Ana
Catarina Veloso, em casa
ana@ciasullieditores.com.br
Tende-se a pensar
que todos os animais vistos nas ruas estão abandonados, mas o que, de fato,
pode estar acontecendo é o contrário. Alguns gatos e cachorros recebem cuidados
da comunidade do qual estão inseridos, tendo auxílio básico, como, alimentação,
vacina, castração e atenção das pessoas que moram ao redor. Estes animais
costumam ser chamados de cães e gatos comunitários, ainda que o vínculo de
comunitários ocorra de modo informal em muitos centros urbanos.
A geógrafa e
médica-veterinária, Evelynne Hildegard Marques de Melo, explica que os animais
comunitários “permanecem vivendo em ambientes livres sem um tutor específico,
mas com vínculo com pessoas de comunidades para comer e receberem cuidados
básicos”. Ela ainda informa que muitos cães e gatos já nasceram nas localidades
e, por isso, conseguem se adaptar com mais facilidade.
“É importante
deixar claro que o ideal é que todos os cães e gatos tenham seu tutor
responsável, tal como já bem ajustado em legislações em vários países, contudo,
como o Brasil nunca organizou uma política pública de posse responsável e como
o controle de nascimento permanece ineficaz, falar em animais comunitários é
uma necessidade grande sob o ponto de vista de gestão pública, tanto pelo
bem-estar dos cães e gatos quanto pelas questões de Saúde Única”, declara.
Para além disso,
embora não seja o principal objetivo para mantê-los livres nas comunidades,
animais de vida livre de modo geral, também contribuem como sendo um
“sentinela”. É possível identificar surtos de doenças e desequilíbrio ambiental
em água e solo da região por meio da resposta fisiológica dos animais e os cães
e gatos podem dar contribuições especificas”, menciona.”, menciona.
Por mais que essa
atividade ainda não tenha reconhecimento legal federal, alguns Estados já
legalizaram o reconhecimento de cães e gatos comunitários, embora ainda
fragmentado, alguns deles fixam em leis o reconhecimentos somente sobre “cães
comunitários”, outros fixam “cães e colônias de gatos” e há Estados mencionando
de modo inespecífico o reconhecimento de “animais comunitários”, termo amplo.
“Atualmente, o Brasil acabou de ter a iniciativa legislativa com o protocolo de
um Projeto de Lei Federal (PL 3446/2021) que tem como objetivo reconhecer cães
e gatos comunitários, bem como organizar os ambientes de acolhimento desses
animais”, observa a veterinária.
Evelynne explica
que o PL é uma ação importante, já que as gestões municipais, em sua maioria,
não conseguem acompanhar a quantidade de grupos, cuidadores e protetores de
cães e gatos. “Muitas organizações não são devidamente registradas, além de que
há grande quantidade de pessoas que têm intenção de proteger os cães e gatos e,
com isso, os retiram das ruas e acabam confiando em suas casas, enquanto, na
verdade, mantê-los na comunidade sob supervisão, castrados e sob orientação
técnica municipal seria mais sustentável”, defende.
É possível observar
que, desde a década de 90, alguns países já reconhecem os cães e gatos
comunitários, livres e castrados, a fim de evitar mal-estar em abrigos gerado
pela vida aprisionada, onde alguns animais acabam morrendo na espera de serem
adotados por uma família que nunca chega. “Desta maneira, é possível evitar
despesas públicas com tratamento e manutenção desses animais em abrigos”,
aponta Evelynne.
Futuro sustentável
Na opinião da profissional,
baseado em observações de literatura internacional cientifica e legislativa, a
ação pode ser vista pelo lado do futuro sustentável da vida animal no meio
ambiente, livres e sem se reproduzir: “Afinal os animais não podem ser
unicamente responsabilizados pelos incômodos e impactos resultantes de suas
presenças desordenadas nos centros urbanos, pois foram fruto de domesticação
humana, o que aponta para o próprio homem criar meio de convivência equilibrada
no ambiente”, afirma Evelynne, enfatizando a necessidade de políticas públicas
e educação ambiental para construir valores de respeito e cuidado nas gerações
humanas. A especialista ainda explica que, sem uma política eficaz de
castração, há uma criação de cães e gatos desorganizados, causando abandono e
prejuízo na Saúde Única e bem-estar animal.
