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É provável que, a essa altura, o mundo inteiro já tenha visto o pequeno macaco agarrado firmemente a um brinquedo de pelúcia de orangotango. Punch, um filhote do Zoológico da Cidade de Ichikawa, conquistou o coração de muitos por seu tamanho adorável e por sua jornada agridoce em busca de amigos. No entanto, esse fascínio por Punch esconde uma realidade triste: a do cativeiro e dos milhares de animais mantidos em confinamento, privados de sua liberdade natural e de um habitat complexo destruído pela sua remoção.
Recentemente, Jason Baker, diretor da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA), afirmou em comunicado: “O que alguns chamam de ‘fofo’ é, na verdade, um vislumbre do trauma de um jovem primata altamente social lidando com o isolamento e a perda. Enquanto essas instituições não pararem de tratar seres sencientes como atrações, animais como Punch continuarão a sofrer em cativeiro.”
No Japão, milhares de fãs chegam a esperar horas em fila apenas para ver Punch. Mas, como Baker destaca, em breve o fascínio do público acabará.
Punch, no entanto, continuará preso no zoológico pelo resto da vida. Ele não terá a oportunidade de explorar o mundo que seus ancestrais percorriam livremente e, em vez disso, sua fama pode apenas perpetuar o ciclo de cativeiro animal, especialmente para os mais jovens.
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Visitar um zoológico é, para muitos, o primeiro — e talvez único — contato com espécies exóticas e fascinantes. Embora seja uma experiência agradável para o visitante, apenas ele se beneficia dessa interação, enquanto os animais sofrem em cativeiro perpétuo. Segundo a organização In Defense of Animals (IDA), os zoológicos recorrem a métodos brutais e invasivos para reproduzir espécies. Frequentemente, os animais enfrentam confinamento solitário por longos períodos e, nessas condições, se recusam a acasalar. Assim, os zoológicos frequentemente “violam sexualmente os corpos dos animais e os engravidam artificialmente”. São esses métodos que dão origem aos filhotes que admiramos nas visitas.
Em cativeiro, muitos animais desenvolvem zoocose, caracterizada por comportamentos obsessivos e repetitivos, incluindo automutilação. Entre eles: andar de um lado para o outro, morder grades, arrancar os próprios pelos, vomitar, apresentar distúrbios alimentares e anorexia. Desde seus movimentos e horários de alimentação até suas decisões, os animais não têm autonomia sobre suas vidas, o que lhes nega a oportunidade de vivenciar a vida real. Muitos morrem mais rapidamente em zoológicos do que na natureza. Mesmo quando chegam à velhice, são frequentemente sacrificados ou vendidos para laboratórios médicos ou instalações inadequadas, considerados “sem valor” diante dos custos de manutenção.
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A fama online de Punch uniu espectadores em torno de um amor compartilhado pelo macaquinho. No entanto, é importante lembrar que muitos zoológicos funcionam como empresas que priorizam o lucro em detrimento do bem-estar animal. É inaceitável que milhares de animais sejam retirados de seus lares, separados de suas famílias e mantidos em pequenas gaiolas apenas para nosso entretenimento. Punch merece crescer em seu habitat natural — onde talvez não precise mais carregar seu brinquedo de orangotango para todos os lados.
Por Maria Cato / Tradução de Shirlei Cioruci (com IA)
Fonte: Her Campus
Nota do Olhar Animal: Os zoológicos (e seus assemelhados) são sistemas prisionais para animais quase sempre inseguros, tanto para os bichos quanto para os visitantes e funcionários. Não há vigilância satisfatória para impedir que os animais sofram agressões, tão pouco para impedir o acesso do público aos recintos. Os visitantes e os próprios funcionários acabam vitimados pela negligência com os aspectos de segurança, sendo atacados por animais estressados e confinados em seus cativeiros. E, não bastasse os animais serem condenados à reclusão perpétua para satisfazer a mera curiosidade do público, as fugas ocorrem frequentemente, fazendo com que os animais se deparem com um ambiente urbano e hostil a eles. Não é incomum que os animais que buscam sua liberdade acabem sendo abatidos pelas autoridades, que justificam a covardia como sendo “por questões de segurança”. Para o bem dos animais, zoológicos devem ser convertidos em centros de triagem de animais silvestres, que fazem o resgate e dão os cuidados necessários e que não recebem visitação do público. Os animais exóticos devem ser enviados para santuários e os zoológicos que não puderem ser adaptados como centros de triagem devem ser extintos.
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