Pages - Menu

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Famílias acusam hospital veterinário de maltratar animais em Maceió (AL)

 

Mariana Dandara | Redação ANDA


O Hospital Veterinário do Trabalhador (HVT) está sendo acusado de maltratar e negligenciar animais em Maceió, no estado de Alagoas. As denúncias foram feitas por famílias que levaram animais ao local para receber atendimento médico. O HVT nega as acusações (confira a nota da empresa ao final da reportagem).

Um dos denunciantes é Ronald Mickael, tutor do cachorro Lock, um husky siberiano de 7 meses que morreu após ser internado na clínica com uma fratura em uma das patas. A internação teria ocorrido no dia 17 de abril, depois do cão fraturar a tíbia em um acidente doméstico. Após um veterinário de plantão examinar o animal, foi indicada uma cirurgia, realizada no dia seguinte.

“Depois de 8 a 10 dias com a primeira cirurgia realizada, o cão começou a ficar com um cheiro podre de carne. O ambiente do hospital também estava sujo, mistura de xixi e fezes que estavam há muito tempo por lá. O médico deixou ele [o cão] internado lá e foi para casa da família, em Sergipe, e sem nenhum acompanhamento. No total paguei R$ 2.888 pela cirurgia, efetuei o pagamento e os funcionários recomendaram não levar o cachorro para casa porque ele poderia piorar, e que eu ia ser o responsável pela morte dele”, relatou Mickael ao G1.

Dias depois, na terça-feira (27), Lock piorou e foi operado novamente no sábado (1º), dia em que o veterinário responsável pela clínica já havia retornado para Maceió.

“Quando fui lá no hospital ver o Lock, eu senti um fedor de podre, vi uma cena deplorável, o cachorro estava sempre úmido. Na hora que peguei ele no colo vi que ele tinha defecado sangue nas minhas pernas. Foi nesse momento que achei um absurdo”, disse o tutor.



O quadro de saúde do cachorro, entretanto, não parava de piorar. Foi então que o médico veterinário que operou Locki afirmou que ele estava com uma bactéria no estômago denominada parvovirose canina. O tutor denuncia que o animal era mantido em um ambiente pequeno e quente, sem refrigeração, com fezes de outros animais doentes pelo chão.

“Eles [os funcionários] estavam supondo que o cachorro teve Pavorvirose, uma bactéria no estômago. Eles fizeram exame na segunda-feira, mas até agora não tive acesso a essa documentação. Eu não tenho confiança lá. O filho do dono também estava lá [no hospital] e disse que a gente fosse procurar nossos direitos, debochando. Um absurdo”, contou Mickael ao relatar o episódio que diz ter vivido depois de receber um telefonema, na última terça-feira (4), por meio do qual o cirurgião da clínica teria informado a morte do husky.

Indignado, o tutor publicou um vídeo nas redes sociais. Nas imagens, Locki aparece morto em uma mesa de cirurgia, dentro de um saco plástico. Em meio a muitas lágrimas, Mickael acaricia o pelo do animal enquanto seu pai cobra explicações dos funcionários da clínica.

Cadela sacrificada após diagnóstico de cinomose

Outra cliente do hospital também relatou ao G1 um possível caso de negligência. Resgatada da rua em 2017, Nina precisou ser internada na clínica em abril deste ano após Ilda Lourenço, sua tutora, notar um inchaço na barriga do animal. No estabelecimento, foi dito para a família que a cadela precisaria ser operada por estar com um problema no útero.

“Ela passou uns dias na clínica. Eles [funcionários da clínica] não cuidavam direito da cachorra. Minha mãe tinha que ir todo dia dar de comer pro animal, cuidar dela porque os funcionários não faziam isso. Após uma semana eles deram alta, só que ela continuou em casa muito mal e muito fraca, eles passaram remédios, mas passaram mais dias e ela não estava melhorando”, contou Ilda.

