Vanessa Santos | Redação ANDA
Foto: Instagram | @bufalas_de_brotas
O caso das búfalas
que foram abandonadas para morrer de sede e fome na fazenda Água Sumida, na cidade
de Brotas (SP), vem sendo tratada por especialistas em Direito Animal, como o
maior crime do gênero registrado na história do país.
Na última contagem
foram identificados 1.056 animais, sendo a maioria fêmeas grávidas e seus
filhotes, que já estavam em estado de inanição avançada quando foram
encontrados no último dia 6. O número oficial de mortes é 27 animais, mas a
probabilidade é que tenham outros animais mortos, que não tiveram seus corpos
encontrados.
Para o delegado Douglas
Brandão Amaral, que cuida do caso, as provas apontam que o proprietário e
administrador da fazenda, Luiz Augusto Pinheiro de Souza, deixou os animais
propositalmente sem água e comida para definharem no local.
Fotos e vídeos dos animais esqueléticos, atolados e desesperados
por comida, têm percorrido a internet e despertado a revolta e a solidariedade
de civis, ativistas e celebridades ligadas à causa animal, como Xuxa
e Luana Piovanni.
A Polícia Ambiental de São Paulo recebeu uma denúncia no dia 6
de novembro e foi até a propriedade averiguar a queixa, quando se deparou com
centenas de búfalas abandonadas, sendo que 22 já estavam mortas. O pecuarista
Luiz Augusto foi conduzido para a delegacia e autuado em flagrante em R$2,133
milhões.
Depois da atualização, o número de animais subiu de 667 búfalas
para cerca de 1.056, constituída 90% de fêmeas grávidas, além de 72 cavalos.
Nos dias que se seguiram da denúncia, a Polícia Civil ao constatar que a
situação era intencional, articulou uma força-tarefa com a ajuda da prefeitura,
ONGs de proteção animal e empresas para salvar os animais.
“Vimos um cenário de guerra quando chegamos ao local. Eram
muitos búfalos mortos e outros caídos no chão e agonizando. As quase 500
cabeças que ainda estavam de pé começariam a cair em mais um ou dois dias. A
força-tarefa conseguiu uma ordem judicial e começou a desatolar esses animais e
dar soro e comida a eles, mesmo o proprietário estando omisso”, contou o
delegado Brandão em entrevista para o GLOBO.
“O fazendeiro alega que está tudo normal, que as búfalas estão
morrendo por que estão velhas, e que ele não fez o descarte (dos animais) antes
para frigorífico por que não achava justo mandar matar animais que foram úteis
para ele no passado. Os fatos, porém, são que muitas búfalas são jovens, estão
prenhes e foram deixadas para morrer sem água e comida”, ressalta o delegado.
Inicialmente, a
hipótese levantada pelos investigadores era que o responsável queria se livrar
dos animais para arrendar a área para o plantio de soja. Mas para o delegado
que está a frente do caso, essa teoria não se sustenta. “Ele poderia ter
vendido os búfalos antes disso por um valor irrisório, mas não o fez. Ainda apuramos
o que poderia ter levado à decisão de deixá-los à morte”, esclarece Bruno.
Diariamente são
necessários cerca de 11 mil litros de água e 10 toneladas de feno e farelo de
milho para alimentar os animais. Sendo toda provisão vinda dos ativistas e
campanha divulgadas por eles.
A publicitária e
ativista Larissa Maluf, que chegou na fazenda dois dias depois da ocorrência,
afirma que a situação de abandono e maus tratos dos animais se prolonga há
meses, e que passou a ser atenuada depois que os voluntários e ativistas
ocuparam o local para alimentar e tratar dos animais.
Por decisão
judicial apenas 10, dos 20 voluntários, estão autorizados a entrar na
propriedade. “Estamos nos revezando para cuidar das búfalas, maioria prenhe e
em situação grave porque definharam por meses, mas é pouca gente. Nós temos um
hospital de campanha montado pela ONG Amor e Respeito Animal (ARA), que está
tratando as vacas que estão em estado mais grave”, conta Larissa.
Luiz Augusto
Pinheiro de Souza, chegou a ser preso pela Polícia Civil por crime de
maus-tratos aos animais, mas pagou uma fiança no valor de R$10 mil e responde o
processo em liberdade.
O inquérito
policial cita em um trecho a situação encontrada pelos oficiais. “Forte odor de
carniça e a presença de incontáveis urubus no local. Por onde a vista passava
eram vistos búfalos mortos ou deitados agonizando, aguardando com sofrimento a
dolorosa chegada da morte, sem nenhum tipo de pastagem, água ou acompanhamento
profissional”, diz o auto de prisão do fazendeiro.
Após ser libertado,
Luiz Augusto ainda teria buscado impedir o trabalho dos voluntários, segundo a
polícia. A ONG ARA conseguiu uma liminar que permitisse aos ativistas atuar no
tratamento dos animais, mas apenas dez pessoas estão autorizadas a entrarem no
hospital de campanha dentro da propriedade, o que é um número insuficiente de
pessoas para atender as mais de mil búfalas.
No dia 18 de
novembro, um boletim de ocorrência foi registrado por Alex Parente, diretor da
ONG ARA, contra Souza e dois funcionários da fazenda, por descumprimento de
ordem judicial e por impedir o uso dos tratores da prefeitura que auxiliariam
nos resgates. A Polícia Civil, então, prendeu no domingo (21) um dos
administradores da fazenda e um policial aposentado que fazia a segurança do
local, porém ambos pagaram fiança e foram liberados.
Foto: Instagram | @bufalas_de_brotas
O presidente da
Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB, Reynaldo Velloso, considera o
caso como um dos maiores atentados contra animais registrados no país. Ele defende
que o Judiciário amplie a autorização para que mais ativistas entrem na
propriedade.
“É muito grave e
precisa de uma ação urgente. Podemos ter mortalidade em massa das fêmeas
grávidas, o inquérito mostra um horror. Pelo que se sabe, passaram trator pelo
pasto para que os animais não tivessem o que comer e isso acelerasse sua morte
de fome. Temos imagens trágicas do local. Não basta salvá-los agora, mas sim
para o resto da vida delas”, confere o advogado.
Reynaldo afirma que
os responsáveis pelo delito devem ser condenados por maus-tratos e responder
por cada animal individualmente. Sendo que a pena prevista para o crime varia
de três meses a um ano de reclusão. Além disso, há indícios de crimes
ambientais, com o enterro irregular dos animais e uma possível contaminação do
solo”, fecha Velloso.
Entidades como o
Ibama, Cetesb e a prefeitura de Brotas, podem e devem apurar o caso. Agora é
imprescindível uma coordenação dos entes públicos para salvar as búfalas
urgentemente.
Fonte: anda.jor.br
Programa Mundo Animal na
rádio Mares do Sul 87,9 de Marechal Deodoro Alagoas das oito as nove aos sábados.( está no
aplicativo rádios net e no
www.mundoanimalmaceio.com.br)
” Quem não ama os animais jamais vai amar
o semelhante”.
Colaboradores do blog:
Vereadora Teca nelma
Consultório veterinário dr Marcelo
Lins 99981 5415
@defesaanimalemacao
Comissão do Bem Estar Animal da OAB
Alagoas- presidente dra Rosana Jambo
Mondo Pet: av. d. Constança 354 Jatiuca Maceió
Alagoas (@mondopet )
Nenhum comentário:
Postar um comentário