Um laudo preliminar, feito por peritos da Universidade de São
Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), concluiu que o
proprietário da Fazenda Água Sumida, onde foram encontradas mais de mil búfalas
em situação de maus-tratos, em Brotas (SP), agiu de forma negligente ao não
demostrar preocupação com seu rebanho, com os rebanhos vizinhos, com a saúde
pública, poluição ambiental e a fauna nativa.
O documento assinado pela bióloga e perita ambiental Eryka
Zolcsák de Sousa foi entregue na quarta-feira (8) ao delegado Douglas Brandão,
responsável pelo caso.
Em nota, a nova defesa do proprietário da fazenda, Luiz Augusto
Pinheiro de Souza, informou que assumiu a poucos dias o caso e que assim que
tiver acesso a todo acervo irá enviar as considerações. (Veja abaixo nota na
íntegra.)
Novas punições
De acordo com a perita, cabe aos órgãos competentes
a devida punição e multas, bem como o correto manejo da saúde e bem estar do
rebanho.
Em até 30 dias, Eryka e a equipe de patologistas da
USP e da Unesp devem entregar o laudo completo das necropsias realizadas no
local e dos animais enviados à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia
(FMVZ).
·
A equipe constatou
que o escore corporal dos animais encontrados, bem como as condições físicas,
são incompatíveis com o correto manejo e bem estar da espécie – que se encontra
em estado de desnutrição;
·
Ainda foi apontado
que, por falta de planejamento do proprietário, não houve a rotação de pasto,
atividade que deve ser executada durante o período de estiagem;
·
Os pesquisadores
compararam os rebanhos vizinhos com as búfalas da Fazenda Água Sumida e
constataram que a seca deste ano não é um motivo plausível para que os animais
estivessem nas condições encontradas.
·
Além disso, o
documento aponta que o processo de continuação da inseminação dos animais,
mesmo que em estado caquético, bem como o armazenamento de sêmen, são indícios
da crueldade que as búfalas eram submetidas, já que mesmo com escore corporal
abaixo do ideal, elas eram obrigadas a gerar filhotes.
·
O laudo da
necropsia feito nas búfalas “frescas”, que foram encontradas mortas no mesmo
dia ou no dia anterior, apresentaram atrofia serosa da gordura em tecido
subcutâneo e na camada que recobre diversos órgãos.
·
Segundo os
pesquisadores, a atrofia é indicativo de que os animais passaram por longo
período sem alimentação suficiente, o que fez com o que o organismo utilizasse
a gordura disponível no corpo como fonte de energia.
·
“As condições às
quais os animais foram submetidos foram tão adversas, que, mesmo animais
internados em um hospital de campanha, recebendo todos os cuidados veterinários
necessários por 20 dias, além de alimento e água em quantidade e qualidade
necessárias, não conseguiram se recuperar”, escreveram em um dos trechos.
·
Os peritos
concluíram preliminarmente que uma das valas encontradas está a 240 metros de
uma nascente de água, o que pode causar uma possível contaminação de lençol
freático.
·
Uma outra vala, em área
de pasto, estava aberta, o que pode transmitir doenças ao animais vivos, tanto
do rebanho, como em animais silvestres nativos.
·
A área também
estava repleta de urubus, o que pode levar zoonoses aos demais rebanhos e até
pessoas no entorno da fazenda.
·
Com relação à
estrutura, os pesquisadores constataram que o local vai totalmente contra a
instrução normativa nº 76/2018, do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, incluindo a casa de armazenamento/refrigeração e sala de
ordenha, além de medicações vencidas.
·
O laudo preliminar
sugere que seja aberto um processo de investigação para verificar laudos de
qualidade do leite, sendo necessário que o proprietário apresente o controle de
qualidade de água de entrada e do leite de saída, além da vacinação e controle
do rebanho até o mês de março – data que foi encontrada a última nota da venda
de leite.
De
acordo com os peritos, caso os documentos não sejam apresentados, a
investigação deverá detectar crime contra a saúde pública.
Os
peritos declararam que não foi apresentado nenhum dado de controle dos animais,
como natalidade e mortalidade, e que os brincos não estão registrados em nenhum
órgão e também não foi apresentada a vacinação do rebanho.
Por
conta da possibilidade de contaminação, eles sugeriram a imediata testagem dos
animais para identificar doenças infecto-contagiosas e de zoonoses, além da
quarentena dos bichos e abate da vaca que estiver contaminada.
Em nota, os advogados
Rodrigo Carneiro Maia e Rubens Oliveira, responsáveis pela defesa do
fazendeiro, disseram que assumiram o caso há poucos dias e estão tendo acesso
ao processo. Leia abaixo.
“Na condição de advogados do Sr. Luiz Augusto Pinheiro de Souza,
informamos que assumimos a poucos dias a defesa técnica dele, nos feitos
instaurados de natureza criminal. Ainda estamos acessando as investigações bem
como faremos o formal contato com a autoridade policial competente.
Tão logo tenhamos acesso a todo o acervo documental enviaremos
nossas considerações, as quais, agora serão descontextualizadas. O quadro
apresenta gravidade e junto com um corpo técnico e jurídico estão sendo tomadas
várias diretrizes em vários ângulos visando a retomada da situação posta”.
Fotos:
Reprodução/TV Globo
Fonte: G1
Programa Mundo Animal na
rádio Mares do Sul 87,9 de Marechal Deodoro Alagoas das oito as nove aos sábados.( está no
aplicativo rádios net e no
www.mundoanimalmaceio.com.br)
” Quem não ama os animais jamais vai amar
o semelhante”.
Colaboradores do blog:
Vereadora Teca Nelma
Consultório veterinário dr Marcelo
Lins 99981 5415
@defesaanimalemacao
Comissão do Bem Estar Animal da OAB
Alagoas- presidente dra Rosana Jambo
Nenhum comentário:
Postar um comentário