Veterinária informa que não é comum encontrar felinos com leptospirose, mas pode ocorrer (Foto: reprodução)
A leptospirose é uma doença infecciosa causada por bactérias do
gênero Leptospira
spp capaz de infectar animais e pessoas, sendo assim,
reconhecida e denominada como zoonose.
A
médica-veterinária doutoranda no Programa Sociedade, Tecnologia e Políticas
Públicas em saúde SOTEPP-UNIT-AL, diretora Técnica da Secretaria Do Bem-Estar
Animal-SEBEA-Maceió-AL, membro da Comissão de Saúde Pública do CRMV-AL e
conselheira no Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Evelynne
Hildegard Marques de Melo, elucida que as bactérias do gênero Leptospira
spp estão distribuídas no ambiente em variedades chamadas
cientificamente de “Sorovares”, que são adaptados às espécies de animais.
Há
um relativo equilíbrio natural em que as espécies de animais adaptadas se
tornam portadoras, segundo a profissional, porém sem manifestar doença grave.
“O acometimento ocorre diante do somatório de fatores que são: animais
portadores da bactéria em fase de eliminação via urina e aspectos relativos ao
meio ambiente com situações que permite acúmulo de água, onde as bactérias
ficam disponíveis aos contatos de animais e pessoas”, explica.
Como reitera a profissional, Leptospiras spp são
bactérias eliminadas via sistema urinário, o que permite que alguns animais
sejam infectados por meio do contato com as bactérias dispersas em água parada
contendo urina de outros animais positivos. “Por exemplo, os ratos possuem o
sorovar icterohaemorrhagiae adaptados
à espécie e eliminados via urina, contudo este sorovar tem potencial grave e,
muitas vezes, fatal para outras espécies, como o homem e os cães domésticos”,
exemplifica.
Sobre
este exemplo, Evelynne lembra que os momentos mais críticos para infecção são
os períodos de chuva intensa, com alagamento de áreas urbanas, onde as águas
contendo urina de rato emergem à superfície, proporcionando um contato das
bactérias com animais e pessoas que tenham contato com essas águas.
Atenção aos
sinais!
Em cães domésticos, principalmente os não vacinados, a médica-veterinária conta que a leptospirose pode se apresentar com sinais de febre, perda de apetite, vômito e, muitas vezes, presença de icterícia, aspecto amarelado das mucosas, pele e conjuntiva bulbar (olho), além de hemorragias na cavidade oral com possível faringite e necrose.
“Curiosamente,
os equinos são considerados assintomáticos, ou seja, adquirem a infecção,
porém, raramente se percebe sinais de doença e há relatos documentados de que
uma uveíte pode ser característica simbólica de infecção por leptospira
spp. É importante compreender as manifestações em diferentes
espécies, justamente, pela interação possível entre elas. Nos centros urbanos,
temos presença desordenada de equinos (utilizados para tração de carroças) e
cães domésticos muito próximos de pessoas, além dos ratos que são comuns em
ambientes insalubres”, salienta.
Evelynne
informa que há estudos no Brasil destacando que 70% de pessoas acometidas por
leptospiroses estão ligadas às atividades de coleta seletiva de material
reciclável, onde podemos observar o grave cenário brasileiro em relação à
manutenção da atividade de carroceiros. “Sempre observamos cães junto aos
carroceiros e, por sua vez, a criação destes animais ocorre com deficiência de
manejo ambiental e profilático”, menciona.
Atenção deve ser redobrada em épocas de chuva, pois as leptospiras spp são bactérias que ficam dispersas em poças de água (Foto: reprodução)
Já nos humanos, os sinais envolvem, frequentemente, dor de
cabeça, dor muscular, principalmente nas panturrilhas, falta de apetite e
enjoos com episódios de vômitos e há alto risco de óbito.
Devo me
preocupar com meu gato?
Quando
questionada sobre a susceptibilidade de gatos à doença, Evelynne comenta que
não é comum encontrar felinos com leptospirose, mas pode ocorrer.
“Anteriormente, os gatos eram tidos como refratários ou resistentes, contudo já
há relatos de felinos positivos e com leptospiúria (eliminação da bactéria na
urina). Devemos lembrar que há particularidades desta espécie que os permite
não participar da epidemiologia para transmissão a outras espécies, uma vez que
a bactéria é, normalmente, eliminada na urina e o gato é uma espécie que tem
preocupação em enterrar suas fezes e urina. Isso colabora para a não exposição
no ambiente”, declara.
Além
disso, a veterinária diz que os felinos têm hábito predatório para ratos como
natureza e, com isso, observa-se baixo índice de desenvolvimento da doença
grave ou letal, por isso, se diz que os felinos são resistentes. “Os cães são
bem sensíveis ao soroar icterohaemorrhagiae (adaptado
aos ratos) e, com isso, a infecção acontece frequentemente devido ao contato
com águas de esgotos e valetas”, indica.
Épocas de chuva
A
veterinária revela que, na clínica de cães e gatos, os cães são os mais
atendidos com leptospirose. “Os antibióticos como penicilinas estão entre os
tratamentos recomendados, bem como estreptomicinas. Fluidoterapia também deve
ser associada com terapêuticas de suporte. Além disso, há necessidade de exames
laboratoriais para acompanhar os parâmetros marcadores de gravidade como ureia,
creatinina, por exemplo”, frisa.
E
a atenção deve ser redobrada em épocas de chuva, pois, segundo Evelynne, as leptospiras
spp são bactérias que ficam dispersas em poças de água. “São
bactérias espiraladas e giratórias, de modo que isso permite sua penetração na
pele íntegra de pessoas ou animais em contato com a água”, adiciona.
Na
visão da profissional, a melhor maneira de promover conscientização das pessoas
quanto à leptospirose é falando sobre a prevenção da doença nos animais: “E
isso se faz com a vacinação. Também é preciso promover educação ambiental
permanente e sempre explicar os riscos de transmissão durante consultas”,
aconselha.
Ainda
sobre proteção, a veterinária afirma que a maneira mais adequada de prevenção
para cães é a vacinação (polivalente). “Deve ser anual para cães que vivem em
áreas de risco reduzido e a cada seis meses para cães que tenham mais contatos
com áreas abertas, como chácaras, sítios e casas com jardim”, finaliza.
Cláudia Guimarães, da redação
claudia@ciasullieditores.com.br
Por: www.caesegatos.com.br
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