Foto: Pax Sudoeste/divulgação
A cachorrinha Lola, velada ao lado de Antônio Pedro Zardin, de 42 anos, e das filhas dele, Maria Fernanda, de 15, e Maria Carolina, de 11, terá a cremação custeada pela Pet Pax. A empresa especializada em funerais e sepultamentos de animais procurou os familiares após a despedida e ofereceu gratuitamente o procedimento, já que a legislação de Mato Grosso do Sul não permite que animais sejam sepultados no mesmo jazigo de seus tutores.
Lola morreu no mesmo acidente que vitimou Antônio e as duas meninas, na segunda-feira (07/09), na BR-163, próximo a São Gabriel do Oeste (MS). Na terça-feira (08/09), ela foi colocada em um pequeno caixão e velada junto às pessoas com quem compartilhava a vida. A cerimônia conjunta foi preparada pela Pax responsável pelo funeral, que permitiu que a cadela recebesse uma despedida integrada à da família.
A impossibilidade de sepultar Lola junto aos familiares, porém, levou a uma solução distinta. Segundo a Pet Pax, a empresa decidiu assumir os custos da cremação para garantir à cadela uma destinação digna.
“Entramos em contato com a família e vamos fazer uma doação da cremação, para o pet ter o melhor e mais digno fim”, informou a empresa.
A situação também trouxe novamente à discussão o reconhecimento dos animais como integrantes das famílias e o direito de seus responsáveis escolherem como preservar sua memória após a morte. Em Mato Grosso do Sul, uma proposta em tramitação na Assembleia Legislativa pretende permitir o sepultamento de animais em jazigos comuns com seus tutores.
O projeto foi apresentado pelo deputado estadual Lucas de Lima (PL) e estabelece que a prática dependeria de autorização do titular do jazigo ou do consentimento dos demais responsáveis, quando houver mais de um. O procedimento também precisaria ser registrado pela administração do cemitério e obedecer a normas sanitárias e ambientais.
A proposta prevê a apresentação de declaração de óbito emitida por médico-veterinário e determina que o corpo do animal seja acondicionado de maneira adequada para impedir a contaminação do solo e das águas subterrâneas. Também autoriza os cemitérios a criarem memoriais físicos ou digitais e a oferecerem cerimônias de despedida.
Na justificativa, o deputado afirma que a proposta acompanha a transformação da relação entre famílias e animais, cada vez mais reconhecidos como parte dos lares. O texto também aponta a necessidade de estabelecer uma destinação adequada aos corpos após a morte.
Proposta ainda aguarda parecer
A matéria permanece na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, onde deve passar pela análise de constitucionalidade e legalidade.
A última movimentação registrada ocorreu em 11 de março, quando o projeto foi encaminhado ao deputado Professor Rinaldo (União Brasil), relator da proposta. Desde então, o texto não retornou à comissão com parecer. Procurado pelo Campo Grande News, o parlamentar informou que o documento ainda não estava pronto e disse que verificaria a possibilidade de apresentá-lo na semana seguinte.
Enquanto a proposta não avança, famílias que desejarem preservar seus animais junto a parentes mortos continuam sem essa possibilidade no estado.
São Paulo já permite sepultamento conjunto
Em São Paulo, cães e gatos passaram a poder ser sepultados em jazigos familiares neste ano. A lei foi sancionada em 10 de fevereiro, após a aprovação, em dezembro de 2025, de um projeto apresentado originalmente em 2015.
A legislação paulista deixa aos serviços funerários de cada município a definição das regras para os procedimentos. Os custos ficam a cargo da família responsável pelo jazigo ou sepultura. Cemitérios particulares também podem estabelecer normas próprias, desde que respeitem as exigências legais.
Cremação oferece outra forma de despedida
Em Campo Grande, a cremação de animais segue um processo semelhante ao utilizado para pessoas, mas em equipamentos destinados exclusivamente a animais, segundo Fábio Figueiredo, da Pet Pax.
O serviço custa entre R$ 600 e R$ 2 mil, conforme o peso do animal e a modalidade escolhida. Na cremação individual, a família pode receber as cinzas e guardá-las em uma urna ou optar por alternativas biodegradáveis que permitem o plantio de uma árvore como forma de preservar a memória do animal.
A empresa também dispõe de uma sala para despedidas, onde familiares e outros animais que conviviam com o morto podem participar da homenagem. O espaço já recebeu não apenas cães e gatos, mas também coelhos, araras, jabutis e outros animais.
No caso de Lola, a cremação oferecida pela Pet Pax é uma forma de manter o vínculo com a família mesmo depois da morte. A cadela acompanhou Antônio e as meninas na vida cotidiana e na mudança de Bela Vista para Sinop, ocorrida cerca de oito meses antes da tragédia. Na última despedida, foi reconhecida novamente como parte daquele núcleo familiar.
Fonte: anda.jor.br
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