O funcionário do zoológico, Paul Williams, caminha com Lucy, a elefanta no Edmonton Valley Zoo, em Edmonton. The Canadian Press/Jason Franson
Revelando as perturbadoras e desumanas condições dos elefantes mantidos em cativeiro em zoológicos, a cineasta Fern Levitt destaca Lucy, uma elefanta de 49 anos que está sendo mantida no Zoológico de Edmonton Valley. Como vemos no documentário Lucy: The Stolen Lives of Elephants (Lucy: As Vidas Roubadas dos Elefantes), embora várias pessoas tenham pedido que Lucy fosse transferida para um santuário, na companhia de outros elefantes, ela continua sozinha no zoológico.”
“Jurei que nunca mais faria outro filme sobre animais, depois que eu fiz Sled Dogs (cães de trenó, em tradução livre) e revelei a crueldade dessa indústria”, disse Levitt ao Yahoo Canadá sobre o que a inspirou a fazer este documentário. “Alguém me enviou uma foto de Lucy e eu dei uma olhada nesse elefante nesta clausura de cimento em Edmonton, uma das cidades mais frias do mundo, … e eu pensei “Oh meu Deus! Eu tenho que ajudá-la. Eu tenho que fazer alguma coisa”.
“Eu já estive em zoológicos. Eu fui nadar com os golfinhos… montei elefantes. Eu fiz isso tudo. Mas, à medida que eu questionei o tratamento dos animais, quanto mais pesquisa foi divulgada, eu comecei a me perguntar e pensar, se eu realmente me importo com os animais, … eu deveria colocar suas necessidades à frente das minhas necessidades de diversão”.
“A fachada que você vê quando você vai aos zoológicos é muito diferente da realidade”
Grande parte da história de Lucy é apresentada por meio de Mary-Ann Holm, fundadora do Projeto de Advogados de Lucy em Edmonton, que está em campo liderando o esforço para tentar levar Lucy para um santuário.
“Ela é uma heroína. Tenho grande admiração por ela”, disse Levitt sobre Holm. “Eu sou quem está fazendo este filme, mas é ela quem está com os pés no chão, lutando com tudo o que tem dentro de si para tentar levar este animal ao santuário onde ele pertence. Foi uma grande honra entrevistá-la, contar sua história e contar a história de Lucy.”
“Ela é como o Davi contra o Golias, porque o zoológico, por anos, apesar de todas as pessoas que têm tentado levar Lucy para um santuário, não a deixa ir. E eu espero que, agora que a ciência é tão clara sobre o fato de que esses animais não pertencem a esse lugar, e que isso é prejudicial para eles e para o nosso planeta, … este zoológico, neste momento, permita que ela vá para o santuário. Assim, ela pode viver os anos que lhe restam junto a outros elefantes.”
Mas Levitt também conecta a história de Lucy com outros contos angustiantes dos elefantes em diferentes partes do mundo e as pessoas que trabalham com eles, incluindo a coleta de imagens secretas.
Entre as pessoas com que Levitt falou está Lester O’Brien, um ex-tratador de elefantes do zoológico que tem uma quantidade significativa de culpa por espancar os animais, como disseram a ele para fazer em seu trabalho, para controlar os elefantes. E Scott Blais, que costumava ser um treinador de elefantes no African Lion Safari. No filme, Blais narra o abuso horrendo que ele viu os elefantes sofrerem e a transformação que pode ser vista quando os elefantes em cativeiro se mudam para o santuário.
Em Lucy: The Stolen Lives of Elephants, Levitt encontra o equilíbrio necessário entre mostrar para o público as realidades cruéis que os elefantes enfrentam ao mesmo tempo em que faz um filme que não se desliga completamente do seu público.
“Queremos que as pessoas assistam a este filme, e é muito difícil para muitos de nós, para a maioria de nós, ver animais sendo torturados”, disse Levitt. “[Mas] as pessoas precisam saber que a fachada que você vê ao visitar zoológicos é muito diferente da realidade.”
“Portanto, é realmente um equilíbrio de mostrar a realidade do sofrimento que esses animais passam e contar a história. … Eu quero que as pessoas assistam e não quero que as pessoas se afastem, mas que elas também têm que saber a verdade”.
Lucy: The Stolen Lives of Elephants (CCI Entertainment)
“É a coisa certa e moral a fazer”
Um elemento central na mensagem do filme é que nós precisamos destruir esta crença de que, para salvar os animais, nós precisamos vê-los. Mas, em vez disso, nossa falta de acesso aos animais pode ser um sinal de que os humanos trabalham para proteger animais, como os elefantes.
“Eu também senti, como mãe, que eu decepcionei meus filhos. Que eu deveria estar fazendo as perguntas, porque eu os levei para os zoológicos e passeios de elefantes e normalizei isso”, disse Levitt. “Não havia nada de normal nisso”.
“Eles têm tanto direito de estar nesta terra quanto nós temos, e é 2025, por que nós ainda estamos fazendo isso com eles?”
Para Lucy, como nós vemos no filme, tem havido preocupações sobre a possibilidade da morte dela se transportada para um santuário, embora especialistas independentes em elefantes acreditam que ela esteja saudável o suficiente para ser movida seguramente, o que será melhor para a saúde da elefanta”.
“(Lucy) está sozinha. As fêmeas nunca estão sozinhas. Elas estão sempre com seu rebanho desde quando nascem até o momento em que morrem”, destacou Levitt. “E esta elefanta está basicamente sozinha por quase 48 anos, onde há um santuário que ela poderia ir ao calor da Califórnia e estar com outros elefantes”.
“Eu realmente espero que, por meio deste filme, os canadenses, pessoas em Edmonton, … tomaremos uma decisão, porque nós realmente nos importamos com os animais aqui. Nós nos importamos profundamente com eles. E, fazendo este filme, eu não tinha ideia de quantas pessoas amam elefantes. … E se você as ama, e tantas pessoas o fazem, então, por favor, exija que Lucy vá para o santuário. Ela precisa ir e é a coisa certa e moral a fazer”.
Lucy: The Stolen Lives of Elephants está atualmente nos cinemas canadenses selecionados.
Por Elisabetta Bianchini / Tradução de Fátima C. G. Maciel
Fonte: Yahoo
Nota do Olhar Animal: Os zoológicos (e seus assemelhados) são sistemas prisionais para animais quase sempre inseguros, tanto para os bichos quanto para os visitantes e funcionários. Não há vigilância satisfatória para impedir que os animais sofram agressões, tão pouco para impedir o acesso do público aos recintos. Os visitantes e os próprios funcionários acabam vitimados pela negligência com os aspectos de segurança, sendo atacados por animais estressados e confinados em seus cativeiros. E, não bastasse os animais serem condenados à reclusão perpétua para satisfazer a mera curiosidade do público, as fugas ocorrem frequentemente, fazendo com que os animais se deparem com um ambiente urbano e hostil a eles. Não é incomum que os animais que buscam sua liberdade acabem sendo abatidos pelas autoridades, que justificam a covardia como sendo “por questões de segurança”. Para o bem dos animais, zoológicos devem ser convertidos em centros de triagem de animais silvestres, que fazem o resgate e dão os cuidados necessários e que não recebem visitação do público. Os animais exóticos devem ser enviados para santuários e os zoológicos que não puderem ser adaptados como centros de triagem devem ser extintos.
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