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quarta-feira, 19 de maio de 2021

Pandemia deixa animais órfãos e eleva abandono de animais em 91% em Belo Horizonte (MG)

 

Mariana Dandara | Redação ANDA


Lobinho e sua tutora Adriana (Foto: Cris Mattos)

A Prefeitura de Belo Horizonte, em Minas Gerais, identificou um aumento de 91,2% nos casos de abandono de animais em comparação com 2019. Já são 24 ocorrências registradas neste ano pela administração municipal. Em todo o país, o aumento foi de 70% em 2020, segundo dados da ONG AMPARA Animal.

Um desses casos é o de Lobinho, um cachorro sem raça definida abandonado em uma estrada. Ao questionar o antigo tutor do animal, a servidora pública e coordenadora do Movimento Mineiro pelo Direito dos Animais, Adriana Araújo, de 50 anos, teve que ouvir o homem dizer que sua sogra havia falecido e que ele não tinha intenção de adotar o animal e, por isso, o abandonou.

“Abandonou em dois tempos, sem nem pensar”, disse Adriana ao portal O Tempo. A servidora resgatou Lobinho com a intenção de lhe oferecer lar temporário, mas acabou adotando-o definitivamente. “Ele sentiu dois lutos, o da morte da tutora e o do abandono da família. Felizmente, hoje está feliz, e eu mais ainda”, disse.

Veterinária e gerente de projetos da AMPARA Animal, Rosângela Ribeiro soube de vários casos de animais que foram abandonados ou perderam seus tutores durante a pandemia, como aconteceu com a cadela Mocinha, que deu à luz na rua após sua família inteira morrer em decorrência da Covid-19. “Felizmente, a história teve um desfecho feliz, pois conseguimos ótimas adoções”, disse a protetora de animais.

“Muitas pessoas têm perdido seus empregos, suas casas, mudado de cidade e acabam abandonando os animais. Temos muitos casos em que o tutor morre por Covid, e os filhos descartam o animal, que até outro dia era membro da família”, lamentou a veterinária.

O abandono configura crime em qualquer circunstância, inclusive quando ocorre a morte do tutor do animal. É o que explicou a advogada especialista em direitos animais Maria Antônia Cândido. “Maus-tratos não são só agressão. O abandono também é. A pessoa priva o animal de alimentação e o coloca em risco nas ruas”, afirmou a especialista, que reforçou que, no caso de morte do tutor, a família tem a obrigação legal de se responsabilizar pelo animal.

Presidente da ONG Cão Viver, Marize Campelle lembrou que “a questão financeira, o desemprego tem feito aumentar o abandono”. Mas asseverou que essas situações não justificam o abandono. “Caso você não possa ficar com o animal, procure um amigo ou um familiar ou ainda um lar temporário. Abandonar, jamais”, disse.

Em caso de abandono, o maior prejudicado é o animal, que além de passar dificuldades e enfrentar riscos na rua, sente saudades de quem o abandonou. “Quem sofre mais é o animal, que sente a morte do tutor e também o abandono. Alguns param de comer, de brincar. Eles fazem parte da família, assumam a guarda por respeito ao ente que considerava esse animal”, frisou a superintendente de Proteção Animal de Betim, Roberta Cabral.

Fonte: anda.jor.br

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