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sexta-feira, 13 de março de 2026

Comerciantes e moradores em situação de rua acolhem cachorros em São Paulo


 Cachorros dependem de ajuda de moradores de rua no centro de São Paulo

O centro histórico de São Paulo está repleto de cachorros, que apesar de circularem livremente entre a população escondem uma triste realidade, que inclui maus tratos, doenças e problemas físicos e só é amenizada com a generosidade de comerciantes, moradores de rua e Ongs.

No entorno da sede da Prefeitura, na região da praça do Patriarca, a reportagem do Portal VIVA se deparou com várias situações.

Em um pequeno trajeto, encontramos animais visivelmente desnutridos, doentes e com problemas de mobilidade sendo usados por dependentes químicos para pedirem esmolas. Também não foram raras as vezes que nos deparamos com animais feridos ou com cordas e fios apertados ao pescoço.

A Prefeitura de São Paulo não soube informar quantos animais vivem abandonados no centro da capital paulista, mas afirmou que realiza diversas ações como castração, vacinação e estimula adoções conscientes.

Ajuda que vem da rua

Na esquina da rua São Bento com a avenida São João vivem os três cachorros do aposentado Francisco Nunes de Souza, 58. Também conhecido por Jamaica, ele se encontra em situação de rua há mais de 20 anos, sempre no mesmo local.


Marcel Naves/VIVA – Francisco ao lado dos seus cachorros

Sua família, como ele mesmo define, são os labradores Safira, de 11 anos, o Brown, com 17, e o mais novo deles, o Pelé, um cão sem raça definida de apenas 1 ano. Os cães contam com a dedicação do Jamaica e uma rotina nada fácil.

Todos os dias às 18h ele monta sua barraca na praça Antonio Prado, a poucos metros de onde costuma ficar. Nas noites de frio ou chuva, todos se abrigam sob a mesma lona e só saem às 7h, quando o acampamento precisa ser desmontado, para não ser retirado pela Prefeitura. No resto do dia, o trabalho fica por conta de buscar ajuda, “que graças a Deus sempre chega”, relata Francisco.

O pessoal ajuda, não posso negar. Um dá ração, outro dá medicamento. A Safira, por exemplo, precisou de um táxi dog quando ficou doente. Paguei R$500 reais pra levar ela no veterinário. Se não fosse pelos outros, não conseguiria”.

Mobilização de comerciantes

O casal Francisco Ludinie Alves Lima e Elizangela Schiavone, são proprietários de uma banca de produtos de R$ 1, na Praça Ouvidor Pacheco e Silva. Há cerca de 2 anos eles adotaram dois cães.

Francisco conta que o Cara Preta, um autêntico cão caramelo de grande porte, foi abandonado nas ruas depois que os donos foram presos. Já a pequena cadela Lilica, também sem raça definida, era de uma ocupação e sofreu maus tratos antes de ser abandonada.

Graças à dedicação do casal, hoje tanto o Cara Preta quanto a Lilica esbanjam saúde, o que fez com que Francisco e Elisangela acabassem se engajando em movimentos sociais que reivindicam melhores condições para os animais de rua, como explica Francisco.

“A gente cuida deles e agora dos cachorros dos moradores de rua também. E tem uma ONG que nos ajuda com alimentação, às vezes com remédio, locomoção quando precisa, e castração”, diz o comerciante.

O que diz a Prefeitura

Em nota ao Portal VIVA, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), informou que disponibiliza diversos serviços voltados aos animais de estimação na capital. Os principais são:

Castração gratuita

O Programa Permanente de Controle Reprodutivo de Cães e Gatos é um serviço gratuito, conforme estabelece a lei municipal nº 13.131/2001, que oferece esterilização cirúrgica gratuita a moradores da capital maiores de 18 anos, com animais entre 3 meses e 10 anos. Desde 2001, mais de 1,7 milhão de animais foram esterilizados cirurgicamente.

Os pets castrados pelo programa municipal também são vacinados, microchipados e registrados com o Registro Geral do Animal (RGA). Informações e cadastro clique aqui.

Registro Geral do Animal

Desde 2001, o RGA é obrigatório por lei no município de São Paulo a todos os cães e gatos com idade superior a 3 meses de idade. O documento funciona como uma carteira de identidade para o animal de estimação e apresenta dados do pet e informações sobre o tutor. A carteirinha pode ser solicitada de forma online pelo Portal 156 ou presencialmente, em uma das praças de atendimento. Para mais informações clique aqui.

Vacinação antirrábica

A Divisão de Vigilância em Zoonoses (DVZ) possui 20 postos fixos de vacinação antirrábica em todas as regiões da capital. Os cidadãos podem levar seus animais para serem vacinados gratuitamente. À população pode consultar as informações e os locais de vacinação contra a raiva no site da Prefeitura.

Adoção responsável

O Centro Municipal de Adoção coloca cães e gatos filhotes, adultos e idosos, já vacinados, castrados, microchipados e com RGA para a adoção da população. O processo inclui entrevista e apresentação de documentos do tutor, além do pagamento de taxa pública de R$ 35,80. Os interessados podem acessar a página da coordenadoria sobre adoção e consultar as fotos dos animais disponíveis neste link.

Hospitais Veterinários Públicos

A capital conta com quatro hospitais veterinários públicos que oferecem consultas, exames, cirurgias e internação. Os hospitais estão localizados nas zonas norte, sul, leste e oeste da cidade e o atendimento é voltado à população de baixa renda e beneficiária de programa social, residente no município. O atendimento ocorre conforme disponibilidade de vagas, com priorização de casos de urgência e emergência. Mais informações estão disponíveis aqui.

ONG veio da fotografia

Em 2012, o fotógrafo Edu Leporo decidiu sair pelas ruas de São Paulo registrando e escrevendo sobre as histórias de companheirismo entre os cães e seus tutores em situação de rua.

A ideia deu tão certo que, entre exposições e entrevistas, ele e sua esposa, Renata, se juntaram a dois amigos para entregar ração pelas ruas do centro de São Paulo, dando início ao projeto Moradores de Rua e Seus Cães (MSRC).


Edu Leporo fundador da ONG MRSC / Foto: MSRC/Divulgação

Segundo Leporo, desde 2015 o projeto já atendeu cerca de 30 mil animais, e ainda prestou apoio a mais de 60 mil pessoas carentes. Ele afirma que, sem qualquer verba pública, já foram realizadas até agora mais de 5 mil castrações de animais de rua. O fotógrafo explica que essa é a medida mais eficiente par cuidar de cães e gatos de rua.

Só a castração vai minimizar o abandono, maus tratos e a venda ilegal de animais, enfim, essa desgraceira toda que tem por trás desse universo da rua.”

O presidente da MRSC explica atualmente as ações da ONG cresceram consideravelmente e hoje só são possíveis graças a ajuda de empresas do setor privado. A ONG também aceita doações, com destaque para rações, medicamentos, vacinas e produtos de higiene. Para detalhes basta acessar ao site da organização.

Por Marcel Naves

Fonte: Viva

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