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quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Família de Jeff Machado doa objetos de cães do ator à ONG que resgatou animais abandonados após o crime

 


Foto: Reprodução | Instagram

O ator Jeff Machado, encontrado morto em um báu e enterrado aos fundos de uma quitinete na Zona Oeste do Rio, era apaixonado pela raça Setter, conhecida pelo bom humor e alegria. Nas redes sociais, o artista gostava de mostrar o seu amor pelos oito cães que ele batizou com nomes de estrelas da MPB: Tim Maia, Nando Reis, Elis Regina, Cazuza, Vinicius de Moraes, Gilberto Gil, Rita Lee e Caetano Veloso.

Em homenagem à memória do artista, a família decidiu doar os objetos que pertenciam aos cachorros para a ONG Indefesos, responsável por resgatá-los das ruas após serem abandonados pelos suspeitos do crime, Bruno Rodrigues e Jeander Vinícius, em fevereiro deste ano. Um dos cachorros, Gilberto Gil, continua desaparecido. Entre as doações estavam, nove pufs de couro, tapetes, almofadas, caminhas, remédios, tesoura de cortar pelo, uma caixa com aparelhos de higiene, roupinhas, cobertas e travesseiros.

“Nós resgatamos esses seis cães. Eles foram levados para uma clínica de parceiros. Gilberto Gil ainda está desaparecido. Os animais ficaram acolhidos em um spar em Vargem Grande. Comecei a ter contato com o irmão de Jeff e a mãe dele e nos tornamos próximos. Ela dizia que faria as doações para a ONG porque sentia vontade de ajudar”, afirmou Ágata Cássia, representante da ONG.

Cássia explicou ainda que dona Maria das Dores decidiu fazer as doações após descobrir a morte do filho. A mãe de Jeff acompanhou todo o processo, na semana passada, quando esteve no Rio.

“Nós buscamos as coisas na casa do Jeff, mandamos um frete até lá. O irmão dele, Diogo, acompanhou tudo. Era um desejo deles. Os cães estão bem e são muito bem cuidados. Agora os animais estão aos cuidados de seus novos tutores”, afirmou Cássia.



Os animais foram abandonados em janeiro, situação que despertou suspeita sobre o desaparecimento de Jeff, como era conhecido. Caetano e Rita Lee morreram, Gilberto Gil continua desaparecido e os outros cinco foram doados. A doação foi organizada por Patrícia Triacca, veterinária amiga do ator e criadora da raça, co o consentimento da família. Os animais foram entregues a clientes de Patrícia, que acompanharam o caso desde o início, quando fotos dos animais abandonados começaram a circular por um grupo do WhatsApp em comum entre eles. Após o desaparecimento do ator, os cachorros foram localizados pela ONG Indefesos, de proteção aos animais.

Entenda o caso

Cazuza e Vinícius de Moraes, dois dos oito cães da raça Setter que tinham o ator como tutor, foram encontrados nas ruas da região. Antes sempre bem cuidados por Jeff, eles foram identificados através de microchip e levantaram suspeitas de que tinha algo errado. Em alguns dias, parentes e amigos de Jeff, com o apoio e o empenho da ONG Indefesos, encontraram sete dos oito cães. Deste total, dois morreram. Um segue desaparecido até hoje. Os animais, que se mostraram parte importante da investigação para desvendar o crime, foram levados para novos lares uma semana após serem resgatados.

Patricia Triacca, veterinária amiga de Jeff, foi quem encontrou os novos tutores para os animais. São pessoas que já conhecia e tinha confiança para abrigá-los após uma série de mudanças bruscas em tão pouco tempo. Com autorização da família do ator, a guarda foi passada, com o conhecimento que poderia ser temporária, dependendo do rumo que a história tomasse.

Fã de MPB, Jeff deu nome de estrelas do gênero para os cães. Vinícius de Moraes e Cazuza foram juntos para uma nova casa. Tim Maia, Nando Reis e Elis Regina foram cada um para um novo endereço. Caetano Veloso e Rita Lee morreram, Gilberto Gil continua desaparecido. Os animais sempre apareciam em fotos e vídeos em redes sociais do ator recebendo carinhos, brincando e interagindo. Juntos às novas famílias, Patricia quer manter as atualizações no @dogsdojeff, perfil no Instagram onde tudo era compartilhado.

“Eles precisam de muitos cuidados, são muitos gastos. Não era o momento para (os parentes) se preocuparem com isso. Pedi para resolverem dessa forma. As pessoas foram se prontificando a ficar, e a gente fez o documento (de tutela). Os cães ficaram só uma semana na clínica. As pessoas que adotaram, assinaram e entenderam que poderia ser uma guarda momentânea ou para sempre”, conta Patricia, que cuidou da adoção dos animais.

