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quarta-feira, 5 de maio de 2021

Supermercados europeus ameaçam boicote a produtos brasileiros

 

Mariana Dandara | Redação ANDA


Supermercados europeus e britânicos ameaçam boicotar produtos brasileiros por conta de um projeto de lei, conhecido como “PL da Grilagem”, e denunciam que a aprovação da proposta facilitaria a privatização de terras, o que condenaria a floresta amazônica a níveis de desmatamento ainda maiores do que os atuais.

Para alertar os congressistas brasileiros, uma carta aberta foi escrita pelo grupo de empresas. Dentre elas, as grandes redes de supermercados britânicos Tesco, J Sainsbury, Marks & Spencer, a alemã Aldi, empresas de produção de alimentos como a National Pig Association, além do fundo público de previdência sueco AP7 e de outros gestores de investimentos.



Na carta, os 38 signatários afirmam que o projeto de lei apresentado em abril – após o arquivamento no ano passado de proposta similar apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) – é “extremamente preocupante”. As empresas comentam que a proposta apresenta “ameaças potencialmente ainda maiores para a Amazônia que antes”.

O Projeto de Lei repudiado no documento é o PL 510/2021, conhecido como “PL da Grilagem”. A proposta recebeu esse nome porque críticos do projeto, incluindo ambientalistas e políticos, apontam que a medida facilitaria a grilagem de terras – isso é, a falsificação de documentos feita por pessoas com o intuito de, ilegalmente, tomar posse de terras devolutas ou de terceiros.



De acordo com o site do Senado brasileiro, a proposta prevê a “regularização fundiária, por alienação, ou concessão de direito real de uso, das ocupações de áreas de domínio da União; estabelece como marco temporal de ocupação a data de 25 de maio de 2012, quando foi editado o Código Florestal” e “amplia a área passível de regularização para até 2.500 hectares; dispensa vistoria prévia da área a ser regularizada, podendo ser substituída por declaração do próprio ocupante”.

Desmonte ambiental

Na carta, as empresas denunciam também o aumento do desmatamento no Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro, marcado, inclusive, por queimadas sem precedentes no Pantanal.

“Ao longo do último ano, assistimos a uma série de circunstâncias que provocaram níveis extremamente elevados de incêndios florestais e desmatamento no Brasil”, denunciam os signatários do documento, que consideram também que “as proteções existentes” na legislação brasileira são “fundamentais” para garantir o cumprimento de compromissos ambientais por parte das empresas. E, caso as legislações deixem de existir, os signatários afirmam que não terão “outro remédio a não ser reconsiderar nosso apoio e uso da cadeia de abastecimento de produtos agrícolas brasileiros”.

Destruição ambiental e milhões de animais mortos

Em 2020, o desmatamento na Amazônia bateu recorde, tendo alcançado a marca de maior desmate ocorrido na floresta amazônica nos últimos 12 anos. Foram 11.088 km² desmatados entre agosto de 2019 e julho de 2020, números superiores aos registrados desde 2008, quando 12.911 km² foram devastados. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No caso do Pantanal, destruído no ano passado por incêndios florestais, estimativas preliminares mostram um estrago avassalador na fauna da região: o fogo, de origem criminosa, destruiu 26% do Pantanal e matou mais de 10 milhões de animais.

Foto: Ernane Júnior

Fonte: anda.jor.br

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