Mariana Dandara | Redação ANDA
(Foto: Agent Green / BBC News Brasil)
O príncipe de Liechtenstein,
Emanuel von und zu Liechtenstein, está sendo acusado de matar um animal que
provavelmente era o maior urso vivo da União Europeia. Membro da monarquia de
um país situado entre a Áustria e a Suíça, o príncipe teria matado o animal
selvagem durante uma expedição de caça realizada em março na Romênia.
Os ativistas afirmam que Emanuel
teria sido autorizado pelas autoridades a matar uma ursa que causou danos em
fazendas na região. No entanto, no lugar da fêmea, o príncipe teria matado
Arthur, um urso marrom de 17 anos.
Embora não exista uma confirmação
oficial de que uma licença de caça foi, de fato, concedida ao príncipe, o grupo
ambientalista Agent Green teve acesso a um documento vazado que aparenta ser
uma licença endereçada a uma associação de caçadores situada em Covasna. No
documento – no qual consta a morte de um urso no vilarejo de Ojdula, na
Transilvânia -, é transcrita a concessão de vários dias de caça para o príncipe
a serem utilizados em março.
A caça por diversão ou por troféu
(o troféu, no caso, é o próprio animal morto), como é denominada em inglês
a “trophy hunting”, é proibida na Romênia desde 2016 por conta
de uma diretiva da União Europeia que protege o urso-marrom. A legislação,
entretanto, não coloca os animais selvagens como sujeitos de direito que não
podem ser mortos em hipótese alguma, já que abre exceções para ursos tidos como
“problemáticos” por causarem danos em propriedades rurais.
Nascidos na natureza, esses animais
migram naturalmente e acabam esbarrando em espaços habitados por humanos e, por
isso, acidentes por vezes ocorrem, gerando danos a plantações, estruturas
físicas de fazendas, entre outros. Nesse contexto, pode ocorrer das autoridades
liberarem uma licença de caça para que um urso seja morto, sem considerar que o
animal não só chegou primeiro do que os humanos à região, como foi expulso de
seu próprio habitat ao ter que conviver com o desmatamento e as construções
posteriores feitas pelas comunidades locais. Com os olhos fechados para essa
realidade, autoridades e caçadores usurpam o direito à vida desses animais
selvagens.
Ao tratar do assunto, ativistas
pelo meio ambiente relataram que Arthur foi morto após um fazendeiro local
reclamar de três fêmeas e seus filhotes. A morte do urso, entretanto, não
resolveu o problema do produtor rural e ainda custou uma vida.
Questionado pela BBC News, o
ministro do Meio Ambiente, Tanczos Barna, confirmou que uma licença de caça foi
emitida para que um urso fosse morto, mas não informou o nome de quem recebeu a
autorização para matá-lo. Diante do caso, o chefe da agência de proteção da
Guarda Ambiental Nacional da Romênia, Octavian Berceanu, abriu um inquérito
para descobrir o motivo pelo qual Arthur foi morto a tiros.
Para os ativistas, a razão que
levou o príncipe a exterminar o urso tem relação com a caça por diversão. Isso
porque as fêmeas são muito menores do que Arthur, que tinha um tamanho
equivalente a um valor de troféu de 592,8 pontos de um máximo possível de 600
pontos, conforme regras dessa perversa e sádica atividade de entretenimento
humano.
Membro do grupo ambientalista
austríaco VGT, Ann-Kathrin Freude afirmou à BBC que o tiro em Arthur teria
alcançado a pontuação mais alta já registrada na caça de troféu. “É um troféu
de prestígio atingir um desses animais simbólicos — é como um bom vinho”,
comparou ao criticar o caso.
E ela não está sozinha. O grupo
ambientalista Agent Green também é contrário ao extermínio de Arthur. Ao
comentar o caso, o ativista Gabriel Paun disse que o grupo não tem “um problema
pessoal com o príncipe”, mas que acredita que “a associação de caça estava
atendendo às necessidades dele”.
Paun lembrou ainda que “para
obter uma derrogação [licença de caça], você precisa provar que seguiu toda a
diligência. A derrogação é a exceção e não a regra” e comentou o impacto
ambiental gerado pelas caçadas. “Uma vez que você extrai grandes ursos da
população, você começa a desestabilizar a população, então ele teve um papel
crucial”, explicou.
Com a redução de ursos como
Arthur na natureza – considerados “alfas” por seu porte e idade – há ainda o
risco de, segundo Paun, ocorrerem cruzamentos entre diferentes espécies.
Apesar das acusações feitas pelos
ativistas e da repercussão do caso, o gabinete do Príncipe Hereditário de
Liechtenstein disse à agência de notícias AFP que desconhecia os antecedentes
do caso, que chamou de “assunto pessoal e privado”. O gabinete alegou ainda que
a natureza “tem sido uma das preocupações fundamentais desta Casa e um elemento
central do compromisso da família com a sustentabilidade ecológica e social”.
Fonte: anda.jor.br

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