Nesses quatro meses, os novos tutores fazem fotos e vídeos de como estão os cães em suas novas rotinas. Neles, aparecem brincando e interagindo com a nova família. Todos foram para casas que tinham ao menos um outro cachorro da raça. Acompanhando-os de perto e com atenção, apesar do contato remoto por morar em Brasília, Patricia afirma que os animais estão adaptados. A convivência antes em um grupo tão grande, conta, acaba por ajudar neste processo.

“Qualquer cachorro dá trabalho. Não é que só o Setter. Todos precisam de tempo, disponibilidade, cuidado e dinheiro para isso. De repente precisa de uma creche caso o tutor passe o dia fora, um passeador porque trabalha, coleira de carrapato, remédio. Eu que sugeri à família que os deixasse no Rio. Precisava fazer os documentos, seria cerca de R$ 5 mil só de transporte. E era no meio daquele turbilhão. Tem banho, tosa, saco da ração. Uma despesa fixa com que tem que contar”, explica a veterinária.

Adaptação ao novo lar

Patricia Triacca conta que os animais, quando tirados de um ambiente ao qual estão acostumados, precisam de um período de adaptação. Embora vivessem em um grande grupo, com oito indivíduos, ela destaca que a vivência em matilha acaba sendo um facilitador de se sentirem confortáveis em um ambiente totalmente diferente, que inclui outros cães e pessoas.

Fuga após o portão ser aberto

Segundo as investigações, logo após o assassinato de Jeff, os cachorros foram levados para um terreiro e teriam sido soltos na rua quando Bruno Rodrigues, principal suspeito do crime, abriu o portão do local para que fugissem. Eles ficaram dias nas ruas até serem resgatados pela ONG Indefesos. Ao serem encontrados, conta Patricia, eram levados para uma clínica e, cerca de uma semana depois, para a casa de novos tutores. Os custos foram arcados pela família do ator.

“Impactar, claro que acontece. Os animais estavam no sofá de casa, depois num terreno, na rua e então numa casa nova com outra família. O período de adaptação é de um mês a 40 dias, podendo chegar a até 3 meses. Como viviam juntos, era mais fácil, porque viviam como cães, sem manias, por exemplo, de esperar o tutor chegar, na hora da comida. Na matilha é mais fácil”, explica Patricia.

Assim que surgiu a notícia dos cães aparecendo nas ruas, a especialista forense e veterinária Maria Cecília Monteiro demonstrou interesse em receber um dos animais. Ela acompanhava o perfil de Jeff no Instagram dedicado aos Setters e foi impactada pela história do desaparecimento dele. Após alguns dias do início dos resgates, Nando Reis chegava à sua casa, em São Paulo. Ainda em fase de tratamento, inspirava cuidados e foi prontamente recebido por todos, incluindo Jimmi (o agora irmão também da raça Setter) e a gata Agatha. Para um recomeço, aos 8 anos, Nando virou Jorge, mas preserva suas raízes com o sobrenome Machado, o mesmo de Jeff.

“Ele é muito bonzinho. Jimmi não é ciumento, é muito fofo. Jorge chegou com medo, o que era normal. E a Agatha se dá bem com outros cachorros, e se aproximou já no primeiro dia. Os três hoje são um grude. No início, Jorge não se separava de mim um minuto. Fui fazendo vários reforços positivos e, hoje, está soltinho, fica à vontade em casa, aprendeu a brincar e o levo para interagir com outros cachorros”, conta a nova tutora.

A idade dos cães pode demandar um maior período para adaptação, mas não é um impeditivo.

“Nando Reis tem 8 anos e o irmão também. Hoje, já dormem, brincam juntos, correm. É um período necessário. Tiveram que entender a nova rotina. As pessoas receberam muito bem, prontificaram-se porque poderiam dar atenção, dar amor. Eles se sentem confortáveis e amparados, e flui. Ter amor é o que comanda”, diz a veterinária.

Originalmente uma raça para caça, o Setter tem como característica ser bem-humorado, gostar de brincar e se adaptar à família. Patricia e Jeff se conheceram pelo amor que o ator passou a ter pela raça, com alguns de seus cães vindo da criação da amiga. Dedicado, aprendeu a educar os animais e a cuidar, incluindo banho e tosa. Nas redes, compartilhava também os encontros com amigos e com seus cães. Era no perfil criado para os cachorros que contava como cada um tinha entrado em sua vida.

“Setter é a minha versão cachorro, tanto na personalidade como aparência, por isso me tornei protetor da raça no Brasil”, escreveu na legenda de uma foto em que exibe três de seus “filhos”: Nando Reis, Rita Lee e Elis Regina.

