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quarta-feira, 10 de março de 2021

RETROCESSO: Exploração de ovelhas e cabras para consumo é incentivada pelo governo Bolsonaro

 

Mariana Dandara | Redação ANDA


Foto: Pixabay

A Lei nº 13.854/2019, que criou a Política Nacional de Incentivo à Ovinocaprinocultura e foi sancionada em 2019 pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), completará dois anos em julho e seus frutos negativos já estão sendo colhidos. Com o incentivo do governo, aumentou o número de ovelhas e cabras exploradas para consumo humano no país.

A legislação prevê subsídios especiais para os produtores rurais que exploram esses animais e o objetivo é um só: expandir esse setor para gerar lucro, sem levar em consideração o sofrimento das ovelhas, carneiros, cabras e bodes.

Bolsonaro, no entanto, não fez isso sozinho, já que essa iniciativa só se tornou lei após ser proposta pelo deputado federal Afonso Hamm (PP-RS) e ser aprovada pelos parlamentares.

Afonso Hamm também é autor do Projeto de Lei 3780/2015, que cria o “Dia Nacional da Ovinocultura”. Em tramitação na Câmara dos Deputados, o projeto tem como justificativa presente em seu texto o interesse de “difundir sua prática [da ovinocultura], estimulando o consumo desta carne”.

No site oficial da Câmara dos Deputados, é possível avaliar o projeto de lei. A ANDA, por ser defensora dos direitos animais, orienta os leitores a clicar na opção “discordo totalmente”.

Objetificação, sofrimento e morte

Os animais que se tornaram alvo do deputado e do presidente são sensíveis, capazes de sentir dor, medo, agonia, felicidade e tantas outras sensações e sentimentos. Essa afirmação, aliás, é respaldada em um estudo científico.

Um manifesto assinado em 2016 por neurocientistas de todo o mundo atestou que todos os mamíferos, aves e outros animais, incluindo polvos, têm consciência. O físico Stephen Hawking estava presente no jantar de assinatura do manifesto como convidado de honra. Em entrevista à revista Veja, o neurocientista canadense Philip Low comentou o estudo.

“Descobrimos que as estruturas que nos distinguem de outros animais, como o córtex cerebral, não são responsáveis pela manifestação da consciência. Resumidamente, se o restante do cérebro é responsável pela consciência e essas estruturas são semelhantes entre seres humanos e outros animais, como mamíferos e pássaros, concluímos que esses animais também possuem consciência”, explicou.

“Sabemos que todos os mamíferos, todos os pássaros e muitas outras criaturas, como o polvo, possuem as estruturas nervosas que produzem a consciência. Isso quer dizer que esses animais sofrem. É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos”, completou.

Em 2016, quando a entrevista foi concedida à revista, Low deixou claro que se sentiu tocado pela descoberta. “Acho que vou virar vegano. É impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento”, disse.

Esse sofrimento, no entanto, não foi levado em consideração pelo deputado federal Afonso Hamm, tampouco por Jair Bolsonaro, que é conhecido por desprezar a natureza e os animais.

Ovelhas, carneiros, cabras e bodes podem viver até 18 anos, mas têm suas vidas ceifadas com cerca de quatro meses de idade. Bebês inocentes, impedidos de desfrutar das décadas de vida que teriam pela frente e condenados a extremo sofrimento antes de serem mortos apenas para que humanos se beneficiem.

Fonte: anda.jor.br

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