Foto: divulgação
O senador Telmário
Mota (Pros-RR) tem uma relação peculiar com o Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). Criador de galos “combatentes” e
defensor da rinha de galos, ele foi acusado pela Polícia Federal de tentar
prejudicar a ação policial contra madeireiros e tenta emplacar o desarmamento
dos fiscais do órgão.
Telmário foi alvo de
uma notícia-crime do superintendente da Polícia Federal no
Amazonas, Alexandre Saraiva, sob a acusação de tentar prejudicar a ação
policial contra madeireiros. Saraiva afirma que o político age em defesa dos
desmatadores que agem no Pará, fora de seu reduto político. O ministro do Meio
Ambiente, Ricardo Salles, também é citado pelo delegado.
Ricardo Salles e Telmário Mota são alvo de notícia-crime da Polícia Federal. (Foto: Divulgação)
Saraiva usa como provas postagens de Telmário nas
redes sociais em que articula reuniões dos madeireiros com o governo estadual,
Ministério da Justiça e do Meio Ambiente. Em resposta, Telmário o chamou de
“xiita e covarde”. Após pedir a investigação contra
ambos, Saraiva foi afastado do cargo por decisão do comando da PF.
Mota atuou outras vezes contra a fiscalização do
desmatamento na Amazônia. Ele é autor de um projeto, apresentado no ano
passado, para retirar as armas dos fiscais do Ibama e do Instituto
Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os fiscais têm seu
direito ao porte de arma desde a lei de proteção à fauna, de 1967. Os agentes
são alvos de diversos ataques de madeireiros e garimpeiros ilegais e
latifundiários em razão de seu trabalho.
Uma proposta semelhante foi apresentada em 2013
pelo então deputado Jair Bolsonaro. Ele desistiu dois anos depois. Para os
funcionários do Ibama, a proposta foi uma retaliação depois de Bolsonaro ter
sido autuado por pesca ilegal na Estação Ecológia de Tamoios, em Angra dos
Reis (RJ).
O senador também pediu uma investigação da Polícia
Federal sobre a morte de Francisco Viana da Conceição, de 52 anos, durante uma
ação do Ibama em Roraima. Ele cortava madeira quando foi baleado. Segundo
o Ibama, policiais que faziam a segurança dos agentes reagiram após terem sido
recebidos a tiros pelos desmatadores, que tentavam fugir da fiscalização.
Político é tutor de mais de 300 galos de briga
Telmário respondeu no Supremo Tribunal Federal
(STF) por crime ambiental. Ele era acusado na ação penal 932 de maus-tratos
contra animais e apologia ao crime. Os ministros da corte entenderam que os
dois crimes já haviam prescrito e o absolveram, em 2016, da acusação de
formação de quadrilha.
O interesse do parlamentar pelos animais de rinha
não diminuiu depois disso. Na eleição de 2018, quando foi derrotado na disputa
ao governo do Estado, ele declarou a propriedade de 305 “bicos de aves da raça
combatente”, ou seja, galos de briga, avaliados em R$ 200 mil. A criação de
galos foi declarada por R$ 200 mil. Mais ou menos R$ 660 por ave.
Telmário é
investigado atualmente pelo STF no inquérito 4852, sobre desvio de verbas para
o combate à Covid-19 em Roraima. Seu nome apareceu nas investigações após
o ministro Luís Roberto Barroso determinar que o senador Chico
Rodrigues (DEM-RR) não poderia ter contato com outros investigados, como o
colega do Pros. Durante a operação sobre o caso, a Polícia Federal apreendeu R$
18 mil na cueca de Rodrigues, além de R$ 10 mil e US$ 6 mil em um
cofre na casa do político.
Telmário foi acusado
de tentar comprar votos indígena
Além dos galos, o senador Telmário declarou em 2018 uma fazenda
chamada Caçada Real, em Boa Vista, de 1.200 hectares, no valor de R$ 3,3
milhões.
Suzete Macedo na Fazenda Caçada Real, de Telmário Oliveira. (Foto: Reprodução/Twitter)
A gleba, segundo processo que tramitou no STF, é
uma área que pertencia ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra) e foi loteado pelo governo de Roraima. Em 2014, a Corte
encerrou o processo sem o julgamento do mérito.
O senador publicou nas redes sociais uma foto de
sua esposa, a ex-deputada estadual Suzete Macedo de Oliveira, com melancias
colhidas na propriedade. Suzete chegou a ser presa em 2016, sob a acusação de
participar de um esquema de corrupção no estado, em 2003, ao lado do governador
na época, Neudo Campos (PP).
A relação de Telmário e a esposa com os Campos
rendeu outras acusações posteriores. No inquérito 4035, no Supremo, Telmário e
a colega Ângela Portela eram acusados de distribuir dinheiro na comunidade
indígena do Contão, em Pacaraima (RR), para favorecer a governadora eleita do
estado, Suely Campos, esposa de Neudo. Os parlamentares foram absolvidos por
falta de provas.
O parlamentar respondeu no Supremo ao inquérito
4296, em que era acusado de agressão contra uma jovem de 19 anos, com a qual
teria um relacionamento. O tribunal declinou da competência para o caso, que
foi transferido para a Vara de Violência Doméstica de Boa Vista.
Por Alceu Luís
Castilho e Leonardo Fuhrmann
Fonte: De Olho nos Ruralistas



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