“A gente mantém contato com os outros. A ideia é fazer contato com os outros irmãos quando der. O cachorro entra em depressão quando se separa dos familiares”, diz Maria Cecília.

A raça Setter não é comum no Brasil. Poucos são os criadores e especialistas. Patricia é uma delas. Foi assim que ela conheceu Jeff, de quem viria a se tornar amiga. Eles, inclusive, conversavam sobre a chegada de mais um cão da raça para o ator. Após cerca de dois anos em contato para alinhar tudo, no fim de janeiro, quando Patricia falou que estava nos últimos ajustes, Jeff não demonstrou interesse, reação totalmente diferente da que tinha até então. Para justificar que não poderia mais ficar com o novo cão — que receberia o nome de Roberto Carlos — disse, por mensagem de texto, que os animais tinham sido envenenados e que suspeitava de se tratar de um caso de homofobia de um dos vizinhos.

“Cinco desses vieram da minha casa. Ele ficou dois anos me pedindo outro cachorro. Eu o conhecia há bastante tempo, nos falávamos. Coincidiu de ser uma semana antes, e estávamos organizando a viagem desse cão. Dia 23 começou a me chamar de manhã, dizendo que ficaria com o cachorro. Ele me chamou para mandar o pagamento. Conversamos uns 10 a 15 minutos. À noite, mandei vídeos do cachorro e ele não respondeu. No outro dia, nada de responder. Eu estava com problemas pessoais, viajaria no fim de semana. No dia 25 mandei uma mensagem “Jeff, e aí?” e já me respondeu “estou com problemas”. Tudo era estranho, e eu não tinha como me aprofundar em nada, eu estava com problemas pessoais”, lembra Patricia.

Nos momentos da mensagem, segundo as investigações, quem usava o celular de Jeff era Bruno Rodrigues, produtor de TV que se colocava como amigo do ator. Amigos e parentes não mais conseguiam contato com Jeff por ligação, nem que mandasse áudio ou vídeo, o que era um hábito muito comum. Uma outra desconfiança era não ter entrado em contato, até então, falando sobre o que tinha acontecido sobre o suposto envenenamento.

“Ele falou que os cães estavam passando mal e os estava levando para uma clínica no Recreio. À noite, perguntei, e ele respondeu que estavam todos bens. Disse que, com os gastos extras com os cães, não poderia ter outro. Ele (Bruno) bolou esse plano para não ter esse outro cão. E eu não ia insistir”, diz Patricia, que chegou a ligar para as clínicas do bairro em busca de informações, sem que encontrasse animais da raça internados.

Dias depois, ela entrou em contato para falar que dois dos cães dele tinham sido encontrados vagando nas ruas da Zona Oeste, o primeiro dos resgates feitos pela ONG Indefesos. Num grupo de mensagens dedicado aos Setters, as imagens começaram a ser compartilhadas, em 1º de fevereiro. Patricia queria saber o que estava acontecendo. O ator foi identificado como tutor dos animais através do microchip que possuem, que armazena os dados do responsável. A falta de ação deu início à desconfiança de que não era o amigo com quem ela estava se comunicando.

“Viu que eu estava no pé dele, que não era o Jeff. E logo depois começaram a aparecer as imagens dos cães. Passaram 48 horas, e eu discutindo muito com ele. Não me ligava, não mandava localização, não provava nada. Entrei em contato com a família e perguntei qual foi a última vez que tinham ouvido a voz do Jeff. Não por mensagem. E já falavam que ele estava em São Paulo e que não conseguiam falar com ele. Foi um balde de água em todos”, conta a amiga.

Em dado momento, Patricia recebeu como explicação que os cães estavam na casa de uma amiga em Jacarepaguá, também na Zona Oeste do Rio. Depois de muito cobrar por um número de telefone, a veterinária recebeu uma ligação de uma pessoa que se identificou como o namorado da mulher, chamado Giovani. Ele contou detalhes da situação. Giovani teria falado que conheceu o ator na Praia de Abricó, que teria contado sobre um cachorro muito doente, perguntando se sabia de um lugar onde ele pudesse abandoná-lo. Combinaram um encontro próximo a uma igreja em Santa Cruz, bairro onde a maioria dos animais foi encontrada, e, quando Jeff chegou, ao invés de um cão, estava com os oito. No curso das investigações, que duraram quatro meses, a polícia descobriu que Giovani na verdade era Bruno, o principal suspeito pelo crime.

Parentes e amigos reuniram material e foram à Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), no Jacarezinho. Desde então, uma investigação foi iniciada à procura do ator, que foi encontrado morto dentro de um baú enterrado e concretado no quintal de uma casa em Campo Grande no fim de maio, quatro meses depois.

Fonte: Extra 

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