Mariana Dandara | Redação ANDA
Lobinho e sua tutora Adriana (Foto: Cris Mattos)
A Prefeitura de Belo Horizonte,
em Minas Gerais, identificou um aumento de 91,2% nos casos de abandono de
animais em comparação com 2019. Já são 24 ocorrências registradas neste ano
pela administração municipal. Em todo o país, o aumento foi de 70% em 2020,
segundo dados da ONG AMPARA Animal.
Um desses casos é o de Lobinho,
um cachorro sem raça definida abandonado em uma estrada. Ao questionar o antigo
tutor do animal, a servidora pública e coordenadora do Movimento Mineiro pelo
Direito dos Animais, Adriana Araújo, de 50 anos, teve que ouvir o homem dizer
que sua sogra havia falecido e que ele não tinha intenção de adotar o animal e,
por isso, o abandonou.
“Abandonou em dois tempos, sem
nem pensar”, disse Adriana ao portal O Tempo. A servidora resgatou Lobinho com
a intenção de lhe oferecer lar temporário, mas acabou adotando-o
definitivamente. “Ele sentiu dois lutos, o da morte da tutora e o do abandono
da família. Felizmente, hoje está feliz, e eu mais ainda”, disse.
Veterinária e gerente de projetos
da AMPARA Animal, Rosângela Ribeiro soube de vários casos de animais que foram
abandonados ou perderam seus tutores durante a pandemia, como aconteceu com a
cadela Mocinha, que deu à luz na rua após sua família inteira morrer em
decorrência da Covid-19. “Felizmente, a história teve um desfecho feliz, pois
conseguimos ótimas adoções”, disse a protetora de animais.
“Muitas pessoas têm perdido seus
empregos, suas casas, mudado de cidade e acabam abandonando os animais. Temos muitos
casos em que o tutor morre por Covid, e os filhos descartam o animal, que até
outro dia era membro da família”, lamentou a veterinária.
O abandono configura crime em
qualquer circunstância, inclusive quando ocorre a morte do tutor do animal. É o
que explicou a advogada especialista em direitos animais Maria Antônia Cândido.
“Maus-tratos não são só agressão. O abandono também é. A pessoa priva o animal
de alimentação e o coloca em risco nas ruas”, afirmou a especialista, que
reforçou que, no caso de morte do tutor, a família tem a obrigação legal de se
responsabilizar pelo animal.
Presidente da ONG Cão Viver,
Marize Campelle lembrou que “a questão financeira, o desemprego tem feito
aumentar o abandono”. Mas asseverou que essas situações não justificam o
abandono. “Caso você não possa ficar com o animal, procure um amigo ou um
familiar ou ainda um lar temporário. Abandonar, jamais”, disse.
Em caso de abandono, o maior
prejudicado é o animal, que além de passar dificuldades e enfrentar riscos na
rua, sente saudades de quem o abandonou. “Quem sofre mais é o animal, que sente
a morte do tutor e também o abandono. Alguns param de comer, de brincar. Eles
fazem parte da família, assumam a guarda por respeito ao ente que considerava
esse animal”, frisou a superintendente de Proteção Animal de Betim, Roberta
Cabral.
Fonte: anda.jor.br

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