Mariana
Dandara | Redação ANDA
O cachorrinho Assis, de apenas 7 meses de idade, conheceu o lado bom e ruim do ser humano. Resgatado pela ONG Ampara, situada no município paulista de Guararema, o cachorro foi adotado e, um mês depois, devolvido à entidade. A adotante justificou o ato dizendo que sua filha queria uma fêmea. Por ser macho, Assis não coube na sua antiga família, mas encontrou espaço na unidade do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da cidade, onde passou a viver.
Com o novo lar, veio também um
novo nome, com direito à apelido. Assistente, como começou a ser chamado no
CAPS, é carinhosamente conhecido como Assis. Na unidade de saúde mental, ele
ganhou cuidados, carinho e até mesmo um crachá de funcionário que mostra o quão
importante ele é para toda a equipe do local.
A entidade comemorou a adoção
do cachorro em uma postagem no Instagram. “Pessoal, nosso Ursão foi adotado e
virou o Assis! Agora ele faz parte da equipe do Centro de Atenção Psicossocial
e tem auxiliado nos atendimentos com os pacientes brincando, fazendo carinho e
ajudando no estabelecimento de vínculos, cuidado, afeto e responsabilidade”,
escreveu.
Há pouco mais de um ano, a
ideia de adotar um cachorro para viver no CAPS passou a ser cogitada na unidade
de saúde. Os planos, entretanto, foram adiados com a chegada da pandemia de
coronavírus. Mas foi só aparecer uma publicação nas redes sociais com a
história de Assis, que até então se chamava Ursão, para a adoção voltar a se
tornar uma realidade possível.
Assessora de saúde mental e coordenadora do CAPS,
Jéssica Falco foi quem viu a publicação feita pela ONG que resgatou o cachorro
que, mais tarde, veio a se tornar companheiro dos funcionários e pacientes da
unidade. Logo após se deparar com a postagem, a servidora pública entrou em
contato com a entidade e formalizou a adoção.
“Está sendo bem agradável.
Traz uma nova rotina para o serviço. A gente teve que adaptar algumas coisas
aqui, teve que organizar a questão do portão para ficar atento, não deixar ele
fugir. Ele é filhote, então é muito agitado. Ou ele dorme muito, ou está muito
agitado. São as duas personalidades dele”, contou Jéssica ao G1.
“Fizemos algumas adaptações,
mas ele fica solto aqui. Todo mundo fica de olho nele, ele fica onde ele quer.
Se ele começar a destruir alguma coisa, a gente vai e organiza para não
destruir mais, porque ele tem esse instinto por ser filhote. Mas ele fica
solto, participa de reunião, participa de grupos. Tudo que ele ficar quietinho
e der para participar, ele participa”, acrescentou.
“Um novo lar que cuide
de verdade dele, dê amor e carinho”
Após a antiga família de Assis
decidir devolvê-lo à entidade, a Ampara fez uma publicação nas redes sociais
dizendo que os voluntários da ONG estavam “incrédulos com a devolução do nosso
ursinho” e informando que o cão estava “prontíssimo para encontrar um novo lar
que cuide de verdade dele, dê amor e carinho que merece”.
“Apenas um mês depois, o
adotante decidiu que queria uma fêmea no lugar do macho. Enfim, este peludinho
já está de volta conosco”, escreveu a entidade.
Responsável pela Ampara, Iara Rodrigues dos Santos
contou ao G1 que a situação de devolução vivida pelo cão após a adoção,
infelizmente, não é incomum. “Ele veio, nós vermifugamos, vacinamos. Quando ele
estava na primeira dose da vacina, uma pessoa quis um cachorrinho para a filha,
peludinho. Eu doei o cachorro e voltei para dar o resto das vacinas. Mas,
quando eu voltava, eu não ficava feliz com o que eu via. Não estavam dando
ração de qualidade, ele não estava tão bem cuidado”, relatou.
“Quando fui dar a última dose
da vacina, eu conversei com a mulher, que disse que estava tudo bem. Logo em
seguida, ela me mandou uma mensagem dizendo que a filha não gostava muito dele,
que queria trocar por uma fêmea. Era tudo que eu precisava. Busquei ele, muito
brava, mas trouxe para cá”, completou.
Com o retorno do cão à
entidade, a filha de Iara ficou decepcionada com o desfecho da história e a
divulgou nas redes sociais através da publicação que chegou ao conhecimento da
coordenadora do CAPS, que decidiu mudar o destino de Assis. Essa transformação
causada pela adoção também beneficiou a mãe do cachorro e uma irmã dele. Outros
três irmãos do cão ainda aguardam um novo lar.
“Minha filha, que mexe no
Instagram, soltou um post sobre ele. Como ele sempre foi muito fofo, muito
bonachão, peludão, nada a ver com a mãe, com os irmãos… Foi quando a Jéssica
viu. Em seguida eu castrei e ela adotou ele”, contou Iara. “Agora ele está
lá, todo pimpão de crachá. Ele é muito querido. Eu falo que até emprego ele
arrumou nessa pandemia”, brincou.
Mais de 100 animais em
busca de uma família
Cerca de 140 animais
resgatados pelos voluntários da ONG Ampara aguardam um lar em Guararema. Dentre
os abrigados, há cachorros e gatos que viveram situações de abandono e
maus-tratos.
Há 18 anos, a entidade foi fundada na cidade. Nesse
período, mais de 2 mil animais foram resgatados, castrados e doados. O trabalho
realizado pela ONG tem apoio da prefeitura, mas a verba destinada pela
administração municipal não é suficiente para cobrir os gastos mensais e, por
isso, bazares e sorteios são realizados. A associação também recebe doações de
pessoas interessadas em colaborar com a causa.
“Estamos na luta, fazendo o
que dá. Temos as pessoas que apadrinham mensalmente e assim a gente vive. Como
toda ONG que se houve, é uma luta só, mas graças a Deus estamos de pé e a gente
corre atrás”, concluiu Iara.
(Foto:
Reprodução/Instagram/Ampara Guararema)
Fonte: anda.jor.br


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