Mariana Dandara | Redação ANDA
Foto: Pixabay
A Lei nº 13.854/2019, que criou a
Política Nacional de Incentivo à Ovinocaprinocultura e foi sancionada em 2019
pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), completará dois anos em julho e
seus frutos negativos já estão sendo colhidos. Com o incentivo do governo,
aumentou o número de ovelhas e cabras exploradas para consumo humano no país.
A legislação prevê subsídios
especiais para os produtores rurais que exploram esses animais e o objetivo é
um só: expandir esse setor para gerar lucro, sem levar em consideração o
sofrimento das ovelhas, carneiros, cabras e bodes.
Bolsonaro, no entanto, não fez
isso sozinho, já que essa iniciativa só se tornou lei após ser proposta pelo
deputado federal Afonso Hamm (PP-RS) e ser aprovada pelos parlamentares.
Afonso Hamm também é autor do
Projeto de Lei 3780/2015, que cria o “Dia Nacional da Ovinocultura”. Em
tramitação na Câmara dos Deputados, o projeto tem como justificativa presente
em seu texto o interesse de “difundir sua prática [da ovinocultura],
estimulando o consumo desta carne”.
No site oficial da Câmara dos
Deputados, é possível avaliar o projeto de lei. A ANDA, por ser defensora dos
direitos animais, orienta os leitores a clicar na opção “discordo totalmente”.
Objetificação,
sofrimento e morte
Os animais que se tornaram alvo
do deputado e do presidente são sensíveis, capazes de sentir dor, medo, agonia,
felicidade e tantas outras sensações e sentimentos. Essa afirmação, aliás, é
respaldada em um estudo científico.
Um manifesto assinado em 2016 por
neurocientistas de todo o mundo atestou que todos os mamíferos, aves e outros
animais, incluindo polvos, têm consciência. O físico Stephen Hawking estava
presente no jantar de assinatura do manifesto como convidado de honra. Em
entrevista à revista Veja, o neurocientista canadense Philip Low comentou o
estudo.
“Descobrimos que as estruturas
que nos distinguem de outros animais, como o córtex cerebral, não são
responsáveis pela manifestação da consciência. Resumidamente, se o restante do
cérebro é responsável pela consciência e essas estruturas são semelhantes entre
seres humanos e outros animais, como mamíferos e pássaros, concluímos que esses
animais também possuem consciência”, explicou.
“Sabemos que todos os mamíferos,
todos os pássaros e muitas outras criaturas, como o polvo, possuem as
estruturas nervosas que produzem a consciência. Isso quer dizer que esses
animais sofrem. É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que
animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas
respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais,
a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer
que não sabíamos”, completou.
Em 2016, quando a entrevista foi
concedida à revista, Low deixou claro que se sentiu tocado pela descoberta.
“Acho que vou virar vegano. É impossível não se sensibilizar com essa nova
percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento”,
disse.
Esse sofrimento, no entanto, não
foi levado em consideração pelo deputado federal Afonso Hamm, tampouco por Jair
Bolsonaro, que é conhecido por desprezar a natureza e os animais.
Ovelhas, carneiros, cabras e
bodes podem viver até 18 anos, mas têm suas vidas ceifadas com cerca de quatro
meses de idade. Bebês inocentes, impedidos de desfrutar das décadas de vida que
teriam pela frente e condenados a extremo sofrimento antes de serem mortos
apenas para que humanos se beneficiem.
Fonte: anda.jor.br

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