Fotos: Arquivo Pessoal
A utilização de
animais em rituais continua sendo frequente em Xanxerê. Praticamente toda
semana, a redação do Lance Notícias recebe imagens deste tipo de
situação. Na maioria das vezes, os rituais ocorrem nas estradas do
interior da cidade.
Por isso, o cacique de umbanda Felippe Scopel da
Tenda Espírita São Miguel Arcanjo de Xanxerê entrou em contato com a equipe de
reportagem para relatar que o grupo é contra a prática de sacrifício de animais
em rituais. O grupo inclusive, fez um comunicado para alertar a população sobre
o assunto.
– Nós resolvemos nos manifestar sobre todos esses
sacrifícios de animais que estão ocorrendo nas estradas do nosso município e
dizer que isso não tem nada a ver com a nossa religião que é a umbanda. Então
resolvemos publicar um comunicado porque a nossa religião já é muito
discriminada e daí acontece todo esse tipo de situação e quem é leigo, por
exemplo, acaba misturando tudo sobre a umbanda – diz o cacique de umbanda,
Felippe Scopel.
Por Felipe Bastos
Fonte: Lance Notícias
Nota do Olhar Animal: Anos atrás,
quando o site Olhar Animal reproduziu uma notícia de que um religioso do Rio
Grande do Sul se auto declarava “umbandista” e defendia o sacrifício de
animais, recebemos mensagens de seguidores desta religião afirmando que o
sacrifício de animais contraria a filosofia umbandista. Disse um deles: “Se tem
sacrifício de animais não é umbanda.”, manifestação similar à feita na matéria
acima. O episódio revelou o uso diverso do termo “umbanda” para práticas
religiosas distintas, o que certamente confunde o público leigo. De qualquer
forma, entendemos que não se opor a práticas que causam sofrimento aos animais
e que resulta na morte destes é ser conivente. Não defender o mais fraco diante
da opressão é o mesmo que se postar ao lado do opressor. Esclarecendo que ser
contra uma determinada prática religiosa não significa ser contra a religião
como um todo. A questão é exclusivamente uma determinada prática, que resulta
na tortura e morte dos animais. E prática alguma que desconsidere os interesses
fundamentais de seres sencientes pode ser considerada correta, sejam estes
seres humanos ou não. A conivência com maus-tratos e morte dos bichos revela um
profundo especismo posto que, fossem as vítimas seres humanos, supõem-se que os
religiosos manifestariam sua oposição. Dizer algo como “não torturamos nem
assassinamos animais, mas não nos importamos que outros façam isso” revela
apenas a preocupação de auto proteção, em nada altruísta.


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