Com a ajuda da comunidade na
vida desses animais, os mesmos recebem respaldo, auxílio na harmonia e
fortalece vínculos de cuidado das pessoas com os bichos. “Desta maneira, a
ideia de se estabelecer uma lei ajudaria no relacionamento entre a comunidade, evitando
divergências sobre a responsabilidade dos cuidados que serão compartilhados em
grupo”, argumenta.
Na realidade, Evelynne cita que
os cuidados com os cães e gatos em comunidade, por pessoas que não são seus
tutores em específico, já existe fortemente no Brasil. “O que precisamos é de
uma gestão pública com o objetivo de amparo instrutivo, registro em prefeituras
dos animais habitantes nas comunidades, para garantir uma correta profilaxia de
doenças sérias, como por exemplo a raiva, e, também, garantir castração”,
ressalta Evelynne.
Animais de rua x animais nas ruas
Sendo assim, nem todos os
animais que estão nas ruas são, propriamente, sem tutor, não estão abandonados,
são animais criados ao modo livre com acesso às vias públicas e com
comportamento de liberdade para dar uma volta e sempre retornam para o seu
posto de alimentação e dormitório. “Alguns desses pets até usam coleiras no
pescoço. Já os animais nascidos em vias públicas, distantes do convívio
estreito com humanos, normalmente, são mais ariscos e alguns ferais, são cães e
gatos que, embora recebam ocasionalmente alimento ofertado por pessoas das
comunidades, também se alimentam de lixo e costumam fazer caça de insetos e
roedores para se nutrir. De algum modo, constituem a fauna urbana, contudo, não
são animais oficialmente adotados pelas comunidades, mas são reconhecidos por
estarem sempre no entorno e recebem alguma atenção da população. Da mesma
forma, acontece com os animais abandonados por terceiros nas comunidades, onde
moradores conseguem reconhecer que aquele pet não é da região”, discorre.
Para Evelynne, é necessário
fazer a construção da compreensão popular sobre a qualidade de vida dos cães e
gatos. “Trabalhar a aceitação social do animal comunitário, justamente para
garantir uma manutenção sustentável nos ambientes das comunidades”, salienta.
A especialista ainda explica
que nem todos os pets podem ser mantidos em confinamento ou abrigados em
gaiolas, especialmente aqueles que nasceram livres, andando nas vias públicas e
que chegaram na vida adulta nesse contexto de liberdade. “Normalmente, ao serem
confinados ou, até mesmo, abrigados em casas com portões fechados, tendem a
expressar fortemente o comportamento de fuga. E, quando são abrigados em
gaiolas, tendem a adoecer, ficando estressados e agressivos”, esclarece. Vale
reforçar que, quando se trata de filhotes, o abrigo temporário e a vida em
domicilio podem e devem ser encorajados, porque são animais em fase de
socialização.
Contudo, Evelynne reforça que o
reconhecimento legal de cães e gatos comunitários é uma política pública que
deve vir alinhada com a política pública do reconhecimento do CED (captura,
esterilização e devolução) e política de educação ambiental. “Além disso, com
educação ambiental, a população passará a entender as necessidades dos animais,
evitando o sofrimento dos pets, onde, muitas vezes, as pessoas têm a intenção
de proteger, retirando da vida livre e confinando-os em suas residências,
estabelecendo uma falsa sensação de proteção”, finaliza.
Foto: divulgação
Fonte: www.caesegatos.com.br
Programa Mundo Animal na rádio Mares do
Sul 87,9 de Marechal Deodoro Alagoas das
oito as nove aos sábados.” Quem não ama os animais jamais vai amar o
semelhante”.
Colaboradores do programa Mundo Animal
ano XXI:
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