O biólogo russo Kirill Sergeevich Kravchenko, de 36 anos, foi
condenado a 11 anos de prisão por tráfico internacional de animais silvestres. Considerado um dos maiores biopiratas do mundo, ele
foi preso em julho deste ano durante a Operação Leshy, feita pela Polícia
Federal em conjunto com a PRF, Ibama e Interpol. A sentença que condenou o
russo foi proferida na 1ª Vara Federal de Guarulhos, na Grande São Paulo, pela
juíza Ana Emilia Rodrigues Aires, no último dia 3 de dezembro.
Para a juíza, Kirill era “era uma peça central e chave na
organização criminosa”. O russo atuava viajando por países ao redor do mundo e
capturando cobras, lagartos e outros répteis, além de insetos, para serem
vendidos ilegalmente a compradores internacionais. Uma vez capturados, os
animais seriam divulgados pelos outros membros da organização em fóruns
especializados ou vendidos em um estande da loja Terraristika, na feira de
répteis de Hamm, na Alemanha.
Junto com outros três estrangeiros, Kirill faria parte de uma
organização de tráfico internacional de animais com atividades em cinco
continentes e mais de 15 países, entre eles Alemanha, Polônia, Itália, Espanha,
Emirados Árabes Unidos, África do Sul, Austrália, Japão e Argentina.
Entre as pessoas que ajudavam Kirill a vender os animais,
estariam sua ex-mulher, Ekaterina Burukhina, e sua atual companheira, Ekaterina
Kravchenko. As duas seriam, segundo a investigação, as responsáveis por
gerenciar comunidades e fóruns em redes sociais dedicados ao comércio de
animais exóticos. Em um perfil do Facebook indicado como sendo o de Burukhina
pela investigação da PF, a mulher, que reside em São Petersburgo, aparece
posando com diferentes tipos de répteis. Ele também mantém um canal no Youtube
com mais de 700 mil inscritos, em que posta videos com os animais.
Kirill Sergeevich Kravchenko foi condenado pela tentativa de
exportação de mercadoria proibida; pela captura de animais silvestres; por
transportar, manter em cativeiro e vender animais silvestres; por maus-tratos
com o agravante de morte de animais. Por transportar muitos animais venenosos,
ele também foi condenado por expor a vida ou a saúde de outra pessoa a perigo.
Procurada, a defesa de Kirill ainda não respondeu aos pedidos da reportagem.
26 jararacas em
mochila
Kravchenko já havia sido detido outras três vezes. A primeira
delas foi em 2017, ao tentar entrar em Amsterdã, na Holanda, com uma mala cheia
de animais nativos do Brasil. Kirill viajava com destino a Rússia, e levava em
uma mochila 26 jararacas, 10 sapos venenosos, 33 baratas e alguns espécimes de
lagartos raros. Desde então, Kirill Kravchenko passou a ser monitorado pelo
Ibama.
As duas outras prisões de Kirill foram este ano, no Brasil. A
primeira delas foi no dia 20 de janeiro, no Aeroporto de Guarulhos, na Grande
São Paulo, enquanto o homem tentava embarcar para a Rússia. Os animais estavam
dentro de sua bagagem de mão e foram identificados no raio-x do aeroporto.
Dentro da mala, havia 294 animais: 50 lagartos de três espécies, 1 aranha
adulta e 50 filhotes, 20 sapos de quatro espécies e 100 invertebrados de diversas
espécies.
Na época, o russo argumentou que os animais seriam levados ao
seu país e utilizados em pesquisas do laboratório de remédios veterinários no
qual ele trabalhava. Ele foi multado pelo Ibama e teve seu passaporte retido
pela PF, antes de ser colocado em liberdade.
A segunda prisão de Kirill foi na rodovia presidente Dutra, em
Seropédica, no Rio de Janeiro, em uma ação da Polícia Rodoviária Federal, no
dia 18 de junho. A PRF parou o ônibus em que Kirill estava e encontrou 320
animais com o biólogo.
A sua prisão preventiva se deu no âmbito da Operação Leshy, que
combatia o crime de tráfico de animais. Durante a investigação, a polícia
encontrou registros de 48 transações comerciais no celular de Kirill envolvendo
os animais que traficava. Em um deles, que chamou a atenção da polícia, ela
negociava a venda de uma cobra da espécie Bothrops marajoensis, serpente
venenosa que só é encontrada na ilha de Marajó, no Pará, e no delta do
Amazonas. Além disso, foi revelado que pouco antes de ser preso em janeiro,
Kirill foi ao Parque Nacional da Serra Geral, na divisa entre Rio Grande do Sul
e Santa Catarina. Parte dos animais apreendidos no aeroporto vinha justamente
dessa região.
Fonte e foto: O Globo
via Sulagora.com
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