Amanda Andrade | Redação ANDA
Jane Goodall – foto: Crédito: Reprodução/Guardian
Uma das maiores
especialistas em estudo sobre chimpanzés do mundo, a primatologista Jane
Goodall publicou um artigo no jornal italiano La Reppublica, onde
pede o fim do comércio e exploração de animais silvestres no mundo.
O apelo é direcionado aos líderes do G20, grupo de países das
maiores economias mundiais, que reuniram-se no último fim de semana na Itália.
Jane Goodall, uma
pioneira no ativismo ambiental e engajada na luta contra as mudanças
climáticas, também alerta que exploração cruel da vida selvagem deixa o mundo
vulnerável a futuras pandemias.
Leia a íntegra do artigo traduzido abaixo:
O que o raro falcão-peregrino da Itália tem em comum com os
inteligentes papagaios-cinzentos do Congo ou com os crocodilos-de-água-salgada
da Austrália? Eles, e milhares de outras espécies de vida silvestre, são
vítimas comuns do comércio mundial de vida selvagem que movimenta vários
bilhões de dólares a cada ano.
Eles são explorados para ganho comercial internacional;
reduzidos a mercadorias para abastecer mercados de alimentos, animais de
estimação exóticos, remédios, ornamentos, moda e até mesmo para nosso
entretenimento.
Tenho testemunhado com demasiada frequência a vida de animais
arrancados de suas mães, torturados para serem submissos aos humanos e
acondicionados em gaiolas como sardinhas. Esta é a crueldade do comércio de
animais silvestres em escala industrial.
Somado a esse horror está o risco muito real de transmissão de
doenças zoonóticas que existe em cada etapa das cadeias de suprimentos, e
provavelmente estamos sentindo suas consequências agora mesmo com a pandemia de
covid-19.
A Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre
Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) estima que existam cerca de 1,7 milhão de vírus não
descobertos em animais selvagens, dos quais aproximadamente metade pode se
espalhar para humanos.
Em todo o mundo – dos mercados de vida selvagem da Ásia às
fazendas de visons da Europa – estamos criando ambientes perigosos para que
doenças se espalhem dos animais para os humanos. Este é um problema global que
exige uma resposta global.
Estou conclamando todos os líderes mundiais do G20 que se uniram
na Cúpula dos Líderes no final de semana (30 e 31 de outubro) em Roma para
colocarem fim ao comércio internacional de vida silvestre. Isso deve abranger a
vida selvagem viva ou morta, suas partes e derivados para que se tenha
resultados eficazes.
Existem inúmeras deficiências nas estruturas jurídicas dos
países do G20 que continuam a explorar cruelmente a vida selvagem e deixam o mundo vulnerável a
futuras pandemias. Por quanto tempo mais podemos ignorar essa
ameaça?
A Itália já mostrou que pode liderar o apelo do Parlamento
italiano por uma legislação que proíba o comércio de animais selvagens e
exóticos.
O governo italiano também está tomando medidas cruciais para
reconhecer, assim como nós, que cada indivíduo é importante ao se comprometer a
melhorar o bem-estar dos macacos em cativeiro. A proposta do Instituto Jane
Goodall sobre este assunto foi recebida pelos ministérios envolvidos, e temos
esperança de que ações serão tomadas em breve.
A Proteção Animal Mundial, uma organização global de bem-estar
animal, também se envolveu com ministros italianos e do G20 em eventos do G20
este ano – da Cúpula de Saúde Global à Cúpula de Ministros da Agricultura – com
o objetivo de garantir seu apoio para a proibição do comércio de animais
selvagens.
O que une essas questões é que uma abordagem de saúde única deve
ser adotada. Esta abordagem foi endossada pelo governo italiano e enfatiza que
a saúde animal, humana e ambiental estão interligadas e, portanto, requerem um
tratamento holístico.
Em 2020, o Instituto Jane Goodall juntou-se ao inovador grupo
Wildlife Conservation 20 (WC20, Conservação da Vida Silvestre 20) e aos nossos
colegas da Global Initiative to End Wildlife Crime (EWC, Iniciativa Global para
Acabar com os Crimes da Vida Silvestre), conclamando os países do G20 a
adotarem uma abordagem de Saúde Única conforme articulado nos Princípios de
Berlim de 2019. Manter tudo como está não é uma opção para a sobrevivência não
só de nossa espécie, mas de todos aqueles com quem compartilhamos este planeta.
Infelizmente, os riscos à saúde pública impostos pelo comércio
de animais silvestres não foram mencionados quando os ministros da Saúde do G20
se reuniram no início de setembro, nem quando os ministros da Agricultura do
G20 se reuniram há algumas semanas.
Os líderes mundiais do G20 estão tão bem posicionados quanto
qualquer grupo de tomadores de decisão na história para tomar medidas ativas em
direção à proibição do comércio de vida silvestre. Ainda assim, parece que a
questão não está na agenda da Cúpula do G20.
A Itália tem se mostrado empenhada em reduzir os riscos de
futuras pandemias, mudando o assunto da preparação e resposta para a pandemia
para a prevenção de pandemias.
No entanto, a cada dia que passa o G20 deixa de agir para
mitigar o risco de danos inerentes ao comércio global de vida selvagem, eles
colocam em perigo não apenas a vida selvagem, mas também o bem-estar dos
humanos. Há muitos motivos pelos quais sempre acreditei que os animais
silvestres deveriam ser deixados onde pertencem, mas tenho certeza de que todos
podemos concordar que isso é mais relevante agora do que nunca.
A Itália tem a oportunidade de liderar o mundo ao endossar e
implementar a proibição do comércio de animais selvagens, seus produtos e
derivados. Isso deve ser aplicado em todo o comércio e tornado permanente,
abrangente e reforçado. A alternativa a isso é permitir que o próximo vírus
zoonótico inevitável cause mais mortes e devastação.
Seria um erro do governo italiano ignorar este risco, quando o
destino dos animais, das pessoas e do nosso planeta depende das escolhas dos
líderes mundiais do G20.
Fonte: anda.jor.br
Programa Mundo Animal na rádio Mares do
Sul 87,9 de Marechal Deodoro Alagoas em novembro das oito as nove aos sábados.”
Quem não ama os animais jamais vai amar o semelhante”.
Colaboradores do programa Mundo Animal
ano XXI:
Consultório veterinário dr Marcelo
Lins 99981 5415
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Mondo Pet av. d. Constança 354 Jatiuca
Maceio
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Vereadora Teca
Nelma ( vegetariana )– foto assessoria
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