O urso-pardo Verrú morreu nesta quinta-feira (30) no santuário de animais Rancho dos Gnomos, em Joanópolis, no interior de São Paulo. O animal vivia no local desde 2019 e estava em tratamento após apresentar piora no quadro de saúde nas últimas semanas.
A morte foi comunicada em uma postagem feita em uma rede social da instituição, na qual o gestor do santuário, Marcos Pompeo, explicou a situação delicada de saúde do animal.
Segundo o santuário, Verrú era idoso e enfrentava problemas locomotores e neurológicos, consequência dos mais de 20 anos em que foi explorado em circos, onde chegou a ser usado como “urso dançarino”.
Durante o período em que sofreu maus-tratos no circo, o animal ficou cego de um olho e teve os dentes e as unhas arrancados à força. Além disso, ele sofreu queimaduras nas patas, pois era treinado para as apresentações em uma superfície de chapa quente.
Antes de ser resgatado, Verrú também passou cerca de 10 anos em um zoológico no Ceará, onde vivia até ser transferido para o santuário em SP.
No Nordeste, o animal era chamado de Dimas, mas ao vir para Joanópolis foi rebatizado e passou a ser conhecido como Verrú, nome que significa “força da superação”.
De acordo com a equipe do Rancho dos Gnomos, nos últimos 20 dias o urso vinha apresentando dificuldades para se levantar e andar, o que exigiu cuidados intensivos. Apesar das limitações, ele continuava se alimentando bem, até que teve uma piora no quadro e faleceu nesta quinta.
Segundo o santuário, o corpo do urso foi levado para o Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo, onde deve passar por exames para identificar a causa da morte.
Em nota, a instituição destacou que, apesar do passado de sofrimento, o urso “nunca demonstrou rancor” e era conhecido pelo comportamento dócil.
O Rancho dos Gnomos informou ainda que o espaço amanheceu em luto nesta sexta-feira (1º), e agradeceu o apoio recebido ao longo dos anos por pessoas que acompanharam a história do urso.
Transferência para SP
Verru foi resgatado em 2019, após uma decisão judicial que determinou a transferência dele e de outra ursa, Mizar, do zoológico de Canindé (CE) para o interior de São Paulo.
Na época, a mudança levou em consideração as condições inadequadas em que os animais viviam, incluindo o clima e o histórico de maus-tratos.
No santuário em SP, ele passou a viver em um ambiente mais próximo do natural e recebeu cuidados veterinários contínuos.
Verru não foi o único urso acolhido pelo santuário que marcou a história do local. Mizar, que chegou junto com ele em 2019 após a transferência do Ceará, também já morreu.
Antes deles, o Rancho dos Gnomos recebeu a ursa Rowena, que ficou conhecida nacionalmente como a “ursa mais triste do mundo” por viver em condições inadequadas no Nordeste – ela morreu em 2019, após complicações de um tumor.
Fonte: G1
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