Por Eliane
Arakaki, ANDA
| Foto: Triangle News
Uma aposentada, amante de animais,
moradora de Westgate-on-Sea, Kent (Reino Unido), relatou sua descrença e
surpresa depois que três policiais bateram à sua porta para adverti-la por
alimentar um gato que ela achava ser abandonado.
Shirley Key ficou “envergonhada e
aborrecida” quando foi advertida por cuidar de um gato e receber ainda uma
notificação por escrito da polícia.
Uma notificação desse tipo é entregue
a pessoas que sejam “persistentes” em comportamento “irracional” pela a Lei de
Comportamento Anti-Social, Crime e Policiamento de 2014 (Reino Unido).
Mas a Sra. Key cuidou do gato durante
quase um ano, inclusive, pagando uma conta do veterinário de 200 libras esterlinas
(aproximadamente mil reais).
A aposentada de 79 anos recebeu duas
visitas diferentes de policiais e uma delas acompanhada de uma notificação por
escrito acusando-a de “roubo de gatos”.
A sra. Key, viu o gato pela primeira vez em abril de 2017, ele
estava muito magro e estava dentro de sua estufa de plantas.
Alguns meses depois, o pequeno felino
preto voltou e a Sra. Key ficou com pena dele pois estava realmente muito
magro, “ele estava todo enrolado na estufa, muito quieto e letárgico, então eu
dei a ele um pouquinho de comida”, contou ela.
“Ele pareceu gostar e era muito
carinhoso. O gato estava só pele e osso e parecia muito fraco, ele obviamente
não comia há bastante tempo, então eu resolvi levá-lo a uma clínica
veterinária, que me pediu para cuidar dele”.
“Eles afirmaram tratar-se de um
animal negligenciado, fruto de maus-tratos”.
“Tentamos fazer o bem e ainda somos
acusados. É ridículo”, desabafa a aposentada.
Um veterinário examinou e medicou o
gato e a Srta. Key pagou a conta de £ 200 (aproximadamente mil reais),
continuando a alimentá-lo e a cuidar dele, enquanto perguntava aos vizinhos se
eles sabiam quem poderia ser seu tutor.
Por fim, em novembro, ela descobriu
que o gato pertencia a um vizinho e, embora ela tenha se aproximado deles, o
gato continuou a visitar sua casa.
Ela afirmou: “Eu juro que não o
encorajei, eu sequer lhe dei um nome! Eu não tenho animais domésticos, mas eu
deixo a porta entreaberta por causa do ar fresco, então ele entrava e saia.”
“Eu não poderia mantê-lo pra fora de
casa a menos que eu mantivesse as portas fechadas e eu não queria fazer isso.”
A sra. Key continuou a dar comida ao
gato caso ele aparecesse até maio deste ano, quando um policial bateu à sua
porta, dizendo que ela havia sido denunciada por “roubo de gato”.
Foto: Triangle News
“Quando eu vi um policial na porta da
minha casa, todo tipo de coisa passou pela minha cabeça”
Após parar de alimentar o gato, três
semanas depois os policiais voltaram, dessa vez eles anunciaram que estavam
entregando uma notificação oficial de proteção da comunidade.
A notificação dizia que a Sra. Key
não deveria “permitir que o animal de outra pessoa entrasse em sua propriedade,
incluindo dependências” ou “permitir que os animais domésticos de outra pessoa
passassem a noite em sua casa”.
Tratava-se de uma notificação
legalmente executável quando “a conduta do indivíduo ou do grupo tem um efeito
prejudicial, de natureza persistente e contínua, na qualidade de vida daqueles
que residem na localidade”.
A violação do aviso poderia gerar uma
multa de £ 80 (aproximadamente 400 reais), uma convocação judicial e um
registro criminal.
“Eu me senti uma criminosa”, desabafa
ela
“Se eu tivesse ido aos jardins das
pessoas para roubar gatos, seria uma coisa, mas tudo que fiz foi alimentar um
animal que precisava de ajuda”.
“Os gatos vão onde querem ir, foi ele
que decidiu vir até mim. É assustador para alguém da minha idade enfrentar esse
tipo de acusação”.
“A última vez que eles vieram eu
desmoronei. Eu perdi meu irmão e eu sou a último da família, esse gatinho
realmente curou a dor do meu coração”.
Desde então, a Polícia de Kent
admitiu que os policiais agiram com mãos muito pesadas e não deveriam ter
advertido ou notificado a Sra. Key.
Em um comunicado, o inspetor-chefe
disse: “Um aviso foi dado a um morador por engano em 31 de maio em Westgate,
após um relatório de uma disputa entre dois vizinhos”.
“O aviso foi retirado e a questão foi
totalmente explicada ao morador”, atestou o inspetor chefe.
A sra. Key disse que, embora a
polícia tenha removido a notificação, eles ainda não se desculparam.
Mas ela não foi atingida pela
experiência ruim e espera adotar um gato até o final do ano.
O gato, desde então, foi trancado em
sua casa na vizinhança.
Fóruns de bate-papo on-line estão
repletos de pessoas perguntando se alimentar o gato de outra pessoa é crime.
Uma porta-voz da Cat’s Protection afirmou haver muita
confusão sobre o caso e se isso realmente equivalia a sequestro.
Ela disse: “aconselhamos sempre que o
correto é que o gato use uma coleira e uma etiqueta de identidade.”
“Isso ajuda caso o animal se perca ou
se houver dúvida sobre seus tutores”.
“Às vezes é útil apenas perguntar aos
vizinhos. Dessa forma, você pode descobrir se é o gato de alguém ou se esta
abandonado.”
Fonte: anda.jor.br


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