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sábado, 24 de outubro de 2026

Cidade tem população estimada em mais de 160 mil gatos em situação de rua


 Foto: Emrah Gurel/AP

A cidade de Istambul, na Turquia, abriga mais de 160 mil gatos que circulam livremente por ruas, praças, estabelecimentos comerciais e locais históricos. A convivência com os gatinhos faz parte da identidade da cidade, onde moradores oferecem água, alimento e abrigo. A população numerosa, porém, impõe um desafio à gestão pública. Sem controle populacional contínuo, novos nascimentos podem ampliar a demanda por assistência veterinária e agravar a vulnerabilidade dos animais que dependem dos cuidados comunitários.

A relação entre os habitantes e os gatos remonta ao período otomano. Quando os otomanos conquistaram Constantinopla, em 1453, os gatos já circulavam perto de bancas de peixe e açougues em busca de alimento. Segundo Altan Armutak, professor do departamento de história veterinária da Universidade de Istambul, alimentar os animais era associado à caridade religiosa. Os gatos também ajudavam a controlar a presença de ratos em mercados, depósitos e estabelecimentos comerciais.

Ao longo dos séculos, os gatos se integraram à rotina urbana. Moradores e comerciantes disponibilizam água e comida, improvisam abrigos e ajudam a encaminhar animais doentes para atendimento. Alguns estabelecimentos permitem que eles entrem para descansar.

Essa convivência, contudo, não substitui medidas para conter a reprodução descontrolada e assegurar assistência adequada. Quando o crescimento da população não é acompanhado por políticas públicas, aumenta a pressão sobre os recursos disponíveis e sobre as pessoas e instituições responsáveis pelos cuidados.

A Prefeitura Metropolitana de Istambul oferece consultas, tratamentos, vacinação, castração e identificação para gatos que vivem nas ruas. Dados sobre a atuação municipal indicam que mais de 43 mil gatos foram castrados em 2025. A administração também mantém o Vetbus, serviço móvel que leva atendimento veterinário a diferentes bairros.

O número de procedimentos, isoladamente, não permite avaliar se as ações são suficientes para estabilizar a população. Para dimensionar os resultados, seria necessário conhecer a quantidade de gatos ainda não castrados, a distribuição dos animais pelos bairros e o número de novos nascimentos.

A castração sistemática, acompanhada de identificação e monitoramento, permite reduzir gradualmente a reprodução. Para produzir resultados duradouros, os programas precisam ser contínuos e contemplar também animais feridos ou doentes e filhotes sem cuidados adequados.

A responsabilidade não pode recair exclusivamente sobre moradores e comerciantes. Cabe ao poder público garantir serviços acessíveis, acompanhar os resultados das medidas adotadas e planejar o atendimento de acordo com as necessidades dos animais.

A presença dos gatos também transformou alguns deles em símbolos turísticos da cidade. Tombili, que ganhou popularidade na internet, recebeu uma estátua de bronze no bairro de Kadıköy após morrer, em 2016. Gli, gata que vivia na Basílica de Santa Sofia, ficou conhecida internacionalmente após ser acariciada pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante uma visita em 2009. Após sua morte, em 2020, ela também recebeu homenagens na imprensa turca.

No Palácio de Topkapi, antiga residência dos sultões otomanos, uma abertura histórica foi restaurada para permitir a passagem dos gatos. A presença dos animais em monumentos e estabelecimentos comerciais reflete uma relação construída ao longo de gerações, mas sua valorização cultural não elimina a necessidade de políticas que assegurem seu bem-estar.

Proteger os gatos de Istambul exige mais do que oferecer alimento e permitir sua circulação. A castração contínua, a prevenção de doenças e a assistência veterinária precisam ser acompanhadas por dados que permitam avaliar os resultados das ações públicas. O objetivo não é afastar os animais dos espaços urbanos, mas garantir condições dignas de vida e evitar que a reprodução sem planejamento aumente sua vulnerabilidade.

Fonte: anda.jor.br

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