Depois de receber alta com a indicação de tomar suplementos, a cadela foi levada para casa e piorou, tendo ficado fraca, desorientada e com tosse, segundo a tutora. Levada novamente ao hospital, Nina foi operada mais uma vez, tendo sido submetida a um procedimento que custou R$ 2 mil.

Preocupada com o bem-estar da cadela, a família decidiu levá-la para outra clínica veterinária. Após novos exames, foi constatado que Nina estava com cinomose e que não poderia ter sido operada por estar com a imunidade baixa.

“A gente levou para outra clínica para saber a verdadeira causa. A veterinária falou que ela não estava em condições nenhuma de fazer cirurgia porque ela estava com imunidade baixa. A médica falou que ela estava em um estágio avançado, com Cinomose, e o quadro dela era irreversível. Para não deixar ela sem andar e correr, optamos por realizar a eutanásia”, contou Ilda, emocionada.

Outras denúncias

Locki e Nina não foram os únicos animais que passaram pela clínica com tutores insatisfeitos com o serviço prestado. Na publicação de Mickael nas redes sociais, diversos internautas relataram casos vividos por eles ou por pessoas próximas envolvendo maus-tratos e negligência a animais.

Outras denúncias foram recebidas pela advogada da Comissão do Bem-estar Animal da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Alagoas (OAB-AL), Rosana Jambo. “Inúmeros casos já nos chegaram e nós informamos ser necessário registrar a queixa na polícia e também iniciar o processo ético disciplinar contra o médico (dono do hospital). Formalmente, quem tem os dados são o Conselho Regional de Medicina Veterinária e a Polícia. Tenho vídeos e relatos diversos de animais cirurgiados sem anestesia. Animais que vieram a óbito sem tratamento, maltratados”, relatou ao G1.

Segundo a advogada, o responsável pela clínica pode ser processado pelo crime de maus-tratos a cães e gatos, com pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa. Por ser veterinário, ele também poderá responder por erro médico e negligência, além de receber um processo ético disciplinar do CRMV-AL.

O caso será investigado pela Polícia Civil. De acordo com o delegado Leonam Pinheiro, o proprietário do estabelecimento foi intimado. “A gente vai abrir um procedimento investigativo, o boletim de ocorrência já foi instaurado, os tutores do animal já foram ouvidos, como também outras pessoas foram ouvidas. O dono do local já foi intimado. A gente vai apurar as condutas do hospital”, disse o delegado.

Íntegra da nota do HVT

“Sobre o vídeo do animal que está circulando nas redes sociais, informamos que o animal já estava com a patinha quebrada, o animal era um paciente jovem, bebê e, portanto, inquieto. A placa do osso estava fora do local e é normal. Não foi culpa do dono, nem do animal, nem do hospital. Foi refeita essa cirurgia, após essa cirurgia o animal teve esse quadro de saúde.

Estamos aguardando o alvará do nosso advogado para nos posicionarmos sobre os casos. Temos câmeras de segurança desde o internamento do animal, que comprova que o animal foi limpo, o cliente vinha todo dia, teve o contato com o dono do hospital e, infelizmente, aconteceu essa fatalidade.

O nosso objetivo como hospital é salvar vidas e nosso local é um ambiente limpo. Ontem a gente só não conseguiu falar com o filho e o pai dele porque estavam exaltados e agitados. Eles chamaram o dono do hospital de assassino. Entendemos a dor do tutor do animal, mas o modo como ele agiu com os funcionários do hospital não foi bom.

A gente propôs fazer exame necrópsia, mas eles não quiseram. O cliente só teve um gasto único.

No HVT há 14 funcionários, 24 horas por dia e sempre disponíveis. Temos a parte do canil e gatil, mais de 50 cães e em média 20 gatinhos. Todos os animais têm ficha de protocolo. No local há um médico plantonista, um para atendimento e outro para acompanhamento.”

Fonte

Nenhum comentário:

Postar um comentário