Foto: Acervo Pessoal
O monitor escolar Luis Moreira estava a caminho do trabalho quando viu pela primeira vez a Estrelinha, uma cachorrinha de 10 meses que vivia nas ruas de Limeira (SP). Foi amor à primeira vista, mas o que o monitor não sabia é que encontro, ocorrido em março deste ano, também salvou a vida da filhote.
No mesmo dia em que levou Estrelinha para casa, o tutor percebeu que algo estava errado. Apesar de se mostrar alegre e carinhosa, a cachorra não conseguia comer e estava com o tórax expandido.
Preocupado, o monitor escolar levou o animal ao veterinário e levou um susto com o resultado do exame de raio X: um prego estava alojado no estômago dela.
“Se ele [Luis] não a socorresse e não a levasse para o atendimento veterinário, ela teria morrido com toda certeza”, contou o veterinário Henrique Maézi, que atendeu Estrelinha.
Cirurgia de emergência
Além da agilidade de Luis ao identificar que a cachorra precisava de ajuda, outro fator foi determinante: a filhote apareceu quando o limite do cartão de crédito dele era suficiente para custear uma cirurgia de emergência.
“Eu sempre gostei muito de cachorro. Minha vida inteira eu tive cachorro desde criança. Ela, felizmente, me encontrou no momento que eu estava sem conta no cartão [de crédito]. Aí eu pude pagar pelo tratamento dela”, disse o monitor escolar de Limeira.
O veterinário Henrique Maézi contou que Estrelinha chegou na clínica debilitada e vomitando. “No ultrassom, percebi que tinha um pouco de líquido livre e vi uma imagem que parecia ser um corpo estranho. O raio X confirmou a presença do prego no piloro”, relatou o veterinário.
O piloro é uma passagem muscular entre o estômago e o intestino delgado responsável por empurrar a comida do estômago para o intestino. Segundo o veterinário, os “corpos estranhos” engolidos costumam se prender nesse músculo.
A filhote precisou passar por uma laparotomia de emergência, procedimento que permite a visualização e tratamento dos órgãos.
“Eu retirei esse prego, e nós fizemos a limpeza do abdômen. Esse animal ficou sondado por dois dias e no terceiro dia já foi embora, e a recuperação foi surpreendente”, relatou o veterinário.
Escolha do nome e hipóteses para o acidente
A situação era tão grave que Luis nem teve tempo para decidir um nome para o animalzinho antes do início do procedimento cirúrgico. A decisão recaiu para a secretária da clínica, que precisou preencher o registro de entrada dele.
A atendente escreveu Estrelinha, e o tutor decidiu não trocar. “Eu levei ela lá de repente, E aí precisaria de colocar um nome pra ela para o registro, sabe? E aí surgiu Estrelinha”, explicou.
Estrelinha é uma cachorrinha que vivia nas ruas, e por isso, não é possível confirmar exatamente como ela ingeriu o prego.
Luis afasta a hipótese de que ela tenha sido vítima de alguma maldade. Para ele, é provável que tenha ingerido acidentalmente o prego enquanto revirava o lixo em busca do que comer.
“Aqui tem um monte de comércio, sabe? Na esquina aqui, perto de casa. Provavelmente ela deve ter fuçado lixo e acabou comendo sem querer. […] Parece que não era só o prego, ela estava com uns pedaços de osso de galinha no estômago”, explicou Luis.
Amor à primeira vista
Foto: Acervo Pessoal
Luis conheceu a cachorrinha Estrelinha em 3 de março, quando voltava ao trabalho de carro após o horário de almoço. Ele a viu subindo a rua, mas ela desapareceu da sua vista ao passar atrás do carro.
Preocupado que pudesse ter se escondido embaixo do veículo, desceu para verificar. Ao abrir a porta, Estrelinha estava ao lado do carro, balançando o rabinho.
Durante a internação médica, o tutor fez questão de visitar a cachorrinha todos os dias e, quando foi buscar após a alta médica, sabia que havia o risco de ela não o reconhecer. Por isso, estava preparado para receber uma recepção apática e um pouco assustada.
Isso porque ela tinha passado apenas um dia com ele e os outros três internada. Mas a surpresa veio no reencontro: assim que viu o tutor, Estrelinha pulou e comemorou como se fossem amigos de longa data.
“Foi um amor à primeira vista, digamos assim. Da minha parte, foi. E aparentemente da dela também. Então, aqui em casa ela é mais grudada comigo do que a outra [cachorrinha] que eu já tinha. Para onde eu vou, ela vai junto”, disse.
Fonte: G1
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