Blue e Babalu, que perderam os tutores para a Covid-19, chegarão
ao seu novo lar, em Sertãozinho (SP), na terça-feira (4). As cadelas foram adotadas pelo vendedor Darlei de Souza,
que conheceu a história delas ao ler uma reportagem publicada
pelo G1.
A dupla vivia há oito anos com a cuidadora de idosos Natalina de
Fátima Aparecida e o aposentado José Teófilo Ferreira Batista, que morreram
entre fevereiro e março. Como o imóvel precisa ser entregue ao locatário esta
semana, os animais precisaram encontrar um novo lar.
O filho do casal, Ronaldo Ferreira Batista, ia diariamente à
casa dos pais para alimentar e brincar com as cadelas. Ele não podia adotá-las
porque não há espaço em seu apartamento e, devido à alta demanda de trabalho,
precisaria deixá-las sozinhas o dia todo.
A adoção, porém, não foi um adeus para a antiga família. Entre
dezenas de mensagens que recebeu de interessados em adotar Blue e Babalu,
Ronaldo optou por Darlei, que vive a poucos minutos de distância, para se
manter próximo das cadelas.
“Teve gente até de São Paulo que queria adotar. A gente preferiu
o Darlei, porque, além de ser próximo, ele se dispôs a criar um vínculo entre a
nossa família e a dele, para que a gente pudesse estar sempre presente na vida
de Blue e Babalu”, diz Ronaldo.
O casal tinha ainda um gato, Sheldon, que foi adotado pela avó
de Ronaldo, além de outra cachorra, a Debby, adotada por seu irmão, que também
não tinha espaço para Blue e Babalu. Ronaldo celebra a possibilidade de manter
contato com os pets, devido à proximidade com os três novos tutores.
Novo lar
Na casa de Darlei, que vive com a esposa e a enteada, Blue e Babalu terão a
companhia dos cães Valente e Gigante, além das gatas Charlote e Nala, que a
família encontrou nas ruas de Sertãozinho e adotou nos últimos anos.
Criado rodeado de cães e gatos, o vendedor diz que sempre há
espaço para mais um pet em sua casa, ainda mais que Ronaldo se dispôs a ajudar
com os gastos com ração e eventuais medicamentos que Blue e Babalu possam vir a
precisar.
“Ronaldo
e a família podem vir ver as cachorrinhas e até levá-las para passear, porque,
apesar de serem animaizinhos, elas têm sentimento. Vou enviar fotos e vídeos
delas para ele todos os dias”, promete.
Preocupada, a família
não deixa os pets sozinhos nunca. Apesar de Darlei e a esposa precisarem sair
para trabalhar, a enteada fica com seus xodós. A família afirma que a companhia
dos animais é capaz de melhorar o dia a dia em casa.
“Eles
trazem mais coisas boas para nós do que a gente para eles. Dou amor, lar,
comida e água, mas o que eles nos dão é muito maior que isso. Não tem dia ruim
para eles. Cuidar deles é terapêutico”, diz Darlei.
A percepção de Darlei
reverbera no que pensa Ronaldo, que é psicólogo. Aproveitando a atenção que a
história de Blue e Babalu despertou entre os internautas, ele reforça que
adotar um animal pode trazer benefícios ao bem-estar emocional.
“A
presença do cachorro e do gato em casa ajuda até mesmo pessoas em tratamento
contra depressão e ansiedade. Acariciar um animal é terapêutico. Mesmo com tudo
que aconteça, sempre haverá alguém à sua espera”, diz.
Foto: Luciano Tolentino/EPTV
Por Pedro Martins
Fonte: G1
Nota do Olhar Animal: São bem raros os
gestos de solidariedade das pessoas sem a pretensão de levar algum tipo de
vantagem, sem que vislumbre estas vislumbrem alguma contrapartida. De qualquer
forma, o importante é que os cães recebam cuidados e carinho.



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