A PSP retirou, esta segunda-feira, os oito
activistas que se acorrentaram às guaritas das sentinelas, num protesto pelos
direitos dos animais, frente à Assembleia da República, em Lisboa.
Perto de duas horas depois de os activistas terem
chegado, cerca de 20 elementos da Unidade Especial de Polícia levaram os oito
activistas para carrinhas celulares junto à entrada do parlamento, onde os
jovens foram algemados e colocados.
Segundo a PSP, quatro dos jovens serão levados para
a esquadra da Lapa e os outros quatro para Campo de Ourique.
Antes de serem retirados, o pessoal da Assembleia
da República cortou as correntes com que os activistas se tinham prendido às
guaritas.
Ao fundo da escadaria de acesso à porta principal
do parlamento, cerca de duas dezenas de manifestantes cantaram e entoaram
palavras de ordem em apoio dos jovens que estavam a ser detidos.
O protesto, organizado pela Direct Action
International, reclama mudanças na legislação para conceder direitos a todos os
animais, sejam ou não de companhia.
Entre as reivindicações deste grupo estão ideais
como os animais terem representação legal, não serem propriedade, não serem
mortos, terem um “habitat” próprio e serem resgatados.
“Nós temos de incluir todos os animais e acabar com
este preconceito que nos diz que alguns são merecedores de direitos e do nosso
amor e outros não”, disse à agência Lusa a activista Iolanda Santos.
A activista argumentou que “como não é aceitável
ter cães dentro de uma casa onde ninguém lhes dá de comer, o que gera furor nas
redes sociais, também não devia ser aceitável ter vacas, porcos, patos e outros
considerados comestíveis a serem tratados desta forma”.
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Iolanda Santos salientou ainda que o protesto desta
segunda-feira não é para aumentar o bem-estar dos animais, mas por uma “total
abolição do seu sofrimento”.
“Temos milhares de animais presos em quintas que
estão a ser forçados a engravidar, a serem levados para matadouros em condições
deprimentes ou a fazerem viagens incríveis de barco sem qualquer assistência”,
afirmou.
A mensagem que quiseram passar à Assembleia da
República é a de que “os direitos dos animais que existem não são suficientes,
porque não abrangem todas as espécies”.
“A acção directa de desobediência civil não
violenta está a começar agora em Portugal”, mas vai estabelecer-se, porque “não
está a resultar de outra forma”, considerou a activista.
“Temos de passar para a fase seguinte, que é
desobedecer. Se olharmos para trás na história, todos os movimentos sociais
conseguiram mudanças apenas quando os activistas começaram a desobedecer”,
afirmou.
Fonte e foto: Público / mantida a
grafia lusitana original

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