Mariana
Dandara | Redação ANDA
Foto: Pixabay
O partido político “Progreso en
Verde”, das Ilhas Baleares, na Espanha, recorreu à União Europeia para lutar
pelo fim da exploração de cavalos forçados a puxar carruagens.
Em cartas enviadas ao Parlamento
Europeu e ao Tribunal Europeu, o partido reforça que a exploração de cavalos na
Espanha “tem a aprovação das instituições”.
Esse cenário, segundo o
presidente do Progreso en Verde, Guilhermo Amengual, torna a imagem da Espanha
“vergonhosa em letras maiúsculas”. No caso da Ilha de Mallorca, pontua o
político, a situação é ainda pior. Amengual denuncia que os responsáveis pelas
carruagens que os cavalos são forçados a puxar “violam estatutos, regulamentos
e leis sem sofrerem qualquer consequência”.
“As administrações falham em
cumprir [a lei]. Nós temos partidos políticos que permitem, aprovam e encobrem
a exploração de cavalos”, lamenta o presidente do partido.
Apesar da inércia das
instituições e dos partidos políticos que encobrem e até incentivam a
exploração imposta aos cavalos na Espanha, o Progresso en Verde se compromete a
não desistir da luta para proteger esses animais e garante que irá usufruir de
todos os meios possíveis para por fim à prática de explorar cavalos para puxar
carruagens no país europeu.
Tração
animal: exploração e tortura
Vistos pelos humanos como seres
nascidos para serem explorados em prol dos interesses da sociedade, cavalos e
burros são frequentemente tratados como máquinas. Forçados a puxar veículos de
tração animal, eles vivem vidas miseráveis. Muitos sofrem maus-tratos
constantes, incluindo agressões e privação de cuidados adequados.
Essa realidade, aliás, não é
restrita aos países europeus. Encontrar esses animais soltos em vias públicas
no Brasil, correndo risco de atropelamento, não é raro. Omissos com a tutela
desses seres vivos, os tutores que buscam facilidades e se esquivam de
trabalho, não querem mais nada além de forçar cavalos e burros a carregar
cargas e transportar pessoas. Por isso, é comum que não exista preocupação com
uma alimentação adequada, tampouco com a necessidade de mantê-los em um local
confortável e que não os submeta a riscos.
Foto: Pixabay
Estudos comprovam que o peso de
uma única pessoa sobre a coluna de um cavalo pode ser suficiente para
prejudicar sua coluna – que dirá as cargas excessivas que esses animais são obrigados
a transportar. O freio colocado na boca dos cavalos também gera feridas na
língua desses animais e, ao serem puxados pela corda presa ao freio, eles
sentem dor.
A vida na natureza, com outros
animais, não faz parte da rotina da maior parte desses cavalos e burros. Isso
porque até mesmo os que são criados na zona rural passam a maior parte do tempo
puxando carroças, sem poder desfrutar da própria vida. Pastar livremente,
dormir, interagir com outros animais, livres de celas, peso, incômodos e dores
pode parecer pouco para humanos que consideram inútil respeitar o instinto de
um animal. No entanto, as atividades executadas por conta própria definem quem
são os cavalos, burros e quaisquer outros animais e devem ser respeitadas como
o que são: a essência de cada um deles.
Nenhum animal nasce para atender
às demandas humanas. Eles existem por propósitos próprios. Mas a humanidade só
será capaz de entender isso quando aceitar que humanos não são superiores e não
podem controlar, subjugar, maltratar, explorar e matar animais por terem
interesses por trás dessas ações. Cada animal é uma vida e deve respeitado como
sujeito de direitos – dentre eles, o direito de ser quem se é sem ser visto
como um objeto à serviço dos seres humanos.
Fonte: anda.jor.br


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