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sexta-feira, 7 de maio de 2021

ATROCIDADE Ativistas acusam príncipe de matar “maior urso vivo da Europa”

 

Mariana Dandara | Redação ANDA

 


(Foto: Agent Green / BBC News Brasil)

O príncipe de Liechtenstein, Emanuel von und zu Liechtenstein, está sendo acusado de matar um animal que provavelmente era o maior urso vivo da União Europeia. Membro da monarquia de um país situado entre a Áustria e a Suíça, o príncipe teria matado o animal selvagem durante uma expedição de caça realizada em março na Romênia.

Os ativistas afirmam que Emanuel teria sido autorizado pelas autoridades a matar uma ursa que causou danos em fazendas na região. No entanto, no lugar da fêmea, o príncipe teria matado Arthur, um urso marrom de 17 anos.

Embora não exista uma confirmação oficial de que uma licença de caça foi, de fato, concedida ao príncipe, o grupo ambientalista Agent Green teve acesso a um documento vazado que aparenta ser uma licença endereçada a uma associação de caçadores situada em Covasna. No documento – no qual consta a morte de um urso no vilarejo de Ojdula, na Transilvânia -, é transcrita a concessão de vários dias de caça para o príncipe a serem utilizados em março.

A caça por diversão ou por troféu (o troféu, no caso, é o próprio animal morto), como é denominada em inglês a “trophy hunting”, é proibida na Romênia desde 2016 por conta de uma diretiva da União Europeia que protege o urso-marrom. A legislação, entretanto, não coloca os animais selvagens como sujeitos de direito que não podem ser mortos em hipótese alguma, já que abre exceções para ursos tidos como “problemáticos” por causarem danos em propriedades rurais.

Nascidos na natureza, esses animais migram naturalmente e acabam esbarrando em espaços habitados por humanos e, por isso, acidentes por vezes ocorrem, gerando danos a plantações, estruturas físicas de fazendas, entre outros. Nesse contexto, pode ocorrer das autoridades liberarem uma licença de caça para que um urso seja morto, sem considerar que o animal não só chegou primeiro do que os humanos à região, como foi expulso de seu próprio habitat ao ter que conviver com o desmatamento e as construções posteriores feitas pelas comunidades locais. Com os olhos fechados para essa realidade, autoridades e caçadores usurpam o direito à vida desses animais selvagens.

Ao tratar do assunto, ativistas pelo meio ambiente relataram que Arthur foi morto após um fazendeiro local reclamar de três fêmeas e seus filhotes. A morte do urso, entretanto, não resolveu o problema do produtor rural e ainda custou uma vida.

Questionado pela BBC News, o ministro do Meio Ambiente, Tanczos Barna, confirmou que uma licença de caça foi emitida para que um urso fosse morto, mas não informou o nome de quem recebeu a autorização para matá-lo. Diante do caso, o chefe da agência de proteção da Guarda Ambiental Nacional da Romênia, Octavian Berceanu, abriu um inquérito para descobrir o motivo pelo qual Arthur foi morto a tiros.

Para os ativistas, a razão que levou o príncipe a exterminar o urso tem relação com a caça por diversão. Isso porque as fêmeas são muito menores do que Arthur, que tinha um tamanho equivalente a um valor de troféu de 592,8 pontos de um máximo possível de 600 pontos, conforme regras dessa perversa e sádica atividade de entretenimento humano.

Membro do grupo ambientalista austríaco VGT, Ann-Kathrin Freude afirmou à BBC que o tiro em Arthur teria alcançado a pontuação mais alta já registrada na caça de troféu. “É um troféu de prestígio atingir um desses animais simbólicos — é como um bom vinho”, comparou ao criticar o caso.

E ela não está sozinha. O grupo ambientalista Agent Green também é contrário ao extermínio de Arthur. Ao comentar o caso, o ativista Gabriel Paun disse que o grupo não tem “um problema pessoal com o príncipe”, mas que acredita que “a associação de caça estava atendendo às necessidades dele”.

Paun lembrou ainda que “para obter uma derrogação [licença de caça], você precisa provar que seguiu toda a diligência. A derrogação é a exceção e não a regra” e comentou o impacto ambiental gerado pelas caçadas. “Uma vez que você extrai grandes ursos da população, você começa a desestabilizar a população, então ele teve um papel crucial”, explicou.

Com a redução de ursos como Arthur na natureza – considerados “alfas” por seu porte e idade – há ainda o risco de, segundo Paun, ocorrerem cruzamentos entre diferentes espécies.

Apesar das acusações feitas pelos ativistas e da repercussão do caso, o gabinete do Príncipe Hereditário de Liechtenstein disse à agência de notícias AFP que desconhecia os antecedentes do caso, que chamou de “assunto pessoal e privado”. O gabinete alegou ainda que a natureza “tem sido uma das preocupações fundamentais desta Casa e um elemento central do compromisso da família com a sustentabilidade ecológica e social”.

Fonte: anda.jor.br

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