Mariana Dandara | Redação ANDA
Foto: Reprodução
Um homem
agrediu um cachorro com extrema violência, levando o animal à morte após
golpeá-lo repetidas vezes. Um vídeo que registrou a cena foi divulgado nas
redes sociais e gerou revolta entre os internautas.
Nas
imagens, o homem aparece desferindo socos na cabeça do cachorro, que é segurado
contra o chão, não suporta os graves ferimentos gerados pelo espancamento e
morre no local. De acordo com o portal CM7, a identidade do agressor e a cidade
onde o crime aconteceu não foram divulgadas.
Em um
determinado momento, o vídeo registra o cachorro com intenso sangramento – o
que levanta a suspeita de que ele pode ter morrido em decorrência de uma
hemorragia. Bastante desorientado e com dor, ele agoniza até morrer.
As
imagens da agressão não serão divulgadas para preservar os leitores.
Psiquiatra
forense aponta que maltratar animais é indício de psicopatia
Em 2019,
a Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) publicou uma série de quatro
matérias contendo depoimentos de especialistas de diversas áreas para mostrar
como funciona a mente de um serial killer de animais. Embora o homem que matou
o cachorro com socos na cabeça possa não ser um serial killer, os argumentos
expostos pelo psiquiatra forense, perito e consultor Dr. Guido Palomba, em entrevista exclusiva à ANDA,
revelam que maltratar animais é indício de psicopatia.
Ao
comentar a atrocidade cometida por quem agride animais, Dr. Guido Palomba
explica que, “diante deste tipo de relato de maus-tratos, de perversidade com
animais, se isso de fato for confirmado, é algo, sem dúvida nenhuma, indicativo
de um indivíduo altamente deformado do ponto de vista ético, moral, social e
caracteriza o que se chama psicopata e que eu gosto de chamar de condutopata.
Por que condutopata? Porque a patologia está na conduta dele. Porque é a
extrema sensibilidade sem nenhum tipo de ressonância afetiva com o semelhante.
Mas o cachorro e o gato são nossos semelhantes? Sim, são, porque estão vivos.
São animais que normalmente demonstram afeto. Normalmente não, sempre. E, se
não bem tratados, eles também retribuem tratando seus tutores, seus convivas,
muito bem. É realmente uma coisa preocupante”, avalia.
Dr. Guido
informa ainda que a condutopatia possui outras denominações que ajudam a
entendê-la. “Tem outros sinônimos como, por exemplo, loucura moral e
enfermidade do caráter. Os próprios nomes, por si só, já mostram quem são essas
figuras, mas, as principais deformidades, são as deformidades do sentimento,
porque são indivíduos que não possuem nenhum sentimento superior de piedade, de
altruísmo ou compaixão. São pessoas com uma insensibilidade imensa e desejos
deformados, como, por exemplo, maltratar animais para se divertir, matar para
ver cair, entre outras coisas. São indivíduos que se comprazem em fazer o mal e
uma outra característica bastante marcante dos condutopatas é a ausência
completa de remorso daquilo que eles fazem”, assevera.
Para o
psiquiatra, existe uma forte conexão entre a psicopatia e a crueldade contra
animais. “Por que pessoas normais não maltratam animais? Porque elas reconhecem
que os animais têm sentimentos, que os animais sofrem. Que os animais têm a sua
sensibilidade, os seus gostos, as suas dores, os seus desejos. Então, você
ignorar tudo isso é ser extremamente insensível. É uma pessoa sem valor ético
ou moral, sem valor superior de altruísmo ou de nada. Ele está fazendo o mal e
está insensível ao mal que está causando. É uma pessoa que tem uma deformidade
de caráter e mostra isso, mas também é uma deformidade do querer, da vontade.
Maltratar um animal? Por quê?”, reflete.
O
especialista forense afirma ainda que geralmente seriais killers agem sozinhos,
mas não exclui a participação de outros criminosos. “Normalmente essas
deformidades estão em uma pessoa. Porém, nada impede de ter aquilo que se chama
de folie à deux (“loucura a dois”, em francês). Nada impede que tenha alguém
que esteja junto por contaminação, uma pessoa induzida. Claro que para você ser
induzido a fazer algo dessa natureza tem que ter algumas características. Por
exemplo, primeiro, ser uma pessoa no mínimo com uma fraqueza, com uma
deformidade mental”, disse.
E
completa: “Não vai ser uma pessoa normal que vai ser sugestionada a maltratar
animal. Então, essa pessoa, se existir, é um sugestionado. Agora, para ser
sugestionado tem que ter não apenas uma fraqueza, como tem que ter um grau de
subordinação com o indutor. É uma questão de indutor e induzido. O indutor é o
verdadeiro condutopata e o induzido é alguma pessoa que o tem em um grau de
superioridade. Normalmente entre um indutor e um induzido tem um grau qualquer
de submissão, de adoração, de submissão, na verdade. Essa submissão pode ser de
um ou de mais de um. Pode ser até duas ou três pessoas fazendo isso”, acredita.
Ele
reforça ainda que alguém que maltrata animais, facilmente também fará vítimas
humanas. “O insensível não é somente insensível aos animais, ele é insensível a
tudo, insensível ao sofrimento do ser humano, obviamente. Não há
insensibilidade só para isso ou para aquilo. A insensibilidade é uma
deformidade do caráter”, enfatiza.
Dr. Guido
Palomba explica também que há diferença entre maldade e psicopatia. “Quando
você pode explicar psicologicamente um fato, então você entra na patologia, por
exemplo ‘eu estou sem dinheiro, eu mato uma pessoa para pegar a carteira dela’,
‘eu vou ser delatado, eu mato a pessoa para que ela não me acuse’. São atos
moralmente e juridicamente condenáveis, mas são explicáveis. Agora, quando eu
arranco o olho de um cachorro para vê-lo sofrer, é grave, isso não é explicável
psicologicamente. Você não consegue explicar sem dar uma pitada de
anormalidade”, diz.
Segundo o
psiquiatra, compreender os atos de um condutopata de um ponto de vista moral e
social podem não ser tão simples. “A psicopatia não é uma doença mental
propriamente dita. O indivíduo que tem psicopatia fica na zona fronteiriça
entre a normalidade e a loucura. É igual a aurora, não é noite e nem dia, é uma
zona fronteiriça. É sempre biológico. Doenças mentais e condutopatia, a pessoa
nasce e morre com ela, sempre. Pode ter fator social que esteja desencadeando,
mas ele tem que ter uma potência. Por pior que façam para você, você não vai
judiar de um animal se você for normal. Agora, se você tiver uma potência
grande para fazer isso, de repente aquilo que estão te fazendo de mal te
desencadeia um comportamento dessa natureza”, acredita.
E
completa afirmando que investigações sobre seriais killers de animais precisam
ser minuciosas e atentas. “Todos os detalhes são importantes. É como recolher
peças de um quebra-cabeças e depois encaixar uma na outra para ver que imagem
forma”, conclui.
Fonte: anda.jor.br

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