A paixão por animais e o desejo de ajudar os
moradores de rua foram os pontos que fizeram com que o Abrigo Hope surgisse no
Rio de Janeiro. A ideia do americano erradicado no Rio de Janeiro e jornalista
Gleen Greenwald, em parceria com o vereador David Miranda, surgiu após
recolherem o cão de um homem que vivia na rua e foi atropelado.
O tema de
companheirismo e carinho entre moradores de rua e animais abandonados foi
explorado pelo casal, que produziu dois documentários dirigidos por Laura
Poitras, em 2015. Assim começou o questionamento do por que não construir um
local que recebesse tanto os animais como pessoas que estão nas ruas.
“O Gleen já tinha essa ideia e depois de assistir
uma palestra minha sobre adoção de crianças, me propôs coordenar o abrigo. Eu
tenho três filhos adotados e o Gleen, dois”, contou.
A ONG começou ajudando a Caroline, que é trans,
moradora de rua e tinha invadido uma casa no Alto da Boa Vista. Ela pegava
cachorros de rua e levava para essa residência no Rio, onde já estava com mais
de 25 animais resgatados. Na época, o Gleen também tinha mais ou menos a mesma
quantidade de cachorros resgatados e ficou cinco anos ajudando a Caroline
doando ração”, contou o diretor executivo e financeiro da Hope, Francisco
Anselmo Miranda David, de 41 anos.
Como a casa onde Caroline morava era invadida e
havia outros moradores de rua habitando no local, os diretores da Hope não
conseguiram dar continuidade ao projeto no local. Por isso, decidiram alugar um
sítio em Maricá, onde foi estabelecida a ONG, em outubro do ano passado.
Hoje, o espaço conta com quase 60 cães abrigados,
que podem ser adotados através do site da instituição e em feiras promovidas
pela Hope. Além disso, três pessoas que estavam em situação de rua, hoje estão
abrigados e trabalhando na ONG.
“Ainda estamos no início, o sítio ainda não é nosso
e por isso não temos permissão para fazermos obras. Ainda estamos tentando com
Maricá, uma parceria parecida com a que a gente tinha com a assistência social
do Rio, onde eles nos encaminhavam os moradores de rua para trabalhar com a gente
na Hope”, informou Francisco.
Depois de conseguir adquirir permanentemente a
primeira unidade, a ideia dos fundadores é replicar o projeto em outras cidades
e estados do país, dando oportunidades para pessoas sem moradia e animais
abandonados.
“O Gleen tem a intensão de fazer disso aqui, um
santuário. Terá visitação para trazer as crianças mais para perto dos animais,
e os cachorros para a adoção terão um espaço maior no sítio”, emendou.
Para Caroline, uma das inspirações para o projeto
nascer, a oportunidade tem sido boa e a experiência recompensatória.
“Agora a gente tem trabalho, coisa que não tínhamos
antes. Assim, temos condições melhores de vida. Foi uma boa oportunidade que
nos ofereceram. Eu sempre gostei de bicho, já criei vários, até cobra”, disse
Caroline, de 40 anos, que mora com o companheiro, o caseiro da Hope, Marcelo
Santos Barros, 37.
Quem quiser ajudar a instituição ou adotar um
animal, pode entrar em contato através da página https://abrigohope.org/.
Fotos:
Filipe Aguiar
Por
Daniela Scaffo
Fonte: O São Gonçalo


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