Mariana Dandara | Redação ANDA
O escultor chinês Cao Hui decidiu tirar as pessoas da zona de conforto que as convence que não há nada de errado em comprar peças de couro e, para isso, produziu esculturas que retratam a realidade desse produto repleto do sofrimento de animais sencientes.
Produzidos pelo artista, um casaco, uma
poltrona e uma mala de viagem com carne, vísceras, sangue e órgãos mostram que
o couro é uma parte do corpo de um animal que viveu uma vida miserável e foi
covardemente morto.
O objetivo do escultor é chocar a sociedade
para que, a partir do choque inicial, as pessoas passem a refletir sobre os
produtos que consomem e a crueldade que financiam através deles.
A
arte do chinês desnuda o que a agropecuária tanto quer esconder. Por trás do
casaco de couro na vitrine da loja há um animal com sangue, carne, órgãos, que
sofreu, sentiu dores horríveis, foi confinado em um caminhão superlotado, teve
seu corpo queimado para marcação com ferro quente, e que, de maneira prematura,
teve sua vida ceifada. Essa é a realidade que a pecuária esconde e que Cao Hui
revela através de suas obras.
As esculturas do artista transformam o
imaginário de quem as vê ao pôr fim à ideia de que uma peça de couro é apenas
uma peça de couro. Há morte, há sofrimento, há um ser vivo que foi reduzido a
um objeto de maneira cruel. E Cao Hui mostra isso.
Para criar obras tão realistas, o escultor
usa fibras e resinas que imitam o couro, a carne, o sangue, as vísceras e os
órgãos dos animais.
Alternativas
éticas
O uso de couro não só é
uma prática cruel, como dispensável. Isso porque é possível optar pelo couro
sintético. Além disso, o mercado tem se renovado a cada dia, apresentando aos
consumidores diversas alternativas livres de crueldade animal e sustentáveis,
como os couros veganos à base de cogumelo, folhas de cacto, fibra de maçã,
bagaço de uva e abacaxi – todos de alta qualidade e com resultado final
impressionante na similaridade da aparência com o couro de origem animal.
Fotos: Cao Hui
Fonte: anda.jor.br




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