubbi, responsável pelo caso.
O delegado não recebeu a reportagem. Ele informou que não comentaria o caso porque a investigação está em andamento e também citou o “ano eleitoral” como motivo
Por Camila Diel
Fonte: Diarinho
GRATIDÃO POR ESTAR CONOSCO....... VOCÊ ACABOU DE LER UMA MATÉRIA EM DEFESA DOS ANIMAIS.
COLABORADORES ( AS ) DO BLOG :
CONSULTÓRIO VETERINÁRIO DR MACELO LINS EM MACEIÓ ( 82 99981 5415 ) & PET SHOOP KÃES & KÃES ( gatinho meia noite da minha amiga Gabriela Galdino )
Mundo Animal ano XXVI na Mares do Sul FM 87,9 de Marechal Deodoro Alagoas aos sábados das 08:00h às 09:00h. E todos os dias às 10:00h. e às 16:00h., um boletim do Mundo Pet no www.gentedagente.maceio.br ( gatinho Theodoro da minha amiga Gabriela Galdino )
VEREADORA TECA NELMA DEFENSORA DA CAUSA ANIMAL & VEGETARIANA
www.estudarparaoab.com.br ( VILAÇA CURSOS )
Clinica veterinária Clinshop Maceió ANO VI (82) 99675 8715 ( castração de felinos de 16 a 30 de junho & internamento 24 horas )
VEREADORA OLIVIA TENÓRIO
TUBARÃO BEBIDAS E GALETERIA NA RUA VICENTE CELESTINO 628 NA SANTA LUCIA EM MACEIO ALAGOAS ( @tubaraofrangonabrasaoficial )






Nenhum comentário:
Postar um comentário