Mariana
Dandara | Redação ANDA
Foto: Reprodução/SPA-VR
Uma
cadela foi abandonada em frente a uma entidade de proteção animal dois dias
após ser adotada. O crime aconteceu na manhã da última sexta-feira (16) em
Volta Redonda, no Rio de Janeiro, e indignou a equipe da Sociedade Protetora
dos Animais (SPA).
Câmeras
de segurança flagraram o momento em que uma motorista estaciona o carro em
frente à entidade, desce do veículo e abandona a cadela, abrindo a porta
traseira para que ela saísse para a rua. Em seguida, a mulher entra novamente
no automóvel e deixa o local. No momento em que a motorista sai com o carro, a
cadela entra na frente do veículo, correndo risco de atropelamento.
Após
analisar as imagens, a ONG identificou a mulher, que havia adotado a cadela na
última quarta-feira (14), e fez uma publicação nas redes sociais para denunciar
o caso e alertar que abandono é crime. “Hoje, ao chegar no abrigo, nosso
funcionário se deparou com um dos nossos animais, que havia sido doado na
quarta-feira, 16/04/21, solto na porta da ONG. O local é perigoso, como mostram
as imagens, e o animal podia ser, e quase foi, atropelado”, relatou a entidade.
“Somos
bem claros em nossas adoções. Deu algum problema? Não solte na rua, leve de
volta para nós. Mas essa pessoa em momento algum tenta bater em nosso portão,
tocar a campainha, ou ir em um horário que tenha gente para
atendê-la. Simplesmente abre a porta do carro, solta o animal, acelera seu
carro e vai embora. De forma fria e covarde, como é possível ver nas imagens”,
completou.
De acordo
com a associação, a mulher afirmou, através de contato telefônico, “que como
ninguém a atendeu no celular, ela foi na porta da ONG e soltou a cachorra, pois
segundo ela, a cadela é um animal de muita energia, ‘bagunceira’ que agride
outros animais”. “Tais informações até nos causam espanto, pois na SPA ela é
bem quieta e está vivendo com outros 3 animais no mesmo canil. As pessoas
precisam entender que com a mudança de ambiente, muitos animais podem
manifestar comportamentos diferentes, por estranharem o local, ou simplesmente
por felicidade, em querer brincar, latir, lamber, pular, como demonstração de
afeto e carinho. Essas pessoas precisam aprender algo importante, animal
que não da trabalho, que não late, não pula, não brinca, é bicho de pelúcia,
que inclusive poupa um importante valor em ração, vacinas e veterinário”,
pontuou a ONG.
A
entidade informou ainda que as imagens registradas pela câmera serão enviadas à
Polícia Civil para abertura de um boletim de ocorrência. “Além disso,
enviaremos ofício à Secretaria de Meio Ambiente para que a cidadã seja multada
de acordo com a Lei Municipal 4.924/13, que prevê multa para quem abandona
animais em nossa cidade”, disse.
“Antes de
ter um animal, as pessoas precisam pensar muito bem. Animais não são enfeites,
têm personalidade, emitem sons, geram gastos, vivem por um bom tempo, e que
mesmo rechaçando tal atitude, a SPA faz questão de pegar de volta qualquer
animal doado por nós em que haja a desistência da adoção, para evitar que esse
animal seja jogado a rua à própria sorte. Essa cadela foi adotada dentro
da SPA, temos imagens disso, o mínimo que gostaríamos é que a mesma fosse
devolvida no mesmo local, em segurança e bem, assim com foi doada”, reforçou.
“É um cão jovem, que se comporta como, ou melhor, que humanos na mesma fase de
desenvolvimento”, completou.
Acolhida
por um funcionário da instituição, a cadela foi novamente levada para o abrigo
da SPA.
Lei
Sansão
Sancionada no final de 2020,
uma nova lei de proteção animal aumentou a pena para crimes cometidos contra
cachorros e gatos no Brasil. Antes, esses crimes eram punidos com, no máximo,
um ano de detenção, pena que era convertida em alternativas como a prestação de
serviços à comunidade.
A legislação recebeu o nome de
“Lei Sansão” em homenagem ao pit bull Sansão, que foi brutalmente torturado em
Minas Gerais, tendo as duas patas traseiras decepadas. Paraplégico, ele não
apenas se recuperou e provou o quão forte é capaz de ser, como serviu de
incentivo para a aprovação da lei.
Com o aumento da pena, os
criminosos que submeterem cachorros e gatos a maus-tratos poderão ser presos
por um período de dois a cinco anos. Eles também poderão ser punidos com multa
e com a proibição de tutelar outros animais.
A medida, no entanto, não
protege os animais de outras espécies, excluindo a fauna silvestre e animais
que são explorados pela sociedade, como galos, porcos, bois e galinhas.
Fonte: anda.jor.br

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